Um só Planeta
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Um Só Planeta é o maior movimento editorial brasileiro para promover práticas sustentáveis e enfrentar a crise climática. Não existe planeta B […]

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Reservatórios de água de São Paulo atingem menor nível para mês de dezembro desde a crise hídrica
Os reservatórios de água que abastecem São Paulo atingiram o menor nível já registrado para o mês de dezembro desde a crise hídrica, aponta o novo relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). Segundo o documento, o Sistema Integrado Metropolitano -- rede de abastecimento formada por sete mananciais (Cantareira, Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço) -- registrou, na última terça-feira (30), um volume útil de 26,1%. Este é o menor nível para o período desde a crise hídrica de 2014/2015 quando, segundo dados da Sabesp, os níveis eram de 0,8% e 22,3% em 2014 e 2015, respectivamente. O cenário preocupante é fruto da redução e da irregularidade das chuvas ao longo dos três primeiros meses da estação chuvosa no Sudeste, que vai de outubro a março. Especialistas ouvidos pelo G1 avaliam que a situação é crítica e que seria necessário um volume de chuvadentro ou acima da média histórica nos próximos meses para que os reservatórios possam se recuperar. No entanto, na virada para 2026, a expectativa é que o Sudeste registre somente pancadas de chuva, o que é comum para o período, mas de maneira muito irregular. Para o mês de janeiro, por enquanto, as previsões indicam chuva entre a média e um pouco abaixo da média. Mais Lidas
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January 1, 2026 at 4:28 AM
Giro global: relembre notícias e acontecimentos climáticos que marcaram o ano de 2025
O ano de 2025 foi atravessado por recordes de temperatura, crises ambientais e alertas científicos cada vez mais urgentes, mas também por avanços relevantes na proteção ambiental e na transição energética. Do Brasil ao cenário internacional, veja notícias e acontecimentos climáticos que marcaram o ano. 1. 2025 deve terminar como o segundo ou terceiro ano mais quente da história O Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia, afirmou que é “virtualmente certo” que 2025 termine como o segundo ou terceiro ano mais quente desde o início dos registros, em meados do século 19. A World Weather Attribution (WWA) afirmou na terça (30) que 2025 é um dos três anos mais quentes já registrados. Entre janeiro e novembro, a temperatura média global ficou 1,48 °C acima do nível pré-industrial, evidenciando a persistência do aquecimento global mesmo após o pico do El Niño e reforçando alertas sobre a proximidade do limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris. 2. Desmatamento cai na Amazônia e no Cerrado pelo terceiro ano consecutivo O Brasil registrou redução de 11,08% no desmatamento da Amazônia e de 11,49% no Cerrado em 2025, segundo dados do Inpe. A queda consolidou o terceiro ano seguido de recuo e evitou a emissão de cerca de 733,9 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Especialistas destacam, no entanto, que a pressão permanece elevada, especialmente no Cerrado, hoje o bioma que mais perde vegetação nativa no país. Última coletiva da COP30, em Belém Rafa Neddermeyer/COP30 3. COP30 termina sem menção explícita ao fim dos combustíveis fósseis Realizada em Belém (PA), a COP30 terminou sem incluir no acordo final a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, principal causa das mudanças climáticas. Apesar da pressão de cerca de 80 países, a presidência da conferência anunciou apenas um roteiro voluntário para a transição energética -- o Mapa do Caminho -- , a ser desenvolvido fora do processo formal da ONU. A proposta busca manter o diálogo entre países favoráveis a metas mais ambiciosas, mas foi recebida com ceticismo por organizações ambientais e cientistas, que alertaram que instrumentos voluntários não substituem compromissos vinculantes em um contexto de aquecimento global acelerado. 