Lua Raposo
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luaraposo.bsky.social
Lua Raposo
@luaraposo.bsky.social
Professora de Português de esquerda (tanto a professora quanto o Português)
Visita
Hoje de manhã
a poesia esteve aqui no meu poema - custou a entrar porque a porta de serviço emperrava
Abriu a maleta, tintilou uns ferrinhos
verificou as condições gerais dos versos da primeira estrofe
disse que ia fazer umas outras visitas, que já voltava e não voltou
Mas deixou um orçamento
October 5, 2024 at 6:15 PM
Algum espelho nos faltará,
que não nos vemos vorazes e virulentos
– vírus são,
vírus somos;
vírus vão,
vírus vamos
na epidêmica
ventania
crescendo e multiplicando-nos bilionários
no hospedeiro,
que há, inevitável, de morrer.
E morrer-nos.
September 24, 2024 at 12:15 AM
O que faz um homem não compreender a pedagogia do vírus?
Fará parte de seus desígnios esse raciocínio helicoidal
que retoma para sempre
a antiga e ilimitada ignorância inorgânica?
September 24, 2024 at 12:14 AM
Pois há outro vírus (decerto vivo)
Viril e viral
virtuoso e viripotente
varão, varonil: o homem.
September 24, 2024 at 12:13 AM
O vírus sem metabolismo ou subterfúgio,
bruto como os minérios
que, no fim das contas, compõem o planeta – a Terra
com sua confusão
de água
silício
e magma
mais
folhas
pétalas
e felinos.
September 24, 2024 at 12:13 AM
Ignorância inorgânica
O que faz um homem não compreender a pedagogia do vírus?
O vírus como metáfora de cristal,
como alegoria rude
September 24, 2024 at 12:12 AM

Eu rio desses teus nomes,
da graça que a aranha tem,
da moça que irajava,
enquanto esperava o trem
September 22, 2024 at 10:03 PM
Eu vou com essa tua gente,
Machado, Meier, Leblon,
o Cosme do Engenho Velho.
Vinícius não sai do Tom.

Do Lins, quero um campo grande,
cercado pelos bangus.
De Fátima, quero a saúde
– a glória de Oswaldo Cruz.
September 22, 2024 at 10:03 PM
Se eu fosse senhor dos passos,
tão fácil eu te andaraía,
guardava-te nos meus braços,
pra sempre eu te olaria.

Paixão que me bota fogo,
suspiro e fico encantado.
derramo um milhão de flores
do Leme até São Conrado.

.
September 22, 2024 at 10:03 PM
Uma canção pelo Rio

(para cantar com a cantiga "O cravo brigou com a rosa")

Eu rio desses teus nomes,
da graça que a aranha tem,
da moça que irajava,
enquanto esperava o trem.

Passeio nas laranjeiras,
nas frutas de casca dura
que aguardam nas madureiras
dourando sua doçura.
September 22, 2024 at 10:02 PM
É sempre bom lembrar

Eu me lembro de uma esparsa
redondilha de Camões,
em que aponta o quanto esgarça
a força do bem, e a farsa
dos maus que superam os bons.

Contudo seguiu assim
o mundo tão perturbado:
sou bom e sou castigado.
Lamento que só pra mim
ande o mundo concertado.
September 10, 2024 at 8:43 AM