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Banheira ritual com cinzas é achada sob o Muro das Lamentações, em Jerusalém
Durante escavações em Jerusalém, equipes da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) descobriram um mikveh – uma estrutura para banhos ritualísticos – sob a Praça do Muro das Lamentações, um dos locais mais sagrados para o judaísmo. Usada para rituais de purificação em que se imerge completamente do corpo em água coletada naturalmente, a estrutura do mikveh foi encontrada selada em depósitos de cinzas datados de 70 d. C., época referente à invasão romana de Jerusalém. Rituais de purificação Segundo comunicado da IAA publicado em 28 de dezembro, o mikveh foi escavado diretamente na rocha do local, possuindo formato retangular e dimensões de 3,05 m de comprimento, 1,35 m de largura e 1,85 m de altura. Quatro degraus da banheira foram expostos, permitindo o acesso dos arqueólogos ao interior da estrutura. O vídeo abaixo mostra detalhes das escavações. Veja: Na camada selada de cinzas que remetem ao final da era do Segundo Templo, período encerrado com a destruição de Jerusalém pelos romanos, foram descobertos “numerosos vasos de cerâmica e ferramentas de pedra, típicos da população judaica que vivia na cidade às vésperas da destruição”, segundo o comunicado. Arqueologia de uma cidade – santuário As escavações sob a Praça do Muro das Lamentações estão localizadas onde antes, há quase 2 mil anos, encontrava-se o Segundo Templo de Jerusalém e duas das suas principais entradas: a Grande Ponte ao norte e o Arco de Robinson ao sul. Outros mikveh, vasos de pedra e outros objetos associados a rituais de purificação já haviam sido descobertos na zona de escavação anteriormente. “Deve-se lembrar que Jerusalém era uma cidade santuário. Como tal, muitos aspectos da vida cotidiana foram adaptados a esse fato, e isso se expressa, em particular, na extrema rigidez dos moradores da cidade e da região circundante em relação às leis de impureza e pureza”, afirma Ari Levy, diretor das escavações em nome da IAA, em comunicado. A descoberta do mikveh ocorreu próxima a uma data importante do calendário: o dia 10 do mês hebraico de Tevet marca um dia de jejum e luto nacional ao povo judeu por marcar o início do sítio de Jerusalém pelo exército de Nabucodonosor, e a subsequente destruição do Primeiro Templo. Os pesquisadores especulam que os banhos de purificação serviam aos judeus que viviam na área e aos peregrinos que visitavam o Templo, sendo que mais investigações podem colaborar para a “desenterrar o passado da cidade”. “A descoberta do banho de purificação sob a Praça do Muro das Lamentações reforça a compreensão de quão interligadas estavam a vida religiosa e a vida cotidiana em Jerusalém durante os templos do Templo (...), enfatiza a importância da continuidade das pesquisas arqueológicas em Jerusalém”, diz o Ministro de Patrimônio de Israel, Amichai Eliyahu.
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January 3, 2026 at 2:10 AM
Uso prolongado de remédios para dormir pode afetar bem-estar de idosos
Cada vez mais comum, a dificuldade para dormir tem levado muitas pessoas que sofrem com distúrbios do sono, como a insônia, a recorrerem a medicamentos para conseguir descansar. Mas um estudo publicado em outubro na revista The Lancet Regional Health mostra que essa dependência pode trazer riscos. Pesquisadores simularam dois futuros para um mesmo grupo populacional de 15,3 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Todas tinham acima de 50 anos e faziam uso regular de medicamentos para dormir. No primeiro cenário, o uso da droga foi mantido; no outro, interrompido. Os resultados demonstram que evitar o uso das medicações reduziu o comprometimento cognitivo ao longo da vida, além de ter sido observada uma melhora considerável no tempo e, principalmente, na qualidade de vida desses pacientes. A publicação também alerta para o risco de quedas e prejuízos cognitivos em idosos. “Se reduzirmos ou interrompermos o uso desses medicamentos, diminuímos a incidência desses eventos, pois quanto maior for a quantidade de sedação, mais alterações do equilíbrio podem aumentar o risco de queda”, explica a neurofisiologista especialista em sono Leticia Soster, do Einstein Hospital Israelita. A insônia pode tanto ser sintoma de outra condição, como ansiedade ou transtornos de humor, quanto uma patologia isolada. Neste último caso, quando há o diagnóstico de insônia crônica, o quadro ocorre pelo menos três noites por semana e por mais de três meses. Como a privação do sono pode acarretar uma série de malefícios para a saúde física e mental, inclusive com a possibilidade de desenvolver novas doenças, é nessas situações crônicas que o tratamento medicamentoso pode ser uma opção. Mas esse uso não deve ser permanente e sempre precisa ser acompanhado por um médico especialista. “O equilíbrio está em manter a qualidade de vida de uma forma global, e o sono é um item da qualidade de vida. É possível fazer o uso temporário do medicamento, mas lembrando que não é uma coisa para tratar para sempre. Não se deve normalizar o uso crônico desses remédios por anos”, frisa Soster. Desafios da desprescrição Os achados do estudo reforçam a necessidade de revisar o consumo prolongado desses medicamentos. Para os autores, o uso crônico, como vem sendo feito, pode piorar a qualidade de vida. Esforços para desprescrever, isto é, reduzir ou interromper o uso dessas medicações, podem estar relacionados à melhora da qualidade de vida em adultos de meia-idade e idosos. “O que se fala na prática clínica da medicina do sono é que, eventualmente, podemos usar essas medicações, mas com um papel importante só em momentos específicos. Se mantidos por longos anos, o custo em saúde é muito maior do que o benefício agregado”, ressalta a médica do Einstein. Nesse sentido, a pesquisa sugere que o principal desafio é organizar políticas e práticas clínicas que permitam essa redução em larga escala. “Isso depende de capacitar profissionais, revisar prescrições de rotina e criar programas de desprescrição”, observa Leticia Soster. Alternativas não medicamentosas A versão mais recente do Consenso Brasileiro de Insônia, elaborado pela Academia Brasileira do Sono e pela Associação Brasileira de Medicina do Sono, aponta a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) como a principal estratégia não farmacológica para tratar o problema. O documento também recomenda, em complemento à terapia, medidas como a prática regular de exercícios físicos e ações de higiene do sono — um conjunto de hábitos que ajudam a melhorar a qualidade do descanso. Segundo o Ministério da Saúde, com base na 3ª edição da Classificação Internacional de Distúrbios do Sono (ICSD), a insônia crônica se manifesta por sinais como dificuldade para iniciar ou manter o sono, despertares antecipados, resistência em ir para a cama no horário adequado e dependência de outras pessoas (pais e cuidadores, por exemplo) para adormecer. Além disso, são frequentes sintomas como fadiga; redução da atenção, concentração ou memória; prejuízos nas relações sociais, familiares, no trabalho ou no desempenho escolar; alterações de humor e irritabilidade; sonolência diurna; mudanças comportamentais; perda de motivação; maior risco de acidentes e erros; e uma sensação persistente de preocupação ou insatisfação com o próprio sono. Fonte: Agência Einstein
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January 3, 2026 at 2:10 AM
Mexilhão-dourado invasor chega à Amazônia e preocupa cientistas
A invasão crescente do mexilhão-dourado na Amazônia acaba de ganhar seus primeiros dados científicos qualiquantitativos. A espécie invasora Limnoperna fortunei, popularmente conhecida como mexilhão-dourado, foi registrada pela primeira vez no rio Tocantins, em 2023, e desde então tem despertado grande preocupação entre pesquisadores, órgãos ambientais e comunidades ribeirinhas. O novo estudo, intitulado “Golden but not precious: first quali-quantitative data on golden mussels bioinvasion in the Amazon”, publicado na Acta Limnologica Brasiliensia, traz as primeiras análises populacionais da espécie na região e revela um cenário de dispersão acelerada e de forte potencial de impacto ecológico e socioeconômico na região. O molusco, originário do sudeste asiático, chegou à América do Sul provavelmente no início da década de 1990, por meio da água de lastro de navios mercantes, e rapidamente encontrou nas águas brasileiras condições favoráveis para a sua expansão. “O registro do mexilhão-dourado na Amazônia é considerado relevante e alarmante devido aos severos impactos socioeconômicos e ambientais que a espécie ocasiona. Modelos de dispersão indicavam alto risco de invasão da bacia amazônica apenas a partir da década de 2030, com consolidação na década de 2050. O fato de já termos encontrado a espécie no rio Tocantins em 2023 destaca um potencial de proliferação muito mais acelerado do que se imaginava”, afirma o engenheiro de pesca Rafael Anaisce das Chagas, pesquisador de pós-doutorado na Universidade Federal do Pará e que atua como pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Norte (CEPNOR/ICMBio), e autor principal do artigo. As amostragens que subsidiaram o novo estudo ocorreram em outubro de 2024, em três pontos sobre o Pedral do Lourenço, uma formação rochosa entre as cidades de Marabá e Tucuruí, no Pará. As coletas consistiram na raspagem das superfícies colonizadas, seguida de conservação das amostras em laboratório para identificação morfológica e análise genética. A equipe também realizou medição dos indivíduos e estimativas de densidade populacional, um dos principais indicadores do estágio de estabelecimento da espécie. Chagas explica que os resultados chamaram atenção pelo nível avançado da invasão. “A densidade populacional média encontrada foi de 11.940 indivíduos por metro quadrado, muito superior à registrada em 2023, de 88 indivíduos por metro quadrado. Isso indica que a espécie já se adaptou ao ambiente local e possivelmente já produziu ao menos uma vez, considerando que encontramos indivíduos entre 2 e 22 milímetros”, diz. Segundo o especialista, a presença de diferentes classes de tamanho revela que o mexilhão já completou, pelo menos, um ciclo reprodutivo na região. A chegada do mexilhão-dourado ao rio Tocantins tem sido confirmada também por relatos de comunidades ribeirinhas e por registros em estruturas aquícolas. Em 2024, piscicultores do estado do Tocantins relataram a presença do molusco em tanques-rede, o que reforçou a hipótese dos pesquisadores de que a espécie havia entrado na região antes do primeiro registro oficial. Em setembro do mesmo ano, moradores de Marabá, Itupiranga e Tucuruí comunicaram ao Ministério Público do Pará o surgimento de bancos de mexilhões no Pedral do Lourenço, acionando uma força-tarefa com participação do Instituto Evandro Chagas (IEC). Os efeitos ambientais do mexilhão-dourado são documentados. A espécie altera a transparência da água devido à sua alta capacidade de filtração, modifica a qualidade do habitat ao liberar grande volume de pseudofezes e acumula metais e toxinas. Além disso, pode reduzir a presença de animais que vivem no fundo dos rios, competir com espécies nativas por alimento e espaço, e provocar desequilíbrios na vida aquática, incluindo os peixes. Esses impactos comprometem o equilíbrio dos ambientes de água doce, diminuem a biodiversidade e afetam processos naturais essenciais para o funcionamento dos ecossistemas. “A presença do mexilhão-dourado gera diversos impactos socioeconômicos na Amazônia. Já temos relatos de pescadores que perderam redes, de piscicultores que registraram prejuízos devido ao acúmulo do molusco em estruturas de tanques e de obstrução de tubulações por excesso de indivíduos em compartimentos hidráulicos, aumentando custos de manutenção”, relata Chagas. A eliminação da espécie em ambientes naturais é considerada praticamente impossível. O controle, quando ocorre, limita-se a estruturas artificiais, como hidrelétricas e sistemas de abastecimento de água, utilizando combinações de métodos físicos, mecânicos, químicos e, em menor escala, biológicos. “A estratégia mais eficaz é o uso de protocolos integrados, combinando diferentes métodos capazes de manter estruturas livres de incrustações. Apesar de não ser possível eliminar a espécie do ambiente, é viável controlar seus impactos em sistemas construídos com manejo adequado”, explica o pesquisador. A pesquisa recebeu financiamento do Instituto Evandro Chagas (IEC) e do Ministério da Saúde (MS) e apoio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Norte (Cepnor/ICMBio).
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January 3, 2026 at 2:10 AM
Os modelos de linguagem e o lero-lero – por que a revolução das IAs está demorando a chegar
É bem capaz que você esteja lendo este artigo enquanto trabalha. Não seria o primeiro. O escritor Ítalo Calvino descreve seus leitores no romance Se um viajante numa noite de inverno, e um deles faz justamente isso: “Você está sentado em sua mesa de trabalho, e o livro por acaso está ali entre os papéis do escritório”. Quando vê está com as pernas sobre a mesa, livro na altura do nariz, todas as tarefas esquecidas. Para Calvino isso não é um desrespeito com o trabalho, pois é possível “pressupor que suas tarefas sejam regularmente no sistema das atividades improdutivas que ocupam boa parte da economia nacional e mundial”. As propostas de mudança na organização do trabalho, desde os modelos híbridos ou à distância até as grandes reduções de jornada, dão mostra que de fato nossas tarefas cotidianas são ocupadas por muitas “atividades improdutivas”, havendo sempre margem para cortes no que realmente precisamos fazer. Se tentássemos reduzir nosso trabalho àquilo que é de fato essencial, que depende de nós e faz diferença, quantas horas precisaríamos nos dedicar por semana? Mas por muitos motivos não conseguimos viver nesse concentrado de eficiência, e acabamos recheando nosso horário com muito lero-lero. Até agora essa é a verdadeira revolução das IAs generativas. Salvo algumas exceções, elas só são mesmo úteis para fazer aquelas coisas que gastam tempo sem agregar valor. Não espanta que vários estudos mostrem que a adoção desses modelos é alta, mas o impacto é baixo. Segundo pesquisa publicada em 2025 pelo MIT (Massachussets Institute of Technology), “Apenas 5% das empresas têm ferramentas de IA integradas em seus fluxos de trabalho em escala, e 7 dos 9 setores [investigados] não apresentam mudanças estruturais reais”, sobretudo porque elas não aprendem a se integrar aos fluxos de trabalho. No fim das contas, 95% das empresas não viram retorno mensurável do investimento nessas tecnologias. E mesmo o prometido aumento de produtividade ainda é bem duvidoso. Estudo da Universidade de Chicago em parceria com a Universidade de Copenhague avaliou 25.000 trabalhadores em 7.000 locais de trabalho, principalmente os que são suspostamente mais ameaçados pela IA: contadores, suporte ao cliente e de TI, consultores financeiros, RH, jornalistas, profissionais da área jurídica, marketing, funcionários administrativos, desenvolvedores de software e professores. Constataram que a utilização da IA no trabalho trazia em média uma economia de tempo de modestos 3% - e como era de se esperar, apenas 3% a 7% dos ganhos de produtividade se refletiam em melhores salários. O trabalho de verdade mesmo, aquilo que faz diferença no mundo, que implica em decisões e responsabilidade, em que é preciso motivar e gerenciar pessoas, não tem sido encampado pelos chatbots. Muitos, inclusive, já temem o estouro da bolha da IA, quando as companhias que estão investindo bilhões e bilhões de dólares na esperança de que, em algum momento, os modelos finalmente tragam retorno sobre o investimento, descubram que isso não vai acontecer. Na segunda temporada da série original de Star Trek, a tripulação visita um planeta no qual um líder nazista ascendeu ao poder com discurso carismático: “O caminho à frente é difícil. Requer coragem e dedicação. Requer fé. (...) Se alcançarmos nossa própria grandeza, tudo isso chegará ao fim. Trabalhar juntos será difícil às vezes para atingirmos esse objetivo. E nós o alcançaremos! ”, diz ele para o povo hipnotizado. Olhando de fora, Spock nota o embuste. “Capitão, o discurso não segue nenhum padrão lógico”, diz ele, fazendo Kirk notar que de fato trata-se apenas de ”Frases aleatórias emendadas”. No fim a farsa é desmascarada e o povo deixa de seguir tal líder. É claro que a tecnologia vai avançar e os modelos de IA irão se sofisticar. Mas se não deixarem de lero-lero e realmente fizerem um trabalho que importe, uma hora algum Spock convencerá os donos do dinheiro que tudo não passa de embromação. Então, quando essa bolha estourar, o barulho chegará aonde nenhum homem jamais esteve.
