Hoje de manhã
a poesia esteve aqui no meu poema - custou a entrar porque a porta de serviço emperrava
Abriu a maleta, tintilou uns ferrinhos
verificou as condições gerais dos versos da primeira estrofe
disse que ia fazer umas outras visitas, que já voltava e não voltou
Mas deixou um orçamento
Hoje de manhã
a poesia esteve aqui no meu poema - custou a entrar porque a porta de serviço emperrava
Abriu a maleta, tintilou uns ferrinhos
verificou as condições gerais dos versos da primeira estrofe
disse que ia fazer umas outras visitas, que já voltava e não voltou
Mas deixou um orçamento
que não nos vemos vorazes e virulentos
– vírus são,
vírus somos;
vírus vão,
vírus vamos
na epidêmica
ventania
crescendo e multiplicando-nos bilionários
no hospedeiro,
que há, inevitável, de morrer.
E morrer-nos.
que não nos vemos vorazes e virulentos
– vírus são,
vírus somos;
vírus vão,
vírus vamos
na epidêmica
ventania
crescendo e multiplicando-nos bilionários
no hospedeiro,
que há, inevitável, de morrer.
E morrer-nos.
Fará parte de seus desígnios esse raciocínio helicoidal
que retoma para sempre
a antiga e ilimitada ignorância inorgânica?
Fará parte de seus desígnios esse raciocínio helicoidal
que retoma para sempre
a antiga e ilimitada ignorância inorgânica?
Viril e viral
virtuoso e viripotente
varão, varonil: o homem.
Viril e viral
virtuoso e viripotente
varão, varonil: o homem.
bruto como os minérios
que, no fim das contas, compõem o planeta – a Terra
com sua confusão
de água
silício
e magma
mais
folhas
pétalas
e felinos.
bruto como os minérios
que, no fim das contas, compõem o planeta – a Terra
com sua confusão
de água
silício
e magma
mais
folhas
pétalas
e felinos.
O que faz um homem não compreender a pedagogia do vírus?
O vírus como metáfora de cristal,
como alegoria rude
O que faz um homem não compreender a pedagogia do vírus?
O vírus como metáfora de cristal,
como alegoria rude
Eu rio desses teus nomes,
da graça que a aranha tem,
da moça que irajava,
enquanto esperava o trem
Eu rio desses teus nomes,
da graça que a aranha tem,
da moça que irajava,
enquanto esperava o trem
Machado, Meier, Leblon,
o Cosme do Engenho Velho.
Vinícius não sai do Tom.
Do Lins, quero um campo grande,
cercado pelos bangus.
De Fátima, quero a saúde
– a glória de Oswaldo Cruz.
Machado, Meier, Leblon,
o Cosme do Engenho Velho.
Vinícius não sai do Tom.
Do Lins, quero um campo grande,
cercado pelos bangus.
De Fátima, quero a saúde
– a glória de Oswaldo Cruz.
tão fácil eu te andaraía,
guardava-te nos meus braços,
pra sempre eu te olaria.
Paixão que me bota fogo,
suspiro e fico encantado.
derramo um milhão de flores
do Leme até São Conrado.
.
tão fácil eu te andaraía,
guardava-te nos meus braços,
pra sempre eu te olaria.
Paixão que me bota fogo,
suspiro e fico encantado.
derramo um milhão de flores
do Leme até São Conrado.
.
(para cantar com a cantiga "O cravo brigou com a rosa")
Eu rio desses teus nomes,
da graça que a aranha tem,
da moça que irajava,
enquanto esperava o trem.
Passeio nas laranjeiras,
nas frutas de casca dura
que aguardam nas madureiras
dourando sua doçura.
(para cantar com a cantiga "O cravo brigou com a rosa")
Eu rio desses teus nomes,
da graça que a aranha tem,
da moça que irajava,
enquanto esperava o trem.
Passeio nas laranjeiras,
nas frutas de casca dura
que aguardam nas madureiras
dourando sua doçura.
Eu me lembro de uma esparsa
redondilha de Camões,
em que aponta o quanto esgarça
a força do bem, e a farsa
dos maus que superam os bons.
Contudo seguiu assim
o mundo tão perturbado:
sou bom e sou castigado.
Lamento que só pra mim
ande o mundo concertado.
Eu me lembro de uma esparsa
redondilha de Camões,
em que aponta o quanto esgarça
a força do bem, e a farsa
dos maus que superam os bons.
Contudo seguiu assim
o mundo tão perturbado:
sou bom e sou castigado.
Lamento que só pra mim
ande o mundo concertado.