Giro global: relembre notícias e acontecimentos climáticos que marcaram o ano de 2025
O ano de 2025 foi atravessado por recordes de temperatura, crises ambientais e alertas científicos cada vez mais urgentes, mas também por avanços relevantes na proteção ambiental e na transição energética. Do Brasil ao cenário internacional, veja notícias e acontecimentos climáticos que marcaram o ano. 1. 2025 deve terminar como o segundo ou terceiro ano mais quente da história O Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia, afirmou que é “virtualmente certo” que 2025 termine como o segundo ou terceiro ano mais quente desde o início dos registros, em meados do século 19. A World Weather Attribution (WWA) afirmou na terça (30) que 2025 é um dos três anos mais quentes já registrados. Entre janeiro e novembro, a temperatura média global ficou 1,48 °C acima do nível pré-industrial, evidenciando a persistência do aquecimento global mesmo após o pico do El Niño e reforçando alertas sobre a proximidade do limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris. 2. Desmatamento cai na Amazônia e no Cerrado pelo terceiro ano consecutivo O Brasil registrou redução de 11,08% no desmatamento da Amazônia e de 11,49% no Cerrado em 2025, segundo dados do Inpe. A queda consolidou o terceiro ano seguido de recuo e evitou a emissão de cerca de 733,9 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Especialistas destacam, no entanto, que a pressão permanece elevada, especialmente no Cerrado, hoje o bioma que mais perde vegetação nativa no país. Última coletiva da COP30, em Belém Rafa Neddermeyer/COP30 3. COP30 termina sem menção explícita ao fim dos combustíveis fósseis Realizada em Belém (PA), a COP30 terminou sem incluir no acordo final a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, principal causa das mudanças climáticas. Apesar da pressão de cerca de 80 países, a presidência da conferência anunciou apenas um roteiro voluntário para a transição energética -- o Mapa do Caminho -- , a ser desenvolvido fora do processo formal da ONU. A proposta busca manter o diálogo entre países favoráveis a metas mais ambiciosas, mas foi recebida com ceticismo por organizações ambientais e cientistas, que alertaram que instrumentos voluntários não substituem compromissos vinculantes em um contexto de aquecimento global acelerado. 4. PL da Devastação avança no Congresso e reacende alerta ambiental Em contraste com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, o avanço do chamado PL da Devastação em 2025 gerou forte reação de especialistas e organizações da sociedade civil. O projeto flexibiliza o licenciamento ambiental, reduz exigências para grandes obras e amplia mecanismos autodeclaratórios. Críticos afirmam que a proposta pode aumentar o desmatamento, fragilizar comunidades tradicionais e elevar riscos socioambientais em um momento de maior escrutínio internacional sobre a política ambiental brasileira. Saiba mais 5. Corte Internacional de Justiça reconhece obrigações legais dos Estados sobre o clima Em julho, a Corte Internacional de Justiça emitiu um parecer histórico ao afirmar que ações governamentais que impulsionam a crise climática são ilegais. A decisão reconheceu que os Estados têm obrigação jurídica de reduzir emissões e compensar países vulneráveis pelos danos causados, fortalecendo a base legal de litígios climáticos ao redor do mundo. 6. Colapso e recordes no gelo polar ampliam alerta climático Em 2025, o gelo marinho nos polos voltou a registrar níveis historicamente baixos. No Ártico, a extensão máxima de inverno foi a menor já observada em 47 anos de medições por satélite, resultado de temperaturas excepcionalmente altas em uma região que aquece até quatro vezes mais rápido que a média global. Na Antártica, o gelo marinho permaneceu muito abaixo das médias históricas ao longo do ano, reforçando uma sequência recente de recordes negativos. Cientistas alertam que a retração persistente do gelo polar acelera o aquecimento global ao reduzir a capacidade do planeta de refletir a radiação solar e influencia padrões climáticos em escala global. 7. Maior evento de branqueamento de corais já registrado atinge o planeta A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informou que cerca de 83,7% dos recifes de coral do mundo foram expostos a níveis de estresse térmico capazes de causar branqueamento desde 2023, configurando o maior evento global já registrado. O fenômeno está diretamente associado ao aquecimento dos oceanos, que atingiram temperaturas recordes em sucessivos meses. Entre as áreas afetadas estão a Grande Barreira de Corais da Austrália, o Caribe, a Flórida e trechos do litoral brasileiro. Cientistas alertam que episódios prolongados de branqueamento reduzem a capacidade de recuperação dos recifes, ameaçando a biodiversidade marinha, a segurança alimentar de comunidades costeiras e atividades econômicas como a pesca e o turismo. 