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January 3, 2026 at 2:10 AM
Conheça a “síndrome do coração festeiro”, ligada ao excesso de álcool
Seja uma lata de cerveja no churrasco de Natal ou uma taça de espumante no Réveillon, o consumo de bebidas alcoólicas já faz parte da comemoração das festas de final de ano no Brasil. No entanto, o exagero nesse hábito esconde uma ameaça cardíaca silenciosa: a síndrome do coração festeiro, ou holiday heart syndrome, em inglês. A condição relaciona a ingestão excessiva e prolongada de álcool ao maior risco de desenvolver um tipo de arritmia conhecida como fibrilação atrial. Nesse quadro clínico, a parte de cima do coração, formada pelos átrios, fica eletricamente desorganizada e trêmula, enquanto a porção debaixo do órgão, composta pelos ventrículos, passa a funcionar de maneira irregular. Isso leva a um descompasso dos batimentos. O efeito pode ser percebido como uma palpitação no peito, que costuma ser acompanhada por sensações de cansaço e falta de ar. Esses sintomas geralmente começam a se manifestar ainda durante o momento de embriaguez ou algumas horas após a bebedeira. “Não é apenas um drink que leva à síndrome. Para ela ocorrer, o indivíduo precisa realmente apresentar um nível de embriaguez muito elevado”, explica o cardiologista Guilherme Drummond Fenelon Costa, do Einstein Hospital Israelita. A intoxicação alcoólica diminui o pH do sangue e desidrata o corpo, efeitos que ainda podem se somar a condições como privação de sono e perda de eletrólitos. É a combinação desses fatores que pode levar à síndrome do coração festeiro. Problema subestimado A primeira descrição da síndrome foi em um artigo publicado em 1978 no American Heart Journal. Na época, a condição ainda era apresentada como uma associação hipotética, a partir da observação de poucos pacientes de hospitais em Nova Jersey, nos Estados Unidos. De lá para cá, o problema foi mais investigado pela ciência. Em fevereiro de 2025, revisão de 11 estudos publicada na revista Cureus concluiu que o binge drinking (ato de beber cinco ou mais doses de álcool em um curto período) é um disparador consistente de fibrilação atrial. “Uma das descobertas mais marcantes foi a consistência com que a exposição excessiva ao álcool desencadeou arritmias em diversas populações”, destaca o cardiologista e autor correspondente do artigo, Jhiamluka Zservando Solano Velasquez, que é pesquisador na Universidade de Oxford, na Inglaterra. “Mesmo em jovens saudáveis, a ingestão aguda de álcool produziu alterações no sistema nervoso autônomo, que controla o coração, além de oscilação do intervalo entre os batimentos, aumento da frequência cardíaca e batimentos prematuros”, diz Velasquez, em entrevista à Agência Einstein. Apesar de provocar tantas reações prejudiciais e aumentar o risco de complicações graves, como acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca, a síndrome do coração festeiro ainda é subestimada. Isso se deve, em parte, porque a arritmia tende a melhorar espontaneamente em até 48 horas, sem a exigência de grandes cuidados hospitalares. Muitas vezes, basta se hidratar bem e observar a evolução dos sintomas. Só que a falta de uma investigação para identificar se a arritmia já existia ou se foi apenas um episódio decorrente da intoxicação alcoólica não elimina o risco de reincidência da fibrilação atrial. Isso é particularmente importante em um contexto de alta prevalência global do consumo abusivo do álcool, como o que se vive atualmente. Segundo a 3ª edição do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), publicada em setembro pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a média de consumo de bebidas alcoólicas pelos brasileiros foi de 5,3 doses por ocasião. Além disso, verificou-se que aproximadamente 24 milhões de pessoas no país relataram beber exageradamente em 2024, o que equivale a 14,2% da população adulta ou um em cada sete indivíduos. Beber com moderação Os riscos do álcool ao coração não se aplicam apenas a quem bebe além da conta. “As evidências atuais não nos permitem definir um nível universalmente ‘seguro’ de álcool para a prevenção da fibrilação atrial, especialmente para aqueles que já são mais vulneráveis a problemas cardíacos”, avalia Velasquez. Vale lembrar, inclusive, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não estabelece limite seguro de álcool até mesmo para pessoas sem qualquer condição de saúde. A ocorrência de arritmias é mais comum entre indivíduos com mais de 60 anos. Também está mais propenso a desenvolver o problema quem tem histórico de doença cardiovascular, como cardiomegalia (coração grande), infarto, pressão alta e aterosclerose. Quem já sofreu fibrilação atrial pode voltar a apresentar episódios de palpitação a qualquer momento, não só quando há exagero alcoólico. É importante consultar um cardiologista para investigar o quadro e tratá-lo preventivamente. “Neste final de ano, o equilíbrio precisa ser a palavra-chave. Se a pessoa gosta de beber para celebrar, ela pode fazer isso durante as festas, desde que evite o exagero”, pontua o médico do Einstein. “Além de ficar atento à quantidade de bebida, deve-se tomar o cuidado de espaçar uma dose da outra para dar tempo do corpo metabolizar a substância, manter a hidratação, fazer refeições leves e ter boas noites de sono.” Este artigo foi publicado originalmente pela Agência Einstein.
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January 1, 2026 at 10:42 PM
Tatuagens, toxinas e o sistema imune: o que você precisa saber antes de fazer uma
De desenhos minimalistas no pulso a “mangas” completas nos braços, a arte corporal tornou-se tão comum que mal chama mais atenção. Mas embora o significado pessoal de uma tatuagem possa ser óbvio, as consequências biológicas são muito menos visíveis. Uma vez que a tinta da tatuagem entra no corpo, ela não fica no lugar. Sob a pele, os pigmentos da tatuagem interagem com o sistema imune de maneiras que os cientistas estão apenas começando a entender. As tatuagens são geralmente consideradas seguras, mas um crescente corpo de evidências científicas sugere que as tintas das tatuagens não são biologicamente inertes. A questão principal não é mais se as tatuagens introduzem substâncias estranhas no corpo, mas quão tóxicas essas substâncias podem ser e o que isso significa para a saúde a longo prazo. As tintas de tatuagem são misturas químicas complexas. Elas contêm pigmentos que dão cor, veículos líquidos que ajudam a distribuir a tinta, conservantes para impedir o crescimento microbiano e pequenas quantidades de impurezas. Muitos pigmentos atualmente em uso foram originalmente desenvolvidos para aplicações industriais, como tintas automotivas, plásticos e toner de impressora, e não para injeção na pele humana. Algumas tintas contêm traços de metais pesados, incluindo níquel, cromo, cobalto e, ocasionalmente, chumbo. Metais pesados podem ser tóxicos em certos níveis e são bem conhecidos por desencadear reações alérgicas e sensibilidade imune. As tintas para tatuagem também podem conter compostos orgânicos, incluindo corantes azóicos e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. Os corantes azóicos são corantes sintéticos amplamente utilizados em têxteis e plásticos. Sob certas condições, como exposição prolongada à luz solar ou durante a remoção de tatuagens a laser, eles podem se decompor em aminas aromáticas. Essas substâncias químicas têm sido associadas ao câncer e a danos genéticos em estudos de laboratório. Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, frequentemente abreviados para PAHs, são produzidos durante a queima incompleta de material orgânico e encontrados na fuligem, nos gases de escape dos veículos e nos alimentos carbonizados. As tintas pretas para tatuagem, geralmente feitas de negro de fumo, podem conter esses compostos, alguns dos quais são classificados como cancerígenos. Tintas coloridas, particularmente vermelhas, amarelas e laranjas, são mais frequentemente associadas a reações alérgicas e inflamação crônica. Isso se deve, em parte, aos sais metálicos e pigmentos azóicos que podem se degradar em aminas aromáticas potencialmente tóxicas. A tatuagem envolve a injeção de tinta profundamente na derme, a camada da pele abaixo da superfície. O corpo reconhece as partículas de pigmento como material estranho. As células imunes tentam removê-las, mas as partículas são muito grandes para serem totalmente eliminadas. Em vez disso, elas ficam presas dentro das células da pele, o que torna as tatuagens permanentes. Mas a tinta da tatuagem não fica confinada à pele. Estudos mostram que as partículas de pigmento podem migrar através do sistema linfático e se acumular nos gânglios linfáticos. Os gânglios linfáticos são pequenas estruturas que filtram as células imunes e ajudam a coordenar as respostas imunes. Os efeitos a longo prazo da acumulação de tinta nestes tecidos para a saúde ainda não são claros, mas o seu papel central na defesa imune suscita preocupações quanto à exposição prolongada a metais e toxinas orgânicas. Tatuagens e o sistema imune Um estudo recente sugere que os pigmentos comumente usados em tatuagens podem influenciar a atividade imune, desencadear inflamações e reduzir a eficácia de certas vacinas. Os pesquisadores descobriram que a tinta da tatuagem é absorvida pelas células imunes da pele. Quando essas células morrem, elas liberam sinais que mantêm o sistema imune ativado, levando à inflamação nos gânglios linfáticos próximos por até dois meses. O estudo também descobriu que a tinta de tatuagem presente no local da injeção de vacinas alterou as respostas imunes de maneira específica às vacinas. Notavelmente, isso foi associado a uma resposta imune reduzida à vacina contra a Covid-19. Isso não significa que as tatuagens tornam as vacinas inseguras. Em vez disso, sugere que os pigmentos de tatuagem podem interferir na sinalização imune, o sistema de comunicação química que as células imunes usam para coordenar as respostas à infecção ou vacinação, sob certas condições. Atualmente, não há evidências epidemiológicas sólidas que relacionem tatuagens ao câncer em humanos. Mas estudos em laboratório e em animais sugerem riscos potenciais. Certos pigmentos de tatuagem podem se degradar com o tempo, ou quando expostos à luz ultravioleta ou à remoção de tatuagem a laser, formando subprodutos tóxicos e às vezes cancerígenos. Muitos tipos de câncer levam décadas para se desenvolver, tornando esses riscos difíceis de estudar diretamente, especialmente considerando o quão recente é a disseminação das tatuagens. Os riscos à saúde mais bem documentados das tatuagens são reações alérgicas e inflamatórias. A tinta vermelha está particularmente associada a coceira persistente, inchaço e granulomas. Granulomas são pequenos nódulos inflamatórios que se formam quando o sistema imune tenta isolar materiais que não consegue remover. Essas reações podem aparecer meses ou anos após a aplicação da tatuagem e podem ser desencadeadas pela exposição ao Sol ou por alterações na função imune. A inflamação crônica tem sido associada a danos nos tecidos e aumento do risco de doenças. Para pessoas com doenças autoimunes ou sistema imune enfraquecido, as tatuagens podem representar preocupações adicionais. Riscos de infecção Como qualquer procedimento que perfura a pele, a tatuagem acarreta algum risco de infecção. A falta de higiene pode levar a infecções por bactérias como Staphylococcus aureus, os vírus da hepatite B e C e, em casos raros, infecções micobacterianas atípicas. Um dos maiores desafios na avaliação da toxicidade das tatuagens é a falta de regulamentação consistente. Em muitos países, as tintas para tatuagem são regulamentadas de forma muito menos rigorosa do que os cosméticos ou produtos médicos, e os fabricantes não são obrigados a divulgar a lista completa de ingredientes. A União Europeia introduziu limites mais rigorosos para substâncias perigosas nas tintas de tatuagem, mas, globalmente, a fiscalização continua desigual. Para a maioria das pessoas, as tatuagens não causam problemas graves de saúde, mas elas não são isentas de riscos. As tatuagens introduzem no corpo substâncias que nunca foram concebidas para permanecerem a longo prazo nos tecidos humanos, algumas das quais podem ser tóxicas em determinadas condições. A principal preocupação é a exposição cumulativa. À medida que as tatuagens se tornam maiores, mais numerosas e mais coloridas, a carga química total aumenta. Combinada com a exposição ao Sol, o envelhecimento, as alterações imunes ou a remoção a laser, essa carga pode ter consequências que a ciência ainda não descobriu. As tatuagens continuam sendo uma forma poderosa de autoexpressão, mas também representam uma exposição a produtos químicos ao longo da vida. Embora as evidências atuais não sugiram um perigo generalizado, pesquisas crescentes destacam questões importantes ainda sem resposta sobre toxicidade, efeitos imunes e saúde a longo prazo. À medida que as tatuagens continuam a se tornar mais populares em todo o mundo, os argumentos a favor de uma melhor regulamentação, transparência e investigação científica sustentada tornam-se cada vez mais difíceis de ignorar. Este artigo foi escrito por Manal Mohammed, pesquisadora de Microbiologia Médica da Universidade de Westminster e publicado no site The Conversation.
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January 1, 2026 at 10:42 PM
Binóculo profissional: 6 itens para mais clareza e riqueza de detalhes
O binóculo é ideal para quem busca mais clareza e riqueza de detalhes em observações de longa distância. Com lentes de alta qualidade e configurações que tornam a ampliação mais precisa, ele permite enxergar objetos, paisagens e seres vivos distantes com mais nitidez e definição. Assim, ele é uma ferramenta indispensável em atividades como observação da natureza, esportes, passeios e até em eventos. Além disso, modelos profissionais apresentam resistência a impactos e proteção contra poeira e água, garantindo durabilidade e segurança durante o uso. Pensando nisso, elaboramos uma lista com seis opções de binóculo profissional para melhorar sua experiência visual nas mais diversas situações. O primeiro item da lista é o binóculo Lelong LE-2050, que encontra-se disponível, na Amazon, a partir de R$ 79. Este produto entrega visão ampliada e nítida, mesmo sendo compacto. De outro modo, o binóculo Sakura Original, indicado para profissionais que precisam de precisão e imagem de alta qualidade, requer um investimento maior. O objeto pode ser encontrado, no Mercado Livre, a partir de R$ 450. Vale lembrar que os preços citados no texto foram verificados durante a apuração da matéria, no mês de dezembro de 2025. A seguir, veja a lista. 🔎 Como câmeras escondidas estão captando imagens raras de tigres ameaçados Seja para observar a natureza ou assistir a esportes in loco, binóculos profissionais são essenciais para a experiência do observador. Reprodução/Canva 📲 Receba ofertas e cupons direto no seu celular com o nosso canal do WhatsApp 1. Binóculo Lelong LE-2050 8x21 - a partir de R$ 79 Compacto e leve, o binóculo da Lelong é ideal para quem precisa de uma ferramenta prática para observar detalhes com mais precisão em diferentes ambientes, como em passeios ou eventos esportivos. Apesar do tamanho reduzido, o modelo oferece amplificação que ajuda a identificar objetos com maior clareza. O design menor facilita no transporte e manuseio, fazendo com que seja indicado para iniciantes e usuários que buscam conforto e praticidade em meio às atividades ao ar livre. O binóculo da Lelong está disponível a partir de R$ 79, na Amazon, obtendo nota 4,5 de 5 estrelas como avaliação. Tratando-se de um modelo compacto, o dispositivo cabe na palma da mão, fazendo dele, uma alternativa para os que desejam precisão e mais espaço na mochila ou bolsa. Por isso, é elogiado entre os usuários, que destacam a eficiência, principalmente para crianças e iniciantes, leveza, praticidade, custo-benefício e bom alcance. No entanto, outros clientes dizem que a entrega da varejista é um ponto negativo, já que alguns receberam o produto com atraso. Prós: eficiência; praticidade; custo-benefício; bom alcance Contras: produto pode chegar com atraso 2. Binóculo Lelong LE-2052 20x50 - a partir de R$ 124 Oferecendo ampliação exata e lentes que garantem nitidez, este segundo binóculo da Lelong, modelo LE-2052, combina desempenho e praticidade em um único objeto. Ideal para a observação de paisagens e da fauna, o aparelho conta com ajuste de foco e corpo resistente, oferecendo para usuários intermediários mais precisão e potência durante o uso. Ele explora os detalhes, entregando equilíbrio óptico e conforto diante do uso diário ou até mesmo esporádico. Este produto pode ser encontrado a partir de R$ 124, na Amazon, onde é avaliado com nota 4,6 de 5 estrelas. No site, compradores evidenciam a durabilidade do material, ampliação e imagem nítida. Por ser um modelo mais simples, ele é considerado uma união entre o dispositivo profissional e o custo-benefício. Porém, há quem critique a imprecisão do modelo, devolvendo-o para a plataforma. Também há relatos de que a qualidade das lentes não é a ideal para a atividade. Prós: durabilidade; ampliação e imagem nítidas; custo-benefício Contras: qualidade das lentes pode deixar a desejar; modelo pode ser impreciso 3. Binóculo iBoa A1093 20x50 - a partir de R$ 169 Com ampliação robusta e ajuste preciso de foco, o modelo A1093 é uma ótima alternativa para observar a natureza e esportes que necessitam de alta definição de imagem. Suas lentes de qualidade proporcionam clareza e detalhes ricos, enquanto o corpo resistente garante durabilidade em diferentes condições externas. Ele é recomendado para entusiastas e iniciantes avançados que desejam explorar cenários e objetos distantes com mais precisão, sem comprometer o conforto no manuseio. O item encontra-se à venda, na Amazon, a partir de R$ 169, recebendo nota 4,4 de 5 estrelas como forma de avaliação. Com ampliação refinada e ajuste de foco, os usuários recomendam o aparelho, na plataforma, principalmente para crianças e entusiastas que querem observar a natureza com precisão. Também há elogios quanto ao fato do produto cumprir com o prometido, entregando qualidade. Contudo, há quem diga que algumas das entregas estavam danificadas ou vieram com itens em falta, como lanterna e bússola. Prós: ampliação robusta; ajuste de foco; lentes de qualidade Contras: produto pode ser entregue danificado; falta de itens 4. Binóculo Greika BI-10x50GR - a partir de R$ 308 O design ergonômico do binóculo Greika BI-10x50GR proporciona conforto durante o uso prolongado, fazendo dele uma alternativa para entusiastas e profissionais que desejam um acessório de alta qualidade. As lentes oferecem excelente nitidez e contraste, além de imagens fiéis e bem definidas, combinando potência, durabilidade e praticidade. Assim é uma opção para quem busca uma experiência de observação precisa e mais profissional. Este binóculo está à venda, na Amazon, a partir de R$ 308, tendo nota 4,0 de 5 estrelas como meio de avaliação. No espaço para comentários, os usuários enaltecem o alcance, assim como o resultado oferecido pelo aparelho. Por outro lado, outros clientes frisam que o binóculo não serve para observar o céu à noite. Além disso, relatam que o aparelho pode ser pesado demais para uso contínuo. Prós: bom alcance; resultado satisfatório Contras: o binóculo não é indicado para observação do céu à noite; item pode ser pesado 5. Binóculo Nautika Tucano 8x40 - a partir de R$ 390 Pensado especialmente para quem deseja observar a natureza com qualidade e precisão, o binóculo da Nautika modelo Tucano é o aliado certo, entregando alta definição em atividades ao ar livre como trilhas, turismo e passeio. As lentes oferecem imagens claras, cores naturais e contraste consistente, mesmo em ambientes com iluminação variada. Seu corpo resistente e ergonômico permite o uso prolongado, sem cansaço. O equipamento é durável, capturando detalhes do ambiente. No Mercado Livre, o modelo da Nautika está sendo vendido, a partir de R$ 390, com avaliação média em 4,5 de 5 estrelas disponíveis. Na seção para comentários da loja, os usuários destacam, principalmente, a qualidade do material, o custo-benefício e o resultado visual. Entretanto, há críticas quanto ao zoom, considerado abaixo do esperado. Prós: material de qualidade; custo-benefício; resultado visual Contras: qualidade do zoom pode ser abaixo do esperado 6. Binóculo Sakura Original 20x180x100 - a partir de R$ 450 O Binóculo Sakura Original é ideal para observadores avançados e profissionais que necessitam de alta ampliação para visualizar, à longa distância, paisagens, fauna ou eventos especiais. As lentes de alta definição proporcionam nitidez, contraste aprimorado e cores fiéis, enquanto a construção robusta garante durabilidade e resistência. Este produto foi pensado para quem busca desempenho máximo em observação de longo alcance, combinando potência óptica, precisão e confiabilidade em um único equipamento. Este modelo encontra-se disponível a partir de R$ 450, na Amazon, onde ganha nota 4,8 de 5 estrelas como avaliação. No site, os usuários destacam a potência e a nitidez do binóculo, usado em ambientes abertos. Em contrapartida, compradores criticam negativamente o aparelho, relatando que o zoom não chega na distância garantida pela marca, além do produto ter sido entregue com peças em falta. Prós: potência; nitidez; imagem de alta qualidade em diferentes distâncias Contras: o zoom pode não ser suficiente; produto pode ser entregue com peças em falta Com informações de Amazon, Greika, Mercado Livre e Nautika Nota de transparência: a Galileu mantém uma parceria comercial com lojas parceiras. Ao clicar no link da varejista, a Galileu pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação. Os preços mencionados podem sofrer variação e a disponibilidade dos produtos está sujeita aos estoques. Os valores indicados no texto são referentes a novembro de 2025.
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January 1, 2026 at 10:42 PM
Meteoros, “Super-Lua” e Júpiter em destaque: o calendário astronômico de janeiro
Janeiro traz consigo boas oportunidades de olhar para o céu, com destaque para as brilhantes constelações de verão como Orion e Cão Maior. Esta também é a melhor época do ano para tentar avistar as Nuvens de Magalhães, galáxias satélites da Via Láctea, mas para isso é necessário estar em um local sem poluição luminosa. Veja abaixo os principais destaques astronômicos do primeiro mês do ano. 3 - Meteoros ao norte A primeira chuva de meteoros do ano leva o nome de uma constelação extinta: Quadrans Muralis, proposta pelo francês Jerôme Lalande no século 17. Para observar os Quadrantídeos, olhe para o norte, na direção da estrela Arcturus, nas primeiras horas do sábado (3). 3 - Super Ano Novo A primeira Lua Cheia do ano acontece poucas horas antes da sua passagem pelo perigeu, quando sua distância à Terra é menor. Teremos portanto uma “Super-Lua”, ligeiramente maior e mais brilhante que uma Lua Cheia comum. A próxima será em novembro deste ano. 3 - A estrela mais próxima O Sol está a uma distância média de 150 milhões de km da Terra, mas como nossa órbita é elíptica, essa distância varia um pouco ao longo do ano. Às 14:15 atingiremos o periélio, o ponto mais próximo dessa trajetória. Mas não pense que o calorão é por causa disso: no hemisfério norte é o auge do inverno. 10 - Hora de Júpiter Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, atinge sua oposição nesse dia. O planeta fica mais brilhante e visível durante toda a noite, na constelação de Gêmeos. É a melhor época do ano para observar o gigante gasoso. Um pequeno telescópio poderá mostrar suas quatro maiores luas.
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January 1, 2026 at 10:42 PM
O que fazer se você não conseguir cumprir as resoluções de ano novo
Todos os anos, muitos de nós anunciamos corajosamente nossas resoluções para o ano novo. Uma taça de champanhe na véspera de Ano Novo pode aumentar nossa confiança em nossa capacidade de fazer melhor no ano que se inicia e economizar mais, gastar menos, comer melhor, malhar mais ou assistir menos séries. Mas a maioria de nossas resoluções fracassa. Mesmo nas primeiras semanas após a véspera de Ano Novo, a maioria das pessoas desiste delas. No entanto, nem todas as histórias de fracasso são iguais, porque a maneira como você fala sobre o fracasso é importante para sua própria motivação e para a confiança das outras pessoas em sua capacidade de tentar novamente. Então, o que podemos fazer depois de desistirmos de nossa resolução? Anunciamos nossas boas intenções aos amigos e familiares e agora precisamos admitir o fracasso. Pesquisas mostram que a maneira como você expressa sua resolução fracassada pode afetar a forma como as pessoas a veem. E compreender as razões pelas quais a maioria das resoluções não dá certo pode nos ajudar a levá-las adiante no futuro. Na verdade, você pode falar sobre suas resoluções de uma forma que torne seu fracasso mais compreensível e mantenha sua motivação para continuar tentando. Uma maneira construtiva de discutir sua resolução fracassada é se concentrar na controlabilidade do fracasso. Pesquisas mostram que a maioria das resoluções exige algum investimento de tempo e dinheiro. Por exemplo, entrar em forma leva tempo para se exercitar e normalmente também requer dinheiro para uma academia ou para equipamentos de ginástica. Como esses dois recursos são essenciais para alcançar nossos objetivos, muitas resoluções fracassadas se devem à falta de tempo ou dinheiro, ou ambos. Ao falar sobre uma resolução fracassada no passado, mostrei em minha própria pesquisa que devemos nos concentrar em como a falta de dinheiro contribuiu para esse fracasso, em vez da falta de tempo. No meu estudo de 2024, as pessoas leram sobre participantes fictícios e reais de um painel que fracassaram devido à falta de dinheiro ou de tempo. A maioria dos participantes achou que a pessoa cujo fracasso foi causado pela falta de dinheiro conseguiria ter mais autocontrole no futuro e seria mais confiante na busca de seus objetivos. Esse efeito ocorreu porque a falta de dinheiro é vista como algo que não pode ser controlado facilmente, então, se isso causou o fracasso, não havia muito que a pessoa que fracassou pudesse ter feito a respeito. Nesta pesquisa, a maioria das resoluções fracassadas estava relacionada à perda de peso, alimentação mais saudável ou exercícios na academia. Os participantes sentiram o mesmo, independentemente de a pessoa que fracassou ser homem ou mulher, provavelmente porque é plausível que todos precisem de algum tempo e dinheiro para perseguir vários objetivos, independentemente do gênero ou da resolução específica. O papel da controlabilidade assume uma forma diferente quando se trata de pensar em como podemos fazer melhor da próxima vez. O papel do tempo Pesquisas também mostram que a maneira como vemos o tempo é importante quando se trata de fracasso. No que diz respeito ao passado, é melhor pensar em coisas fora do nosso controle que possam ajudar a eliminar a negatividade do fracasso e reforçar a crença de que podemos fazer melhor. Isso pode significar, por exemplo, considerar como nosso fracasso foi devido à falta de dinheiro ou outros recursos fora do nosso controle. Para o futuro, no entanto, adote uma perspectiva ativa em relação ao tempo. Analise sua agenda e tome decisões ativas sobre como alocar tempo para perseguir seus objetivos, agendando sessões na academia ou reservando tempo para preparar refeições saudáveis. Isso pode nos ajudar a ter motivação para tentar novamente, pois não somos vítimas de nossas agendas lotadas. Um estudo publicado em outubro de 2025, que se concentrou em como a falta de tempo contribuiu para os fracassos, mostrou que as pessoas podem recuperar a sensação de controle de sua vida ao falar sobre “criar tempo”, em vez de “ter tempo”. As pessoas que discutiram seus fracassos como uma questão de não terem criado tempo sentiram que poderiam fazer as coisas de maneira diferente no futuro e ficaram mais motivadas para isso. Isso porque “criar tempo” sugere um controle ativo sobre o tempo e a agenda de cada um, em vez de “ter tempo”, que nos deixa passivos. Por exemplo, se você diz que não criou tempo para se exercitar, isso significa que você pode criar tempo no futuro, se decidir fazê-lo. Por outro lado, se você diz que não teve tempo para se exercitar, parece que essa falta de tempo está fora do seu controle e pode acontecer novamente, impedindo-o de perseguir seus objetivos de exercício físico. Encontre a alegria Outra razão pela qual tantas pessoas têm dificuldade em manter suas resoluções de ano novo pode ser porque elas foram muito ambiciosas ou negligenciaram que é a alegria e o prazer que nos mantêm motivados. Não precisamos apenas ter um objetivo em mente. Encontrar alegria na jornada e acreditar na capacidade de mudar também é importante. Por exemplo, alguém pode querer entrar em forma e se exercitar mais, mas quando realmente tenta ir à academia, não tem confiança para se inscrever em uma aula. Sem um pouco de diversão, é difícil cumprir uma resolução, mesmo que realmente queiramos alcançar o objetivo. Portanto, tente pensar em maneiras de tornar o objetivo mais agradável de se trabalhar e lembre-se de que você é capaz. A tendência de fazer resoluções de ano novo não é algo ruim em si. Embora possa parecer um pouco paradoxal começar hábitos virtuosos logo após uma grande noite com álcool e excessos alimentares, pesquisas mostram que podemos realmente nos beneficiar do “efeito recomeço”, em que um novo começo no calendário pode proporcionar uma tela em branco para iniciar hábitos melhores. Mas não precisamos esperar que o calendário nos dê um novo começo. Podemos optar por fazer nossa própria resolução (talvez uma resolução de Dia dos Namorados ou Páscoa?) para aumentar a motivação para perseguir nossos objetivos. Este artigo foi escrito por Janina Steinmetz professora de Marketing da Bayes Business School, da Universidade de Londres, e publicado originalmente no site The Conversation.