8. Demarcação de terras indígenas avança no Brasil Em novembro, o governo federal anunciou a demarcação de dez terras indígenas. Estudos apontam que essas áreas desempenham papel central na contenção do desmatamento e na redução das emissões de gases de efeito estufa, além de fortalecer direitos territoriais e a proteção da sociobiodiversidade. E em dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas, rejeitando a ideia de que os povos só teriam direito às áreas que ocupavam em 5 de outubro de 1988. A decisão invalida restrições que limitavam o acesso a territórios tradicionais e reafirma que os direitos indígenas sobre suas terras não devem ser condicionados a essa data. BIREUEN, ACEH, INDONÉSIA: imagem de satélite da Vantor mostra casas alagadas e áreas ao redor de um rio em Bireuen durante a inundação, após as enchentes na região. Imagem de satélite © 2025 Vantor. 9. Aquecimento global intensifica enchentes mortais na Ásia Um estudo do World Weather Attribution concluiu que chuvas extremas e tempestades que causaram inundações no sul e sudeste da Ásia foram potencializadas pelas mudanças climáticas. A passagem simultânea de dois ciclones deixou mais de 1,8 mil mortos e isolou cerca de 1,2 milhão de pessoas, evidenciando a crescente vulnerabilidade da região a eventos extremos. Segundo cientistas, o aquecimento dos oceanos tem tornado ciclones e furacões mais fortes e intensos, com maior capacidade de reter umidade e provocar chuvas destrutivas. Diante desse cenário, pesquisadores passaram a discutir a necessidade de criar uma nova categoria acima da atual escala de furacões, já que tempestades recentes têm ultrapassado os limites de intensidade previstos. 10. Espécies da fauna brasileira apresentam sinais de recuperação Apesar do cenário global preocupante para a biodiversidade, 2025 trouxe boas notícias no Brasil. A população de onças-pintadas cresceu no Parque Nacional do Iguaçu, papagaios-chauá foram reintroduzidos na Mata Atlântica de Alagoas e novas regras internacionais ampliaram a proteção de espécies de preguiça ameaçadas pelo tráfico. 11. Negociações do Tratado Global sobre o Plástico fracassam novamente Reunidos em Genebra, representantes de 184 países encerraram sem acordo mais uma rodada de negociações sobre o tratado global contra a poluição plástica. Persistiram divergências sobre limites à produção de plástico, controle de produtos químicos perigosos e financiamento para países em desenvolvimento. Países produtores de petróleo e da indústria petroquímica resistiram a metas vinculantes, enquanto nações mais vulneráveis e organizações ambientais defenderam cortes obrigatórios na produção. As negociações devem ser retomadas em 2026, sob pressão crescente da comunidade científica, que alerta que, sem um acordo ambicioso, a poluição plástica pode triplicar até 2060, ampliando impactos sobre oceanos, biodiversidade e saúde humana. 12. Tartarugas-verdes deixam a lista de espécies ameaçadas A União Internacional para a Conservação da Natureza anunciou que a tartaruga-verde passou da categoria “em perigo” para “pouco preocupante” este ano. O avanço reflete décadas de políticas de conservação, restrições à pesca e proteção de áreas de desova, embora especialistas alertem que ameaças como a crise climática persistem. 13. Trump retoma agenda pró-fósseis nos Estados Unidos Em abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou decretos para impulsionar a indústria do carvão e reverter políticas climáticas da gestão anterior. Além disso, manteve o apoio explícito à expansão da indústria de petróleo e gás, com a flexibilização de regras ambientais e o incentivo à exploração em terras federais. A estratégia reacendeu o debate sobre o papel dos Estados Unidos na agenda climática global e gerou críticas de cientistas e organizações ambientais, que alertam para o aumento das emissões em um momento de agravamento da crise climática. Uma vista aérea mostra casas destruídas enquanto pelo incêndio em Palisades, em Los Angeles Getty Images 14. Calor e seca intensificam incêndios e ampliam destruição em 2025 Em 2025, incêndios florestais voltaram a causar destruição em diferentes partes do mundo, impulsionados por ondas de calor mais intensas e períodos prolongados de seca. Nos Estados Unidos, os incêndios que atingiram a Califórnia em janeiro forçaram evacuações, destru residências e reacendeu o alerta sobre a vulnerabilidade de regiões urbanas cercadas por vegetação ressecada. Ao longo do ano, grandes incêndios também foram registrados no Canadá, no sul da Europa e em partes da América do Sul, afetando a qualidade do ar, sobrecarregando sistemas de emergência e liberando grandes volumes de gases de efeito estufa. 15. Tratado do alto-mar liderado pela ONU entra em vigor em 2026 O Tratado de Alto-Mar ou Tratado sobre a Conservação e Uso Sustentável da Diversidade Biológica Marinha em Áreas Além da Jurisdição Nacional (BBNJ), primeiro acordo global voltado à proteção da biodiversidade em águas internacionais, alcançou o número necessário de ratificações em 2025. O texto prevê a criação de áreas marinhas protegidas e exige avaliações de impacto ambiental para atividades econômicas em alto-mar. A meta é proteger 30% do oceano até 2030. 16. Energias renováveis são eleitas o “Avanço do Ano” pela Science A revista Science destacou o crescimento acelerado das energias renováveis como o principal avanço científico de 2025. Dados mostram que solar e eólica cresceram acima da demanda global por eletricidade e ultrapassaram o carvão, passando de um terço da matriz elétrica mundial. Mais Lidas