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January 1, 2026 at 10:42 PM
Vestido com tecido mais escuro já criado é inspirado em pássaro ultra preto
A natureza pode inspirar muito a ciência. A prova disso é que a ave-do-paraíso-de-vitória, uma espécie de pássaro que vive na Austrália e Nova Guiné e é conhecida por sua cor preta intensa, motivou cientistas americanos a criar um vestido fabricado com esse tom ultra escuro. A plumagem preta marcante da ave-fuzil é uma combinação do excesso de melanina com bárbulas (filamentos muito finos que unem as penas umas nas outras) densamente agrupadas. Essas bárbulas desviam a luz para dentro, absorvendo quase todos os raios que chegam. Isso torna a ave extraordinariamente preta, mas apenas quando vista de frente. Dependendo do ângulo, sua plumagem parece brilhante. Veja abaixo. A ave-fuzil, conhecida por sua plumagem preta, é natural de países como Austrália e Nova Guiné Paul Maury/Cornell Lab of Ornithology A cor “ultrapreta” é definida como aquela que reflete menos de 0,5% da luz que recebe. Como destaca comunicado da Universidade Cornell, esse tipo de cor muito escura pode ter uma variedade de usos, incluindo em câmeras, painéis solares e telescópios. E, por que não, também na moda. Primeiro, os pesquisadores do Laboratório de Design de Vestuário Responsivo (RAD), da Faculdade de Ecologia Humana (CHE) de Cornell tingiram um tecido de malha de lã merino branca com polidopamina. Depois, aplicaram um processo de corrosão do material em uma câmara de plasma. Tudo isso tinha o objetivo de criar nanofibrilas – estruturas pontiagudas muito pequenas que funcionam como uma floresta fechada de pequenas agulhas. Essas características foram criadas para imitar a capacidade de absorção de luz encontrada nas penas ultrapretas da ave-fuzil, que absorvem a maior parte da luz que incide sobre elas. “A polidopamina é uma melanina sintética, e a melanina é o que essas criaturas possuem”, disse Larissa Shepherd, professora de Cornell que participou do estudo. “O pássaro-fuzil tem essas estruturas hierárquicas realmente interessantes, as bárbulas, juntamente com a melanina. Então, queríamos combinar esses aspectos em um tecido.” De acordo com os pesquisadores de Cornell, a abordagem deu origem ao tecido mais escuro já criado até hoje, independentemente do ângulo de visão: só 0,13% da luz é refletida. Os planos dos pesquisadores, agora, envolvem usar a técnica em materiais naturais, incluindo lã, seda e algodão. Um artigo que descreve a técnica foi publicado no último dia 26 de novembro na revista científica Nature Communications.
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December 31, 2025 at 7:17 PM
Como microplásticos contaminam plantas e ameaçam a comida que você come
Os microplásticos entram nas plantas pelas raízes e pelas folhas e atrapalham a germinação de sementes e provocam estresse oxidativo. Esses contaminantes reduzem as plantações e ameaçam a saúde global, segundo destaca um estudo que reúne o que a comunidade científica sabe até agora sobre a interação entre microplásticos e plantas. Quando estão no solo, os microplásticos chegam até as plantas por meio das raízes. As partículas na atmosfera também podem ser absorvidas pela planta por meio das folhas. De acordo com a professora e pesquisadora na área de contaminantes ambientais da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso) Danielle Ribeiro-Brasil, existem muitas lacunas para compreender a contaminação das plantas por microplásticos, em parte porque as pesquisas sobre essas partículas têm se concentrado em ambientes aquáticos - em especial, em regiões marinhas. Uma dessas lacunas, por exemplo, diz respeito ao mecanismo de transporte dos microplásticos pelos diferentes órgãos das plantas. “A gente precisa de pesquisadores que estejam com vontade de olhar para o ambiente terrestre, para as frutas, para as plantas. A gente tem o que se chama de cegueira verde. A gente olha a paisagem, se tiver um animal, o destaque é o animal. A gente não olha para as plantas”, reflete Ribeiro-Brasil. Segundo ela, o trabalho feito por pesquisadores da Universidade de Nankai, na China, e publicado em setembro, ajuda a “olhar o todo”, resumindo que já se sabe sobre a interação entre microplásticos e plantas e onde estão as lacunas. Danos nas plantas Partículas minúsculas de plástico podem chegar até a superfície das sementes e atrapalhar a troca de água e oxigênio. Como consequência, há danos para a germinação. Os efeitos tóxicos variam conforme o tamanho da partícula, a concentração e o tipo do polímero usado para fazer o plástico. No caso das sementes, partículas menores podem adentrar ainda mais e interromper o metabolismo e a divisão celular. Os microplásticos também podem levar a planta ao estresse oxidativo, quando há um desequilíbrio entre compostos oxidantes (que podem resultar em radicais livres) e o sistema de defesa antioxidante. “A barreira antioxidante é a primeira barreira de defesa do organismo contra poluentes ambientais, é o que se desequilibra antes de chegar ao desenvolvimento de doenças, por exemplo”, esclarece Ribeiro-Brasil. A contaminação das partículas de MP costuma vir acompanhada do impacto provocado pelos aditivos químicos, compostos que conferem ao polímero certas propriedades, como cor e maleabilidade. Essas substâncias potencializam os efeitos negativos dos MPs nos seres vivos. Os ésteres de ácido ftálico (PAEs), por exemplo, são empregados com frequência na fabricação de polímeros para deixá-los mais flexíveis. Há evidências científicas que sinalizam que o aditivo reduz o crescimento de plantas. Além disso, os corantes — um dos grupos químicos mais diverso e rico em metais pesados — causam estresse oxidativo quando em altas concentrações. Os efeitos da contaminação do microplástico também podem ser potencializados diante de outras substâncias, como metais pesados e antibióticos. Alguns estudos demonstram que partículas pequenas de MPs podem promover a acumulação dessas substâncias nos tecidos de plantas e, assim, aumentar a toxicidade. Consequências A exposição aos microplásticos reduz a produção de culturas básicas, como arroz, trigo e milho, entre 110 e 360 milhões de toneladas métricas por ano. Isso está relacionado a uma queda das clorofilas, pigmento verde que tem papel na fotossíntese. A Ásia, a América do Norte e a Europa tendem a ser as áreas mais afetadas. Os microplásticos presentes nas plantas podem contaminar humanos pela ingestão de alimentos e trazer problemas de saúde. Alguns aditivos químicos, por exemplo, podem influenciar em funções endócrinas, ligando-se a receptores hormonais. Há evidências de que eles podem aumentar, reduzir ou mesmo bloquear a produção de alguns hormônios, prejudicando o funcionamento adequado do organismo.
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December 31, 2025 at 7:17 PM
Jogos de madeira: 6 modelos clássicos para usar estratégia e raciocínio
Jogos de madeira como xadrez, damas e gamão atravessam gerações ao combinar simplicidade, estratégia e interação direta entre os participantes. Diante de tamanha popularidade, tornaram-se uma forma de passar o tempo e se divertir, seja em meio à família ou entre amigos, tornando a experiência mais memorável. Sem restrições quanto à idade, os jogos de tabuleiro funcionam como ferramentas de estímulo cognitivo e social, contribuindo para a manutenção da saúde mental e ajudando a exercitar o cérebro de forma leve e prazerosa. Pensando nisso, preparamos uma lista com seis modelos de jogos de madeira clássicos para você relembrar e jogar. A alternativa mais em conta é o jogo de damas da Aquarela Brinquedos, disponível a partir de R$ 18, na Amazon, indicado para momentos de lazer em passeios e viagens. Já o item mais caro da lista é o jogo de gamão da Mitra, que pode ser encontrado, também na Amazon, a partir de R$ 107, estimulando o raciocínio lógico e a inteligência emocional. Os preços citados no texto foram verificados durante a apuração da matéria, no mês de dezembro de 2025. 🔎 Veja 5 modelos do jogo de tabuleiro War para jogar com família e amigos Jogos clássicos de tabuleiro em madeira podem ser um ótimo passatempo entre amigos e familiares. Divulgação/Pexels (Charlie Solorzano) 📲 Receba ofertas e cupons direto no seu celular com o nosso canal do WhatsApp 1. Jogo de dama Aquarela Brinquedos - a partir de R$ 18 Visto como um jogo clássico de tabuleiro, o jogo de damas da Aquarela Brinquedos ajuda a desenvolver a cognição, a memória e o raciocínio lógico em diferentes idades, sendo indicado desde a infância. Ele contribui para relações sociais positivas, além de ser uma alternativa de diversão para momentos em família. Apesar de parecer simples, o jogo auxilia na convivência social e no desenvolvimento mental, favorecendo a interação direta entre os jogadores e tornando reuniões mais descontraídas e agradáveis. O jogo pode ser encontrado, na Amazon, a partir de R$ 18, contando com nota 4,3 de 5 estrelas como avaliação. Elogiado principalmente pela qualidade do material e pelo custo-benefício, o produto se apresenta como uma opção acessível de lazer, especialmente para uso com crianças. Por outro lado, alguns usuários apontam o processo de entrega como ponto negativo, além de relatarem casos de pedidos enviados incorretamente. Prós: custo-benefício; qualidade do material Contras: entrega pode ser problemática 2. Jogo de xadrez Unyhome - a partir de R$ 40 Desafiando a concentração e o pensamento estratégico, o xadrez é um dos jogos de tabuleiro mais populares da categoria, atravessando gerações e permanecendo em destaque até os dias de hoje. Indicado a partir dos sete anos, o jogo exige planejamento, análise de cenários e paciência, sendo uma opção adequada, tanto para iniciantes, quanto para jogadores mais experientes. O conjunto é composto por uma caixa de boa qualidade que se transforma em tabuleiro, além de 32 peças divididas por cores. Este produto está disponível a partir de R$ 40, no Mercado Livre, onde obtém avaliação com nota 4,5 de 5 estrelas. No espaço para comentários, o produto é elogiado pela praticidade e portabilidade, sendo indicado especialmente para crianças e iniciantes. Entretanto, alguns compradores dizem que as peças são menores do que o informado, o que pode dificultar a jogabilidade. Além disso, há relatos de problemas relacionados à qualidade do material. Prós: praticidade; portabilidade Contras: qualidade do material é considerada baixa; peças podem ser menores do que o esperado 3. Jogo 2 em 1 dama e ludo Junges - a partir de R$ 45 Divertido e versátil, este jogo 2 em 1 da Junges é indicado para reuniões familiares, tardes com crianças, viagens ou demais ocasiões. Contendo os jogos dama e ludo em um único tabuleiro, o produto se adapta a passeios, deslocamentos e noites de jogos, garantindo momentos de distração em meio à rotina corrida. A combinação entre sorte e estratégia mantém o interesse dos jogadores, fortalece vínculos afetivos e promove momentos de descontração que beneficiam tanto a mente quanto o bem-estar emocional. No Mercado Livre, o item da Junges está sendo vendido a partir de R$ 45, onde é avaliado com nota 4,9 de 5 estrelas possíveis. No site, compradores elogiam a capacidade do produto de proporcionar diversão em família, contribuindo para reduzir o tempo das crianças diante das telas, além de destacarem a qualidade do material e a embalagem resistente. Porém, alguns usuários relatam problemas como troca de produtos, itens danificados ou envio com peças faltando, o que compromete a experiência da compra. Prós: qualidade do material; embalagem resistente; pode diminuir o tempo de tela das crianças Contras: problemas com troca; itens danificados; pode haver envio com peças faltando 4. Jogo 3 em 1 xadrez, dama e trilha Junges - a partir de R$ 48 O conjunto da Junges é composto por três opções em um único item, garantindo versatilidade e diversão para diferentes ocasiões. Com xadrez, damas e trilha, o kit é uma alternativa prática para ter por perto, podendo ser utilizado em viagens, passeios e reuniões em família, funcionando como um passatempo dinâmico e envolvente. Cada modalidade oferece benefícios específicos para a mente, como o desenvolvimento do pensamento estratégico no xadrez, o estímulo ao raciocínio lógico nas damas e a tomada de decisões rápidas na trilha. O modelo está à venda a partir de R$ 48, no Mercado Livre, e conta com avaliação em 4,8 de 5 estrelas. Na seção para comentários da loja, o item se destaca entre as avaliações dos usuários, que o elogiam, principalmente, pela qualidade do seu material, custo-benefício e versatilidade. Até a data da publicação desta matéria, não há críticas negativas relacionadas ao produto. Prós: versatilidade; qualidade do material; custo-benefício Contras: não há críticas negativas, até o momento 5. Jogo Jenga Hasbro Gaming - a partir de R$ 62 O jogo Jenga da Hasbro é uma opção versátil para se ter por perto, divertindo grupos de amigos e familiares de forma simples e envolvente. A dinâmica consiste em remover e empilhar blocos de madeira sem derrubar a torre, criando uma experiência que combina habilidade manual, estratégia e suspense. Por contar com regras fáceis de entender, o jogo é facilmente compreendido por diferentes públicos, tornando-se acessível, mesmo para quem não tem o hábito de jogar. Além disso, é indicado para crianças a partir de 6 anos, pode ser jogado por 1 a 8 jogadores, e contém 54 blocos de madeira. Este brinquedo encontra-se disponível a partir de R$ 62, na Amazon, dispondo de avaliação com nota média 4,9 de 5 estrelas. Considerado um clássico entre os usuários, o produto se destaca nos comentários pela qualidade do material, resistência e durabilidade. Em contrapartida, alguns clientes alertam que as peças apresentam variações de tamanho, o que pode deixá-las um pouco frouxas durante a montagem da torre. Prós: resistência; durabilidade; qualidade do material Contras: peças podem apresentar dimensões diferentes, dificultando a montagem da torre 6. Jogo de gamão Gammon Mitra - a partir de R$ 107 Clássico, elegante e envolvente, o Jogo Gammon da Mitra é ideal para quem deseja desacelerar sem abrir mão de manter a mente em movimento. É o tipo de jogo que convida à presença: sentar à mesa, jogar sem pressa e aproveitar a troca com quem está do outro lado do tabuleiro. Indicado para jovens, adultos e idosos, o gamão funciona especialmente bem em encontros entre amigos, noites em casa ou momentos em que o lazer pede mais profundidade do que agitação. Este jogo contém 1 tabuleiro em MDF, 15 peças em madeira clara, 15 peças em madeira preta, 2 dados e 1 manual de instruções. Este modelo da Mitra é encontrado, na Amazon, a partir de R$ 107, recebendo nota 4,6 de 5 estrelas como meio de avaliação. No site, o produto é elogiado pelos usuários por seu tamanho compacto, que facilita no transporte, especialmente em viagens, além da qualidade do material. Até a data da publicação desta matéria, não há avaliações negativas sobre o jogo. Prós: tamanho compacto; qualidade do material Contras: até o momento, não há avaliações negativas sobre o jogo Com informações de Amazon, Aquarela brinquedos, Hasbro Gaming, Junges, Mercado Livre e Mitra Nota de transparência: a Galileu mantém uma parceria comercial com lojas parceiras. Ao clicar no link da varejista, a Galileu pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação. Os preços mencionados podem sofrer variação e a disponibilidade dos produtos está sujeita aos estoques. Os valores indicados no texto são referentes a dezembro de 2025.
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December 31, 2025 at 7:17 PM
Por que os combustíveis ficaram mais eficientes ao longo do tempo?
Este artigo faz parte do projeto "Combustível Consciente", e foi patrocinado pela Ipiranga Carros elétricos, modelos híbridos, aplicativos de transporte... há uma série de conceitos hoje importantes para a mobilidade urbana que “viraram moda” neste século. Porém, existem certas revoluções tecnológicas que também mudaram para sempre o nosso ir e vir, mas que não são tão aparentes. Estamos falando da eficiência energética, ou seja, do modo como os veículos hoje conseguem andar mais (e melhor) sem precisar de um volume maior de gasolina ou diesel. De acordo com dados da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), a eficiência de combustíveis (calculada em "milhas por galão") aumentou 35,4% entre 2002 e 2022, em uma comparação dos veículos lançados nesses anos. Ainda segundo a EPA, se olharmos ainda mais para trás, de 1980 até 2022, o aumento da eficiência foi de 33%. No Brasil, a experiência do motorista hoje é muito diferente de, digamos, 30 anos atrás. “Na década de 90, era frequente enfrentar falhas na partida a frio — especialmente em veículos movidos a álcool — além de engasgos durante o período de aquecimento do motor. Atualmente, tecnologias que eliminam o reservatório de gasolina para partida, aliadas à injeção eletrônica moderna, garantem uma partida imediata e uma marcha lenta estável sob qualquer condição climática”, afirma o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP). “No que diz respeito ao desempenho, o cenário também mudou drasticamente. Nos anos 1990, o uso de combustíveis com baixa octanagem ou sistemas mecânicos, como os carburadores, resultava em perda de potência e maior consumo de combustível. Hoje, os motores são muito mais eficientes, entregando mais potência com um volume menor de combustível, graças à maior massa específica e à octanagem superior das gasolinas modernas”, resume o comunicado. Como tudo isso aconteceu? A resposta é simples: uma boa dose de tecnologia embutida. Veja a seguir os principais fatores que levaram a essa mudança. 1) Carros mais leves, mais aerodinâmicos e com pneus mais rolantes A física explica: um carro mais pesado possui maior inércia, portanto requer mais energia para ser movido. De acordo com um estudo da Universidade de Boston, um carro pesava em média 1,84 tonelada em 1975, ao passo que, em 2021, pesava 1,63 tonelada. Os carros SUV (conhecidos como crossovers) também tiveram leve queda no período: de 1,81 tonelada em 1975 para 1,73 tonelada em 2021. Vale dizer, porém, que a frota total ficou mais pesada no geral porque, mesmo com os carros de passeio ficando mais leves, as picapes, as vans e as caminhonetes SUV registraram aumento de peso e cresceram em número no mesmo período. Atualmente, entre o consumidor urbano, existe uma tendência de transição dos carros leves para esses veículos, algo que não pode ser ignorado ao pensar em estratégias de diminuição de emissões, por exemplo. O principal motivo para essa diminuição de peso é o uso de materiais mais leves, como alumínio, aços de alta resistência, magnésio, titânio e compósitos (fibra de vidro e fibra de carbono, por exemplo). Outra razão para os veículos ficarem mais eficientes é a aerodinâmica: de acordo com pesquisas, o arrasto aerodinâmico é responsável por até 50% da perda total de energia em veículos que viajam a velocidades acima de 80 km/h. Existe uma medida numérica da eficiência aerodinâmica de um veículo, chamada coeficiente de arrasto (Cd), que permite quantificar essa resistência. Na década de 1920, o Cd médio era de 0,8 e, na década de 1960, era de 0,5 (quanto menor o número, melhor o desempenho aerodinâmico). Hoje, os carros de passeio modernos geralmente têm um Cd entre 0,25 e 0,35. Pesquisas mostram que uma redução de 10% no coeficiente de arrasto pode levar a uma melhoria de 5 a 7% na eficiência de combustível, principalmente durante a condução em alta velocidade. Por fim, é preciso falar dos pneus: neste século, as montadoras passaram a adotar mais os chamados pneus verdes, que empregam novos materiais e trazem modificações na estrutura interna e no desenho da banda de rodagem. Esses pneus, apesar de mais caros, têm menor resistência ao rolamento e exigem menos força do motor, podendo contribuir em uma redução de até 4% no consumo de combustível. 2) Injeção eletrônica Durante quase todo o século 20, os motores a gasolina usavam carburador e, no final, injeção no coletor (“port fuel injection”, PFI). Nos dois casos, o combustível era misturado ao ar antes de entrar no cilindro. Isso gerava uma série de problemas, como uma maior suscetibilidade a falhas. Isso mudou com a chegada da injeção eletrônica e da injeção direta de combustível, dois sistemas complementares. A injeção eletrônica é o cérebro: um computador (ECU) que decide quanto, quando e por quanto tempo o combustível é injetado, substituindo os antigos acionadores mecânicos. “No Brasil, a injeção eletrônica foi o pilar fundamental para a modernização e veio acompanhada de um conjunto de evoluções impulsionadas pelo Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores)”, afirma um porta-voz do IBP. O Proconve surgiu em 1986 com o objetivo de fomentar o desenvolvimento tecnológico e diminuir as emissões de poluentes pelos veículos automotores. “O desenvolvimento da injeção eletrônica no Brasil na década de 1980 foi um marco para o setor automotivo, assim como o sistema Flex Fuel, no início dos anos 2000, que permitiu ao motor reconhecer e adaptar-se automaticamente a qualquer mistura de gasolina e etanol. Os veículos ficaram mais robustos devido ao uso de tecnologia eletrônica mais sofisticada, catalisadores mais eficientes e sensores de oxigênio que reduzem poluentes como CO, HC e NOx”, explica o pronunciamento. 3) Injeção direta Se a injeção eletrônica é o cérebro, a injeção direta (GDI) é o músculo. Ou, mais especificamente, a arquitetura de motor onde o combustível é pulverizado direto dentro do cilindro, como já acontecia nos motores a diesel (que não têm vela). Nesse sistema, o ar entra sozinho e a gasolina só entra na hora, na quantidade e no lugar exatos, sem perdas. O maior truque que essa tecnologia permite é a mistura estratificada. Basicamente, o sistema cria uma nuvem rica em combustível só perto da vela, enquanto o resto do cilindro fica quase só com ar. Dessa forma, é necessário muito menos combustível para realizar o mesmo trabalho. De quebra, essa precisão permite que os motores sejam menores. 4) Turbocompressores Os turbocompressores são peças que ventilam ar para os cilindros do motor — ao contrário de um motor comum, onde o ar entra “empurrado” pela pressão atmosférica. Isso proporciona dois benefícios imediatos. Primeiro, mais ar no cilindro permite queimar mais combustível, gerando maior potência. Segundo, os pistões têm menos trabalho a fazer para puxar a mistura ar-combustível para dentro da câmara de combustão. Dessa forma, há mais eficiência no consumo de combustível. Mas a grande vantagem é que, com o auxílio do turbocompressor, é possível ter motores menores (na indústria, isso é chamado de “downsizing”), o que ajuda na eficiência. 5) Eficiência térmica nos motores Existe uma medida chamada eficiência térmica de frenagem (ETF) que mede a fração da energia química do combustível que é convertida em potência mecânica útil no eixo do motor. Quanto maior a ETF, mais eficiente o veículo. Nos carros a gasolina, a ETF média é de cerca de 30–36%. Ela tem melhorado ao longo dos anos: motores de veículos de passeio que, nos anos 1970, ficavam tipicamente na faixa de 20–25%, hoje costumam chegar a mais de 30%. E essa métrica pode ficar ainda melhor no futuro: estudos mostram que a ETF máxima pode alcançar 45% por meio da otimização de técnicas já estabelecidas, e até 50% por meio da integração de diversas tecnologias. Entram nessa lista as trocas gasosas avançadas (por exemplo, os ciclos Atkinson), modos de combustão avançados (como a técnica de combustão em baixa temperatura), gerenciamento térmico e energético avançado (recuperação de calor dos gases de escape), baixo atrito e outros. 6) Controle variável de válvulas Controle variável de válvulas é um sistema que permite ajustar o tempo de abertura/fechamento das válvulas conforme a necessidade de operação. O objetivo aqui é eficiência: para obter o máximo aproveitamento do motor, as válvulas devem abrir e fechar dependendo das rotações por minuto em que ele está girando, e isso só é possível com uma distribuição variável. 7) Tecnologia de start-stop Em muitas situações, o carro fica parado com o motor ligado: semáforos, engarrafamentos, filas de drive-thru, etc. Isso, obviamente, acaba favorecendo o desperdício de combustível. É por isso que o start-stop é comum em praticamente todos os carros novos atualmente. Essa tecnologia desliga o motor quando o veículo está parado, religando-o imediatamente quando o motorista aciona a embreagem para voltar a dirigir. Pesquisas indicam que isso melhora a economia de combustível entre 5% e 7%. 8) Aumento do uso de biocombustíveis, como o etanol Em busca de melhorar as emissões de gases poluentes e de efeito estufa geradas pelo transporte, vários países estabeleceram normas que exigem a mistura de etanol com a gasolina e biodiesel com o diesel. No Brasil, por exemplo, a gasolina precisa conter de 22% a 27% de etanol anidro obrigatório — número que pode crescer para 30% em breve. Uma das vantagens do etanol é que ele aumenta a octanagem da mistura. “As propriedades físicas do etanol proporcionam benefícios importantes quando adicionado à gasolina. O etanol possui tanto uma octanagem mais alta quanto um calor de vaporização mais elevado do que a gasolina comum”, afirma este artigo científico. E no diesel? “A crescente mistura de biodiesel ao diesel fóssil, atualmente, em 15%, demandou mudanças composicionais nesse biocombustível, entre as quais se destacam a redução dos monoglicerídeos (um dos principais contaminantes) para o percentual máximo de 0,50, a redução do teor de água para o máximo de 200 mg/kg e o aumento da estabilidade à oxidação a 110 °C para 13 horas”, conta o IBP. 9) Refinamento químico cada vez mais preciso dos combustíveis Ao longo das últimas décadas, gasolina e diesel passaram por uma limpeza química profunda e uma reformulação estrutural, o que contribuiu muito para o aumento na eficiência. Foram reduzidos compostos como enxofre, olefinas reativas, metais e certos aromáticos (como benzeno) — todos eles interferem na chama e promovem reações que “roubam” energia da combustão principal. Para completar, sua diminuição também faz com que o carro emita menos gases poluentes. Ao mesmo tempo, aumentou nos combustíveis a parcela de hidrocarbonetos “bons”, como as isoparafinas e os alcanos ramificados. Esses compostos evaporam de forma mais uniforme e liberam mais energia útil por ciclo de combustão. Segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), as mudanças tanto nos veículos a diesel como nos veículos gasolina foi bastante profunda. “No Ciclo Diesel, a introdução do Diesel S10, com máximo de 10 mg/kg de enxofre, em substituição ao S500, foi crucial para proteger os sistemas de pós-tratamento de gases, como filtros de partículas e catalisadores, permitindo que motores modernos operem com menores emissões de material particulado e óxidos de nitrogênio NOx”, explica a instituição, em comunicado. “No Ciclo Otto, a gasolina teve aumento da octanagem, elevando o RON para o mínimo de 94 e a massa específica da gasolina A para 688,9 kg/m³ a 20 °C, além da redução do teor de enxofre para até 50 mg/kg, considerado ultrabaixo”. Segundo o IBP, há inúmeros benefícios para a sociedade. “Esses avanços vêm ao encontro das novas tecnologias de motores, permitem que operem com maior taxa de compressão, melhor desempenho sem danos mecânicos e maior preservação da eficiência dos catalisadores, diminuindo significativamente a emissão de poluentes”, resume.
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December 31, 2025 at 7:17 PM
Por que falar ao volante atrasa visão e aumenta risco de acidentes, segundo estudo
Embora seja reconhecido que falar enquanto dirige pode ser perigoso, cientistas ainda não sabiam ao certo até que ponto a conversa interfere no processamento visual. Pesquisas anteriores mostraram que distrações cognitivas podem retardar a frenagem ou reduzir a percepção situacional, mas até agora não se sabia se falar ao volante interrompe os movimentos oculares que antecedem as reações físicas. Um estudo recente da Universidade de Saúde Fujita, publicado na revista PLOS ONE, trouxe novas evidências sobre o tema. A pesquisa demonstrou que falar impõe uma carga cognitiva suficiente para atrasar respostas oculares essenciais, comprometendo a avaliação visual rápida necessária para dirigir com segurança. “Investigamos se a carga cognitiva da fala afeta movimentos oculares dependendo da direção para onde o motorista olha”, explicou Shintaro Uehara, líder por trás da pesquisa, em comunicado. Tudo isso devido à importância do comportamento do olhar frente ao volante, uma vez que 90% das informações utilizadas para se dirigir são adquiridas de maneira visual. Testando a distração No estudo, 30 adultos saudáveis realizaram movimentos oculares rápidos em três situações: falando, ouvindo e um grupo sem tarefa. Durante a condição de fala, os participantes respondiam perguntas de conhecimento geral e episódicas, enquanto na condição de audição apenas ouviam trechos de um romance japonês. Após três dias de trocas intercaladas entre os grupos, os pesquisadores chegaram aos resultados. Falar atrasou consistentemente três etapas do olhar: o tempo de reação, o tempo de movimento e o tempo de ajuste. Esses atrasos não apareceram nas condições de audição ou controle, indicando que é o esforço de falar, e não apenas ouvir, que prejudica o comportamento ocular. Sozinhos, os atrasos parecem mínimos. Mas, no trânsito, eles podem se somar, tornando a detecção de perigos mais lenta e retardando respostas físicas. Até mesmo as conversas no viva-voz podem interferir nos processos neurais que iniciam e guiam os movimentos dos olhos. Para motoristas que precisam monitorar constantemente pedestres, objetos e mudanças na estrada, isso representa um risco que pode ser fatal. Os pesquisadores ressaltam que falar não é a única causa de lentidão ao volante. Fatores como atenção dividida e multitarefas também são influenciadoras e igualmente problemáticas. Ainda assim, o estudo evidencia que a fala prejudica o processamento visual desde o estágio inicial, antes de qualquer tomada de decisão ou ação. “Esses resultados indicam que as demandas cognitivas associadas à fala interferem nos mecanismos neurais responsáveis ​​por iniciar e controlar os movimentos oculares, que representam o primeiro estágio crítico do processamento visomotor durante a direção”, observou Uehara.
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December 31, 2025 at 2:03 PM
Equipe interrompe uma das provas de remo mais difíceis do mundo para salvar tartaruga; vídeo
Uma equipe britânica de remo participava de um desafiador teste de resistência no Oceano Atlântico quando se deparou com uma cena comovente que os levou a interromper imediatamente a prova. John Hammond, Stacey Rivers e Emma Wolstenholme avistaram uma grande tartaruga marinha presa em uma rede de pesca e, com rapidez e cuidado, conseguiram libertá-la antes de retomar a jornada. Integrantes da equipe Call to Earth, de Hampshire, os atletas afirmam que estavam a cerca de 1,4 mil km de sua travessia do Atlântico quando se depararam com a tartaruga presa em detritos marinhos. O vídeo abaixo, postado pela organização da prova em 29 de dezembro no Facebook, mostra o animal sendo liberto. Confira: Initial plugin text a Segundo a rede britânica BBC, a competição é conhecida como World's Toughest Row ("Remada mais difícil do mundo") e consiste em uma travessia de mais de 4,8 mil km pelo Oceano Atlântico, realizada sem qualquer apoio externo. De acordo com uma publicação da equipe no Instagram, o grupo uniu esforços para resgatar a tartaruga. "Johno a agarrou, Emma pegou uma faca e Stacey começou a cortá-la", relata a postagem. "Emma conseguiu então registrar o momento em vídeo". Além do desafio esportivo, o grupo de remo está aproveitando o evento para arrecadar fundos em parceria com organizações dedicadas ao combate à poluição marinha e à proteção dos ecossistemas oceânicos. "Estamos remando pelo Atlântico em apoio à Blue Marine Foundation e à The Ocean Cleanup, para proteger os oceanos que nos sustentam", acrescenta a publicação. "Isso é mais do que uma corrida, é um lembrete de que o oceano precisa de nós".
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December 31, 2025 at 11:16 AM
Como a “faxina de fim de ano” pode beneficiar sua saúde mental
À medida que o ano se aproxima do fim, muita gente sente necessidade de arrumar a casa, armários e gavetas, e se desfazer daquilo que já não serve mais. Embora isso pareça apenas uma tarefa prática, a “faxina de fim de ano” carrega um componente simbólico importante para a saúde mental: ela funciona como um gesto de encerramento de ciclo. “O fim do ano funciona como um marcador temporal simbólico. Nós temos a tendência de organizar nossa vida em ciclos. Assim, quando um ciclo se encerra, como um ano, existe uma tendência a revisar, ajustar e ‘preparar terreno’ para o próximo”, explica a psicóloga Ana Lúcia Karasin, do Espaço Einstein Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita. Colocar a “mão na massa” acaba sendo uma forma de lidar com as emoções acumuladas ao longo do ano que passou. “Ao organizar o ambiente, pode haver uma reorganização do nosso mundo interno, encerrando pendências, elaborando experiências e ressignificando momentos vividos”, diz Karasin. Esse processo também envolve a prática do desapego. Passar adiante roupas que não servem mais, papéis que perderam a função ou objetos que já não representam nada é mais do que liberar espaço no armário: é abrir espaço emocional. “Pode parecer um gesto simbólico, mas ele tem um enorme poder. Quando a pessoa se desfaz de objetos que não fazem mais sentido, ela libera espaço físico e, simbolicamente, autoriza-se a abrir espaço mental e emocional”, afirma a psicóloga. “Esse tipo de ação funciona como um rito de encerramento de ciclo, ajudando o cérebro a transicionar da lógica do ‘acúmulo’ para a lógica da ‘renovação’.” Impacto na saúde mental Não é à toa que, ao final de um dia de faxina, muita gente relata sentir cansaço físico, mas com a mente mais leve — ambientes organizados contribuem para o bem-estar psicológico. “Eles favorecem uma sensação de previsibilidade e segurança, pilares importantes para a regulação emocional”, diz Karasin. O contrário também é verdadeiro: o caos visual funciona como um ruído constante, um excesso de estímulos que compete pela atenção e aumenta o desgaste mental. “Um ambiente mais limpo e simples reduz a sobrecarga cognitiva e pode favorecer estabilidade”, ressalta a especialista. Outro efeito comum nesse processo é a redução da ansiedade. Embora não seja uma solução definitiva, colocar a casa em ordem ajuda a devolver a percepção de controle. “A ansiedade está ligada a uma sensação de descontrole. Organizar o ambiente devolve à pessoa a percepção de que pode intervir na própria realidade, gerando um efeito calmante e fortalecendo a autoeficácia”, afirma Karasin. Parte dessa busca por renovação no fim do ano se intensifica justamente porque o período carrega um peso coletivo. Para muita gente, significa renovar promessas de mudanças, metas e novas possibilidades. “Culturalmente, marca um recomeço. Aprendemos que ‘no próximo ano tudo pode ser diferente’, e isso cria expectativas positivas de renovação”, observa a psicóloga do Einstein. Mas como manter esse astral ao longo do ano que se inicia? Ana Lúcia Karasin sugere pequenas práticas que ajudam a cultivar organização e bem-estar emocional de forma contínua: ● Criar rituais semanais de arrumação de cinco ou dez minutos; ● Estabelecer metas realistas, em vez de resoluções grandiosas; ● Manter uma rotina de pausas e autorreflexão; ● Revisar periodicamente o que merece permanecer, sejam objetos, hábitos ou até relações. “No fim das contas, a faxina de fim de ano é menos sobre a casa e mais sobre a própria pessoa. Arrumar, limpar e descartar são formas de materializar o desejo de recomeçar. Um gesto simples, mas profundamente simbólico, de se organizar para o que vem pela frente”, conclui a psicóloga. Fonte: Agência Einstein
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December 31, 2025 at 11:16 AM
Calor extremo atrapalha aprendizado de letras e números na infância, diz estudo
Um estudo concluiu que crianças expostas a calor extremo podem ter um desenvolvimento mais lento, em especial, no conhecimento de letras e números. As dificuldades são agravadas para as mais pobres, que vivem em áreas urbanas e não têm acesso a água e a saneamento básico adequado. De acordo com a pesquisa, publicada na revista Journal of Child Psychology and Psychiatry em dezembro, crianças que vivem onde a temperatura média máxima é de 30º C têm entre 14% e 20,8% menos chances de estar com desenvolvimento adequado para idade em comparação com as que vivem em temperaturas máximas de 26 ºC. Em relação ao domínio de letras e números, essa diferença varia entre 5% e 6,7%. Crianças são mais vulneráveis a temperaturas extremas porque seus corpos ainda não conseguem regular calor tão bem quanto os de adultos. O calor excessivo pode causar desidratação, inflamação do cérebro, estresse e problemas para dormir. Há também problemas indiretos causados pelo calor, como perda de plantações, aumento da disseminação de doenças e ambientes externos mais desconfortáveis, fazendo com que as crianças fiquem mais dentro de casa. As conclusões foram possíveis a partir de dados da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e da base de dados de clima ERA5-Land, feita pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo. A análise considerou seis países: Gâmbia, Palestina, Serra Leoa, Madagascar, Malawi e Geórgia. Segundo o artigo, esses países foram escolhidos por serem os únicos com dados das coordenadas geográficas dos domicílios e também de desenvolvimento infantil. A pesquisa incluiu 19,6 mil crianças entre três e quatro anos. Os pesquisadores observaram que a exposição a calor extremo durante a gravidez também é responsável por atraso no desenvolvimento infantil. Os dados indicaram que temperaturas de 34º durante o terceiro trimestre de gestação estão associadas a uma probabilidade de 4,2% menor de que o desenvolvimento da criança esteja adequado para sua idade. Jorge Cuartas, professor do Departamento de Psicologia Aplicada da Universidade de Nova York que assina o artigo, destaca que a exposição ao calor por si só não determina o risco. “O que mais importa é a vulnerabilidade e a capacidade de se adaptar”, diz, em comunicado. “Muitas famílias urbanas, especialmente aquelas que vivem na pobreza, residem em moradias superlotadas, com ventilação inadequada e acesso limitado a resfriamento ou a espaços externos seguros”, comenta. O estudo calcula que crianças em áreas urbanas têm chances entre 21,9% e 26,6% menores de se desenvolverem de forma adequada. Cuartas explica que, em ambientes urbanos, o fenômeno ilhas de calor — provocado pela infraestrutura densa, de asfalto e concreto, e pela escassez de espaços verdes — eleva a temperatura das cidades. Outro subgrupo que sofre de forma desproporcional os efeitos do calor são as crianças sem fontes de água limpa e saneamento básico, que têm 14% menos chance de ter um desenvolvimento adequado. Para a professora Catarina Almeida, da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília), a pesquisa é importante por chamar atenção para os efeitos do clima no desenvolvimento das crianças sem se esquecer de que há desigualdades. Mas é preciso mais estudos que vão além da infância, diz, até porque o cuidado com a infância exige investimento em políticas públicas para outras fases da vida. “A criança é filha de alguém, e o ambiente desse alguém impacta no desenvolvimento dela [criança]”, conclui. Segundo Almeida, o aprendizado de letras e números nos primeiros anos da infância tem impacto no processo de letramento, que acontece alguns depois. Ou seja, as consequências do calor extremo também se estendem para outras fases da vida. A recuperação dessa criança não é impossível, embora envolva mais trabalho. Mas a professora ressalta: “Nós estamos falando de crianças que estão nessa situação e vão permanecer. Eles vão ser adolescentes e adultos passando pela mesma questão”.
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December 31, 2025 at 11:16 AM
8 cidades históricas que podem sumir do mapa devido às mudanças climáticas
Segundo um relatório de outubro da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), cerca de 43% dos sítios antigos listados pela UNESCO — 117 entre 271 — enfrentam ameaça “alta” ou “muito alta” devido às mudanças climáticas. Esse percentual mostra um crescimento em relação a 2020, quando cerca de 33% dos sítios tinham esse nível de risco. O degelo de áreas congeladas, a erosão costeira, as inundações e as secas são alguns dos fenômenos que ameaçam potencialmente milhões de sítios arqueológicos em todo o mundo, segundo lista a UNESCO. A seguir, conheça algumas cidades antigas que estão sendo ameaçadas pela crise climática. 1. Alexandria, Egito A costa de Alexandria sofreu mudanças significativas, com as margens oeste e leste recuando drasticamente entre 1935 e 2022 Essam Heggy e Sara Fouad A histórica cidade de Alexandria, no Egito, muitas vezes chamada de "noiva do Mediterrâneo" por sua beleza, foi fundada por Alexandre Magno em 332 a.C. e era o principal centro cultural do mundo antigo. Sua biblioteca (destruída nos primeiros séculos da era cristã) foi a maior da antiguidade, segundo a Enciclopédia Britannica. Antes raros, os desabamentos de edifícios na cidade aumentaram de aproximadamente um por ano para alarmantes 40 por ano na última década. Essa devastação, segundo um estudo publicado em fevereiro, estaria diretamente ligada à elevação do nível do mar e à intrusão de água salgada. “Durante séculos, as estruturas de Alexandria foram maravilhas da engenharia resiliente, resistindo a terremotos, tempestades, tsunamis e muito mais. Mas agora, a elevação do nível do mar e a intensificação das tempestades — impulsionadas pelas mudanças climáticas — estão desfazendo em décadas o que levou milênios de engenhosidade humana para criar”, comentou em comunicado Sara Fouad, arquiteta paisagista da Universidade Técnica de Munique (TUM), na Alemanha, e primeira autora do estudo. 2. Cartago, Tunísia Termas Antoninas em Cartago Wikimedia Commons A elevação do nível do mar e o aumento da salinidade, somados à erosão provocada pelo vento, estão deteriorando lentamente as ruínas de Cartago, Patrimônio Mundial da UNESCO e antiga metrópole que foi uma das mais imponentes do mundo antigo. As Termas de Antonino — um dos três maiores complexos termais romanos já construídos e o único na África — exibem sinais particularmente claros desse desgaste: a ação do vento carregado de sal corrói as estruturas, e várias colunas precisaram ser isoladas por cordões para evitar danos adicionais. No sítio arqueológico do Porto Púnico, próximo à costa de Cartago, onde operavam navios cartagineses e romanos, partes da antiga ilha portuária já podem ser vistas desabando diretamente no mar. 3. Babilônia, Iraque Vista parcial das ruínas da antiga cidade de Babilônia Wikimedia Commons Reconhecida pela UNESCO, a capital do Império Babilônico, no atual Iraque, sofre com o aumento da concentração de sal, segundo informa o jornal britânico The Guardian. Por lá, a construção de barragens e a má gestão de recursos hídricos e da agricultura tem contribuído para o problema. Como resultado, uma camada salina cobre tijolos de barro com 2.600 anos. No Templo de Ishtar, a antiga deusa suméria do amor e da guerra, a base das paredes está literalmente se desfazendo. Nas camadas internas da espessa alvenaria, o sal se infiltra e se acumula até cristalizar — um processo que provoca rachaduras, rompe os tijolos e faz com que partes inteiras da estrutura se desprendam. 4. Olímpia, Grécia O sítio arqueológico de Olímpia está rodeado por extensas florestas, estando, portanto, sempre em risco de incêndios, que são frequentemente influenciados pelas alterações climáticas em termos de ocorrência e dispersão Ministério da Cultura e do Desporto da Grécia Os incêndios devastadores que assolaram a Grécia no verão de 2007 tiveram um impacto muito grave no sítio de Olímpia, ameaçando destruir o museu e a área arqueológica deste patrimônio. Como o local é rodeado por extensas florestas, ele fica mais sujeito ao fogo agravado pelas alterações climáticas. O sítio, localizado em um vale no Peloponeso, abriga os vestígios de estruturas esportivas erguidas para os Jogos Olímpicos, que eram realizados em Olímpia a cada quatro anos, a partir de 776 a.C. Além disso, a cidade apresenta uma das maiores concentrações de obras-primas do mundo grego antigo. Em 1989, foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. 5. Petra, Jordânia El Deir ("o monastério") em Petra Wikimedia Commons As mudanças climáticas representam hoje uma das maiores ameaças ao sítio arqueológico de Petra, na Jordânia. Desde a década de 1980, o local se tornou um destino turístico de alcance global: quase um milhão de visitantes por ano viajam para admirar os templos e túmulos esculpidos na rocha pelos nabateus há cerca de 2.000 anos. Mas todo esse patrimônio está vulnerável. Um dos principais riscos são as enchentes repentinas, que vêm se intensificando com a crise climática. A topografia de Petra funciona como uma grande tigela: as montanhas que cercam o sítio formam uma bacia que direciona rapidamente a água da chuva para o centro da cidade antiga. Em uma área de 260 quilômetros quadrados, a altitude varia mais de 900 metros — o que agrava a velocidade das enxurradas. Essa dinâmica já provocou tragédias históricas. No inverno de 1963, enchentes súbitas mataram dezenas de moradores e turistas. Em 2018, a água voltou a arrastar pedras e inundar ravinas próximas a Wadi Musa. Em dezembro de 2022, enxurradas atravessaram os cânions estreitos de Petra e alcançaram até mesmo os degraus do Tesouro, monumento famoso por aparecer em Indiana Jones e a Última Cruzada. Com o aquecimento global, eventos extremos como esse tendem a se tornar mais frequentes. Como destaca a National Geographic, projeções indicam que, até 2050, a região pode enfrentar um aumento de até 40% nas chuvas, ampliando significativamente o risco de inundação. 6. Veneza, Itália Vista da bacia de San Marco em 1697 Wikimedia Commons A posição marítima estratégica de Veneza a transformou em um dos centros mais importantes da Rota da Seda desde sua fundação, no século 5 d.C. Esse papel histórico, aliado ao seu valor cultural e arquitetônico singular, incluiu a cidade na lista de Patrimônio Mundial da Humanidade em 1987. A elevação do nível do mar, agora mais rápida devido ao aquecimento global, intensificou as inundações e os danos aos edifícios de Veneza. Paralelamente, a cidade continua afundando, resultado de processos geológicos e da antiga extração de água subterrânea, agravando o impacto das marés. O turismo massivo adiciona outra camada de pressão: milhões de visitantes por ano aceleram o desgaste de sítios históricos, aumentam a superlotação e contribuem para a poluição causada por barcos e atividades industriais. Os grandes navios de cruzeiro também levantaram preocupações devido aos seus efeitos ambientais e estruturais. Para enfrentar esses desafios, Veneza conta com iniciativas como o projeto MOSE, sistema de barreiras móveis criado para proteger a cidade durante marés extremas. Embora essencial, ele exige manutenção contínua e monitoramento constante. 7. Machu Picchu, Peru Huayna Picchu - A montanha maior, atrás da cidade de Machu Picchu Wikimedia Commons Os sofisticados sistemas de drenagem incas de Machu Picchu, no Peru, estão sendo ameaçados por padrões de chuva intensificados e ciclos de seca. Desde 1960, estima-se que a região tenha sofrido um aumento de temperatura de 2,1°C. Como resultado, estão em voga novas restrições de entrada, encerramentos sazonais e alterações nos horários das visitas guiadas. "Machu Picchu normalmente recebe cerca de dois metros de chuva na estação chuvosa. Estamos falando de uma precipitação de dois metros, o que já é bastante. Imagine dois metros de água, imagine se isso fosse dobrado ou triplicado? Tudo ficaria encharcado e tudo seria destruído”, afirma Marcos Paster, consultor de áreas protegidas do governo peruano, ao site Euronews. Outro problema é a localização elevada da antiga cidade, a 2.430 metros acima do nível do mar, que outrora servia como proteção natural contra os conquistadores espanhóis. Hoje, isso torna-a duas vezes mais vulnerável às mudanças de temperatura do que locais ao nível do mar. O custo sairá caro: as medidas emergenciais de adaptação climática, arcadas pela UNESCO e pelo Peru, devem gerar um prejuízo de mais de 50 milhões de dólares até 2027. 8. Hoi An, no Vietnã Antiga Hoi An Geoff Stevens/OUR PLACE THE WORLD HERITAGE COLLECTION Uma pesquisa publicada ano passado na revista Ecological Informatics evidencia que a cidade Antiga de Hoi An, um dos sítios de patrimônio cultural mundial no Vietnã, enfrenta riscos de inundação devido ao aumento de eventos extremos de cheias causados ​​por processos antropogênicos e naturais. Pesquisadores do Vietnã e dos Estados Unidos avaliaram o risco de inundação na cidade a partir de um Sistema de Informação Geográfica (SIG), combinado com dados de sensoriamento remoto e métricas de ecologia da paisagem. Ao comparar os resultados com locais históricos de inundações, os cientistas concluíram que mais de 75% das enchentes passadas aconteceram em áreas de alto ou muito alto risco. Os pontos críticos estão concentrados nos sítios históricos da cidade, onde as mudanças climáticas e humanas afetaram a estrutura da paisagem.
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December 31, 2025 at 11:16 AM
O que são essas "bolas de basquete" laranjas em fios de energia?
É provável que você já tenha percebido que existem bolas laranjas presas aos fios elétricos, sobretudo em redes de alta tensão. Embora lembrem bolas de basquete ou grandes balões, não têm nada a ver com isso. Esses objetos, conhecidos como “marcadores de linha”, são instalados em pontos estratégicos para serem vistos de longe — e têm um papel essencial na segurança aérea. De acordo com a companhia elétrica Enel, essas bolas tornam os cabos elétricos mais visíveis, especialmente para pilotos de aviões, helicópteros e outras aeronaves. Assim, elas reduzem o risco de acidentes aéreos e de colisões com fios de alta tensão, sobretudo protegendo aeronaves menores que voam em altitudes mais baixas. A cor laranja vibrante se destaca contra o céu, facilitando a identificação dos fios, principalmente em cruzamentos de rios, rodovias e vales. Isso é especialmente importante também em áreas abertas e quando há condições climáticas adversas. A instalação das esferas está prevista na norma 6535 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Conforme a norma, os sinalizadores laranjas devem ter diâmetros de 30 cm, 40 cm ou 60 cm, e pesarem cerca de 5 kg. Os objetos precisam ficar fixados nos fios mais altos das torres de transmissão, onde há maior risco de impacto com aeronaves. Eles são feitos de material plástico resistente, como polietileno ou PVC, com espessura mínima de 2,5 mm. Também são resistentes a raios ultravioletas (UV) e capazes de suportar ventos fortes e raios. Embora a cor laranja seja a mais comum, também existem marcadores brancos e vermelhos para melhorar a sinalização em diferentes condições de iluminação. As bolas laranjas são perigosas? Apesar da aparência, os marcadores de linha não conduzem energia. Eles existem apenas para aumentar a visibilidade dos cabos e ajudar pilotos a identificar fios de alta tensão durante o voo. Ainda assim, não é recomendável tocá-los: esses dispositivos são feitos com materiais que podem atrair descargas elétricas. Em outras palavras, além de sinalizar os cabos, também ajudam a desviar raios de fios, antenas e outras estruturas altas próximas às linhas de transmissão.
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December 31, 2025 at 11:16 AM
Emulsificantes podem afetar a saúde de crianças por toda a vida, sugere pesquisa
No dia a dia, os emulsificantes passam despercebidos nos rótulos de alimentos industrializados, mas um novo estudo sugere que seus efeitos podem ir além. Pesquisadores descobriram que o consumo desses aditivos por roedoras fêmeas foi suficiente para alterar o microbioma intestinal de seus filhotes desde as primeiras semanas de vida. As descobertas são fruto de uma pesquisa conduzida por cientistas do Instituto Pasteur e do Institut national de la santé et de la recherche médicale (Inserm), na França, e publicada na revista Nature Communications em junho e divulgada em 26 de dezembro. O estudo indica que mudanças precoces na composição das bactérias intestinais, provocadas indiretamente pela dieta materna, podem gerar consequências duradouras para a saúde, como a vulnerabilidade a inflamações intestinais e à obesidade. Os emulsificantes são amplamente utilizados pela indústria alimentícia para melhorar a textura, a estabilidade e a vida útil de produtos processados. Estão presentes em itens como laticínios, pães industrializados, sorvetes e até algumas fórmulas infantis em pó. Apesar de seu uso disseminado, ainda são escassos os dados sobre seus impactos no organismo. Estudos anteriores já haviam levantado a hipótese de que esses aditivos poderiam afetar a saúde intestinal de quem os consome. O novo trabalho avança ao mostrar que os efeitos podem atingir também a geração seguinte, mesmo sem exposição direta às substâncias. Aditivos sob investigação No experimento, camundongos fêmeas receberam, em sua alimentação, dois emulsificantes comuns – carboximetilcelulose (E466) e polissorbato 80 (E433) – durante um período que começou dez semanas antes da gestação e se estendeu por toda a gravidez e a amamentação. Após o nascimento, os pesquisadores analisaram a microbiota intestinal da prole, que nunca havia ingerido diretamente os emulsificantes. Os resultados mostraram alterações significativas nas bactérias intestinais dos filhotes já nas primeiras semanas de vida, fase considerada crítica para a formação do sistema imunológico. Nesse período, a mãe transmite naturalmente parte de sua microbiota aos filhotes. Entre as principais mudanças observadas estava o aumento de bactérias flageladas, ou seja, o aumento de microrganismos que ativam o sistema imunológico. Os cientistas também identificaram uma maior proximidade entre essas bactérias e o revestimento do intestino. Os emulsificantes podem trazer consequências ao tecido epitelial que reveste o intestino, atravessando regiões como o cólon Clara Delaroque e Benoit Chassaing/Institut Pasteur Essa interação precoce levou ao fechamento antecipado de vias intestinais que, em condições normais, permitem a passagem controlada de fragmentos bacterianos. Esse mecanismo é fundamental para “treinar” o sistema imunológico, ajudando-o a reconhecer e tolerar a microbiota do próprio organismo. Quando essas vias se fecham cedo demais, a comunicação entre intestino e sistema imune é prejudicada. Com o passar do tempo, os filhotes expostos indiretamente aos emulsificantes desenvolveram uma resposta imune exagerada e inflamação crônica. Na fase adulta, apresentaram maior propensão a doenças inflamatórias intestinais e obesidade, estabelecendo uma ligação direta entre alterações precoces da microbiota e o surgimento dessas condições. Saúde humana Embora o estudo tenha sido realizado em camundongos, os autores alertam para a relevância dos resultados no contexto da saúde humana. “É crucial que desenvolvamos uma melhor compreensão de como o que comemos pode influenciar a saúde das gerações futuras”, afirmou Benoit Chassaing, do Inserm, em comunicado. Segundo o pesquisador, os achados reforçam a necessidade de avaliar com mais rigor o uso de aditivos alimentares, especialmente em fórmulas infantis em pó, consumidas justamente em um período decisivo para o estabelecimento da microbiota intestinal dos bebês e das crianças. Os pesquisadores planejam avançar com estudos clínicos em humanos para investigar como a transmissão da microbiota da mãe para o bebê é afetada pela dieta materna e pela exposição precoce a emulsificantes. A expectativa é compreender melhor se os efeitos observados em animais também se manifestam em pessoas e até que ponto escolhas alimentares podem deixar marcas duradouras ao longo das gerações.
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December 30, 2025 at 8:18 AM
Perder peso na meia-idade pode ter um custo cerebral oculto, aponta estudo
Perder peso na meia-idade pode não ser tão simples quanto parece. Um novo estudo da Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel, sugere que, embora o emagrecimento nessa fase da vida traga melhorias metabólicas importantes, ele também pode desencadear um processo temporário de inflamação no cérebro, levantando dúvidas sobre seus possíveis efeitos neurológicos. A pesquisa, publicada em outubro na revista GeroScience, e divulgada neste domingo (28), analisou como a obesidade induzida por dieta e a posterior perda de peso afetaram dois grupos: um de camundongos jovens adultos e outro de camundongos de meia-idade. Em ambos os casos, os cientistas observaram que o emagrecimento restaurou o controle saudável da glicose no sangue, um indicador central do metabolismo. Entretanto, o cérebro contou outra história. Nos animais de meia-idade, a perda de peso foi acompanhada por um aumento da inflamação no hipotálamo, região cerebral responsável pela regulação do apetite, do gasto energético e de funções básicas do organismo. A inflamação foi detectada ao nível molecular e também por imagens de alta resolução da microglia, células do sistema imunológico do cérebro. Essa resposta inflamatória não foi permanente, mas persistiu por várias semanas antes de diminuir gradualmente. Ainda não se sabe se esse processo é apenas um efeito colateral indesejado ou se faz parte de uma adaptação necessária do organismo durante o emagrecimento. Em outras pesquisas, as inflamações cerebrais já foram associadas a declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Para os pesquisadores, os resultados da nova pesquisa indicam que a perda de peso na meia-idade não deve ser encarada como mera repetição das estratégias aplicadas aos mais jovens. A equipe defende uma visão mais cautelosa e complexa sobre o tema, chamando atenção para o impacto cerebral de intervenções metabólicas. "Nosso estudo caracteriza a resposta adaptativa do corpo à perda de peso por meio de duas dimensões complementares: molecular e estrutural. Essa tecnologia de imagem de alta resolução, obtida por microscopia avançada e análise de imagem computacional avançada, permite a detecção de alterações sensíveis com potenciais implicações para a saúde", explica Alexandra Tsitrina, autora do estudo, em comunicado. Os próximos passos devem incluir pesquisas para entender por que essa inflamação ocorre e como reduzir possíveis riscos. O objetivo é encontrar estratégias que preservem os benefícios metabólicos do emagrecimento sem comprometer a saúde do cérebro durante o envelhecimento.
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December 30, 2025 at 8:18 AM
Barco escandinavo afundado há 2,4 mil anos protagonizou ataque premeditado
O misterioso barco de Hjortspring, afundado há cerca de 2.400 anos na ilha de Als, na atual Dinamarca, continua a surpreender pesquisadores. Um estudo recente publicado em 10 de dezembro na revista PLOS One sugere que a embarcação pode ter sido construída muito longe dali, indicando um ataque planejado por guerreiros que cruzaram longas distâncias marítimas. Escavado na década de 1920 e atualmente exposto no Museu Nacional da Dinamarca, o Hjortspring é considerado o mais antigo barco de madeira conhecido da Escandinávia. Com quase 20 metros de comprimento, era capaz de transportar 24 tripulantes, além de armas e equipamentos. “A tripulação do barco viajou centenas de quilômetros por mar para lançar seu ataque a Als, no sul da Dinamarca”, disse o autor principal, Mikael Fauvelle, arqueólogo da Universidade de Lund, na Suécia, à revista Discover. “Embora nunca saibamos exatamente o que levou cerca de 80 guerreiros a atacar Als há cerca de 2.400 anos, essas descobertas sugerem que foi um conflito inter-regional que envolveu planejamento e recursos logísticos consideráveis.” Após a derrota, o barco foi afundado deliberadamente em um pântano como oferenda ritual, um gesto de agradecimento pela vitória dos defensores da ilha de Als. “Ele foi preservado nesse ambiente único com baixo teor de oxigênio por mais de [2.000] anos, tornando-o o único exemplo preservado de um desses barcos que temos”, declarou Fauvelle. Impressão digital e rota de ataque A nova pesquisa traz três descobertas centrais. A primeira é cronológica por meio da datação por radiocarbono de cordas preservadas feitas com fibras de tília. Os cientistas determinaram que o barco foi construído entre os séculos 4 e 3 a.C., durante a Idade do Ferro. Fragmentos de cordas encontrados junto ao barco Hjortspring Mikael Fauvelle A segunda é sobre a origem da embarcação. Após análises químicas do material de calafetagem, responsável por impermeabilizar o casco, foi revelado o uso de resina de pinheiro misturada com gordura animal. Como a península principal da Dinamarca possuía poucos pinheiros nesse período, os autores sugerem que o barco pode ter sido construído em regiões mais orientais e ricas nesse tipo de floresta, como o norte da Polônia, Bornholm, Gotland ou áreas costeiras da Suécia. Isso significa que os guerreiros teriam viajado centenas de quilômetros através do Mar Báltico antes de atacar Als. Esse movimento aponta para um conflito inter-regional planejado, que exigiu logística sofisticada e domínio de navegação. À esquerda: Fragmento de selante mostrando a impressão digital. À direita: Tomografia computadorizada de raios X de alta resolução da região da impressão digital. Erik Johansson / Sahel Ganji A terceira descoberta é uma marca pessoal. Em um fragmento do selante utilizado no barco, os pesquisadores identificaram uma impressão digital humana, um registro raríssimo para o período. Trata-se de um vestígio direto de um dos artesãos que construíram ou repararam a embarcação, aproximando o passado remoto da experiência individual. "Impressões digitais são muito raras para esse período e região", acrescenta Fauvelle. "Encontrar uma em um barco tão singular é algo extremamente especial." Tradição marítima muito anterior aos vikings Para os especialistas, o estudo amplia a compreensão sobre a história naval da Escandinávia. As evidências sugerem que, muito antes da Era Viking, povos nórdicos já realizavam longas viagens pelo Mar do Norte e pelo Báltico em embarcações relativamente leves e abertas. A pesquisa também ressalta o valor dos acervos museológicos. Como a madeira foi tratada com conservantes após a escavação, tornou-se impossível datá-la diretamente por radiocarbono. A solução veio do material periférico, como cordas e resinas, que permaneceu intacto por um século nos depósitos e agora pôde ser analisado com técnicas modernas. Os autores afirmam que análises futuras podem permitir identificar com mais precisão a origem geográfica do barco Hjortspring. Até lá, ele continua a simbolizar uma era em que alianças, disputas e redes de contato já conectavam intensamente o norte da Europa, muito antes de os vikings dominarem os mares.
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December 30, 2025 at 8:18 AM
Nova diretriz recomenda kiwi e psyllium contra constipação crônica
Por muito tempo, tratar a prisão de ventre parecia simples: bastava beber mais água e comer mais fibras. Mas quem convive com o intestino preso de forma persistente sabe que não é tão fácil assim. A constipação crônica, aquela que dura semanas ou meses, pode afetar o sono, o humor, a produtividade e a qualidade de vida. Em outubro, a Associação Britânica de Nutricionistas e Dietistas (BDA, na sigla em inglês) publicou uma diretriz inédita sobre o papel da alimentação nesse problema tão comum. Elaborado a partir da análise de 75 ensaios clínicos, revisões sistemáticas e meta-análises, o documento traz 59 recomendações dietéticas práticas. O foco é sair do discurso genérico de “aumente as fibras” e apontar quais alimentos e suplementos realmente ajudam e em quais doses. “Essas diretrizes agrupam intervenções com evidências sólidas e, na prática clínica, auxiliam na condução dos casos trazendo mais especificidade dos principais aliados no combate à constipação crônica”, comenta a nutricionista Gláucia Amaral Santana, coordenadora de Nutrição do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP) - Iris Rezende Machado, unidade pública gerida pelo Einstein Hospital Israelita em Goiás. Psyllium, kiwi e pão de centeio As novas diretrizes confirmam algo que muitos nutricionistas já observavam na prática: nem todas as fibras têm o mesmo efeito sobre o intestino. No documento, o destaque foi para o o psyllium, uma fibra derivada da casca da semente da planta Plantago ovata. Ele é considerado o “padrão-ouro” entre os suplementos de fibra quando se consome ao menos 10 g/dia com frequência. “O psyllium é uma fibra solúvel com alto poder de retenção de água. Ele forma um gel no intestino, aumenta o volume das fezes e melhora a consistência, facilitando a evacuação e reduzindo o esforço”, explica Santana. Outras fibras, como a inulina, apresentam resultados mais modestos e podem causar gases e desconforto abdominal. Entre as frutas, o kiwi se sobressaiu. De acordo com a BDA, comer duas unidades por dia, ao longo de no mínimo quatro semanas, melhora a frequência na evacuação e a textura das fezes. A fruta combina fibras solúveis e enzimas que estimulam o trânsito intestinal. Além disso, fornece vitamina C e antioxidantes, o que a torna uma estratégia segura e bem tolerada. As diretrizes consideram o kiwi uma das opções mais eficazes e fáceis de incluir na rotina. “Quando consumido com regularidade, o kiwi apresenta resultados semelhantes ao psyllium, auxiliando na melhora da frequência intestinal. Mas, como toda intervenção nutricional, é importante individualizar, respeitando a rotina, os hábitos e a cultura alimentar de cada pessoa”, pondera a nutricionista. As novas diretrizes também apontam o magnésio como um aliado importante. O mineral está presente em verduras de folhas escuras, leguminosas, nozes, grãos integrais, abacate e peixes. Mas, de acordo com a especialista do HMAP, para uma pessoa conseguir atingir as doses estudadas, muitas vezes é necessário suplementar — o que não deve ser feito sem indicação e a orientação de um profissional de saúde. O óxido de magnésio se mostrou mais eficaz que o leite de magnésia, e as águas minerais com alto teor de magnésio e sulfato também demonstraram bons resultados. “Em doses adequadas, o sulfato de magnésio tem efeito osmótico, ou seja, puxa água para dentro do intestino, amolecendo as fezes e facilitando a evacuação”, explica Glaucia Santana. O efeito não depende da marca da água, mas da composição mineral do líquido. “É importante observar o rótulo e dar preferência às que têm alto teor de magnésio e sulfato”, orienta. Trocar o pão branco por pão de centeio também se mostrou eficaz, já que esse cereal contém fibras solúveis e fermentáveis que aumentam o volume das fezes e estimulam a flora intestinal. “O centeio pode ser um bom aliado, mas o estudo considerou doses muito altas, de cerca de seis a oito pães por dia, o que não é viável para a maioria das pessoas”, observa a especialista. “Ele pode fazer parte da alimentação, mas sempre em um plano equilibrado e acompanhado por nutricionista.” Ameixa e maçã, que têm fama de “soltar o intestino”, perderam um pouco do protagonismo. As diretrizes concluem que, embora saudáveis e ricas em fibras, não há evidência científica robusta de que o consumo regular dessas frutas realmente funcione em casos de constipação crônica. “Esses alimentos continuam sendo boas opções em uma alimentação balanceada, mas não devem ser vistos como solução isolada”, afirma a Santana. Vale lembrar que outros bons hábitos também são essenciais para um intestino saudável, como a prática de atividade física, o sono regular e evitar o consumo excessivo de produtos ultraprocessados. Na dúvida, consulte um profissional especializado. Fonte: Agência Einstein
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December 30, 2025 at 8:18 AM
Treino de 5 minutos permite identificar rostos feitos por IA, mostra estudo
Um breve treinamento de apenas cinco minutos pode aumentar de forma significativa a capacidade das pessoas de identificar rostos gerados por inteligência artificial (IA). Foi o que demonstrou um estudo publicado em 12 de novembro na revista Royal Society Open Science, conduzido por pesquisadores das universidades de Leeds, Reading, Greenwich e Lincoln, no Reino Unido. O experimento envolveu 664 participantes, que tiveram de distinguir entre rostos humanos reais e imagens criadas pelo software StyleGAN3, uma das ferramentas mais avançadas de geração de faces por IA disponíveis à época do estudo. Sem qualquer preparação prévia, os chamados “super-reconhecedores”, pessoas com desempenho muito acima da média em testes de reconhecimento facial, acertaram a identificação de rostos falsos em 41% dos casos. Já os participantes com habilidades típicas atingiram apenas 31% de acerto. Quando um novo grupo recebeu um treinamento rápido, os resultados mudaram de forma expressiva. Após a instrução, super-reconhecedores alcançaram 64% de precisão na detecção de rostos sintéticos, enquanto o grupo típico passou para 51% de acerto. O treinamento consistiu na exposição a exemplos de imagens artificiais acompanhadas de destaques visuais para “artefatos” comuns em rostos gerados por IA, como dentes desalinhados, linhas de cabelo irregulares, orelhas ou brincos distorcidos e pequenos erros de simetria. Esses traços, muitas vezes imperceptíveis à primeira vista, funcionam como pistas para diferenciar um rosto real de um sintetizado por computador. “As imagens geradas por IA são cada vez mais fáceis de criar e difíceis de detectar. Elas podem ser usadas para fins nefastos, portanto, do ponto de vista da segurança, é crucial que testemos métodos para detectar imagens artificiais”, afirma Eilidh Noyes, pesquisadora da Escola de Psicologia da Universidade de Leeds, em comunicado. Segundo ela, a combinação entre treinamento e habilidades naturais de super-reconhecedores pode fortalecer estratégias de detecção. Os autores destacam ainda que o treinamento beneficiou participantes com diferentes níveis de habilidade, sugerindo que super-reconhecedores talvez utilizem pistas visuais distintas das pessoas típicas e não apenas sejam “melhores” em encontrar erros de renderização. “Rostos gerados por computador representam riscos reais de segurança. Eles têm sido usados para criar perfis falsos em redes sociais, burlar sistemas de verificação de identidade e criar documentos falsos”, explica Katie Gray, líder da pesquisa e pesquisadora da Universidade de Reading. Gray também alerta para os riscos práticos dessas imagens hiper-realistas. Segundo ela, os rostos produzidos pelas tecnologias mais recentes são "extremamente realistas” e muitas vezes considerados mais convincentes do que os rostos humanos reais. Os cientistas ressaltam que o avanço rápido dos sistemas generativos aumenta o desafio. O StyleGAN3 já produz faces altamente realistas e novos modelos vêm superando esses resultados. Por isso, o próximo passo da pesquisa será avaliar se o efeito do treinamento se mantém ao longo do tempo e como ele pode ser combinado com ferramentas automatizadas de detecção de conteúdo sintético. Em um cenário em que a criação de imagens falsas está cada vez mais acessível, o estudo sugere um caminho simples e de baixo custo para treinar o olhar humano para encontrar imperfeições digitais e, assim, reforçar uma linha de defesa importante contra fraudes online e desinformação.
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December 30, 2025 at 8:18 AM
Como dedos apontando moldam nossa percepção em pinturas famosas
Um gesto simples de apontar com o dedo pode ser muito mais poderoso do que parece quando retratado em obras de arte. Pesquisadores da Universidade de Viena investigaram como esse gesto influencia o olhar dos visitantes de museus e descobriram que ele reorganiza a maneira como o público lê a narrativa de pinturas clássicas, indo muito além de simplesmente indicar um detalhe específico. O estudo, publicado na revista Psychology of Aesthetics, Creativity, and the Arts, analisou obras de mestres como Rafael, Giorgione, Caravaggio e Rembrandt. A pesquisa integra o campo da história da arte experimental e utilizou tecnologia de rastreamento ocular (eye-tracking) para medir com precisão como os espectadores observam as pinturas. A pesquisadora Temenuzhka Dimova selecionou obras dos séculos XVI e XVII que continham múltiplas figuras apontando com o dedo. Em seguida, criou versões digitais dessas pinturas nas quais os dedos apontando foram removidos. As duas versões, original e modificada, foram apresentadas a grupos diferentes de participantes. Os resultados mostraram mudanças nos padrões visuais entre quem olhou pinturas com gestos de apontar e quem viu as versões sem o gesto. Atenção ao alvo Um dos achados mais surpreendentes é que os espectadores não passam muito tempo olhando diretamente para os dedos. Em vez disso, a atenção se volta para os rostos das figuras que apontam. Obra de Caravaggio, A Vocação de São Mateus. Na cena, o gesto de apontar direciona o enredo e orienta o olhar do espectador: a mão estendida indica o chamado divino, enquanto reorganiza a leitura da narrativa ao conectar as figuras à mesa. Dominio Público As expressões faciais, identidades e emoções dessas personagens tornam-se centrais na interpretação da cena. Ou seja, o gesto desperta curiosidade sobre quem aponta e por que aponta, antes mesmo do que está sendo indicado. As áreas para as quais os dedos se dirigem também recebem mais atenção nas versões originais das pinturas. No entanto, esse direcionamento não é completamente preciso. Muitas vezes, os espectadores investigam regiões próximas ao suposto alvo, demonstrando que o gesto funciona como um “convite à exploração”, e não como uma seta rígida que conduz os olhos a um único ponto definido, segundo comunicado. Obra de Rafael, O Cegamento de Elimas. O dedo apontado atua como elemento central da ação, guiando a atenção para o momento de punição do mágico Elimas e criando conexões visuais entre os personagens que testemunham o episódio. Dominio Público Narrativas visuais são reestruturadas Mais do que destacar elementos isolados, os gestos de apontar reorganizam a percepção de toda a narrativa representada. Eles criam conexões inesperadas entre personagens e objetos e alteram a maneira como as relações visuais são compreendidas. Assim, o movimento dos olhos deixa de seguir uma trajetória linear do dedo ao objeto e passa a compor um percurso mais amplo e interpretativo pela cena. Os resultados ajudam a compreender por que tantas pinturas históricas exploram esse gesto: ele é um recurso narrativo sofisticado. As conclusões também podem orientar curadorias de exposições, mediação cultural em museus e até estratégias contemporâneas de design e comunicação visual.
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December 29, 2025 at 5:11 AM