4. PL da Devastação avança no Congresso e reacende alerta ambiental Em contraste com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, o avanço do chamado PL da Devastação em 2025 gerou forte reação de especialistas e organizações da sociedade civil. O projeto flexibiliza o licenciamento ambiental, reduz exigências para grandes obras e amplia mecanismos autodeclaratórios. Críticos afirmam que a proposta pode aumentar o desmatamento, fragilizar comunidades tradicionais e elevar riscos socioambientais em um momento de maior escrutínio internacional sobre a política ambiental brasileira. Saiba mais 5. Corte Internacional de Justiça reconhece obrigações legais dos Estados sobre o clima Em julho, a Corte Internacional de Justiça emitiu um parecer histórico ao afirmar que ações governamentais que impulsionam a crise climática são ilegais. A decisão reconheceu que os Estados têm obrigação jurídica de reduzir emissões e compensar países vulneráveis pelos danos causados, fortalecendo a base legal de litígios climáticos ao redor do mundo. 6. Colapso e recordes no gelo polar ampliam alerta climático Em 2025, o gelo marinho nos polos voltou a registrar níveis historicamente baixos. No Ártico, a extensão máxima de inverno foi a menor já observada em 47 anos de medições por satélite, resultado de temperaturas excepcionalmente altas em uma região que aquece até quatro vezes mais rápido que a média global. Na Antártica, o gelo marinho permaneceu muito abaixo das médias históricas ao longo do ano, reforçando uma sequência recente de recordes negativos. Cientistas alertam que a retração persistente do gelo polar acelera o aquecimento global ao reduzir a capacidade do planeta de refletir a radiação solar e influencia padrões climáticos em escala global. 7. Maior evento de branqueamento de corais já registrado atinge o planeta A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informou que cerca de 83,7% dos recifes de coral do mundo foram expostos a níveis de estresse térmico capazes de causar branqueamento desde 2023, configurando o maior evento global já registrado. O fenômeno está diretamente associado ao aquecimento dos oceanos, que atingiram temperaturas recordes em sucessivos meses. Entre as áreas afetadas estão a Grande Barreira de Corais da Austrália, o Caribe, a Flórida e trechos do litoral brasileiro. Cientistas alertam que episódios prolongados de branqueamento reduzem a capacidade de recuperação dos recifes, ameaçando a biodiversidade marinha, a segurança alimentar de comunidades costeiras e atividades econômicas como a pesca e o turismo. 8. Demarcação de terras indígenas avança no Brasil Em novembro, o governo federal anunciou a demarcação de dez terras indígenas. Estudos apontam que essas áreas desempenham papel central na contenção do desmatamento e na redução das emissões de gases de efeito estufa, além de fortalecer direitos territoriais e a proteção da sociobiodiversidade. E em dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas, rejeitando a ideia de que os povos só teriam direito às áreas que ocupavam em 5 de outubro de 1988. A decisão invalida restrições que limitavam o acesso a territórios tradicionais e reafirma que os direitos indígenas sobre suas terras não devem ser condicionados a essa data. BIREUEN, ACEH, INDONÉSIA: imagem de satélite da Vantor mostra casas alagadas e áreas ao redor de um rio em Bireuen durante a inundação, após as enchentes na região. Imagem de satélite © 2025 Vantor. 9. Aquecimento global intensifica enchentes mortais na Ásia Um estudo do World Weather Attribution concluiu que chuvas extremas e tempestades que causaram inundações no sul e sudeste da Ásia foram potencializadas pelas mudanças climáticas. A passagem simultânea de dois ciclones deixou mais de 1,8 mil mortos e isolou cerca de 1,2 milhão de pessoas, evidenciando a crescente vulnerabilidade da região a eventos extremos. Segundo cientistas, o aquecimento dos oceanos tem tornado ciclones e furacões mais fortes e intensos, com maior capacidade de reter umidade e provocar chuvas destrutivas. Diante desse cenário, pesquisadores passaram a discutir a necessidade de criar uma nova categoria acima da atual escala de furacões, já que tempestades recentes têm ultrapassado os limites de intensidade previstos. 10. Espécies da fauna brasileira apresentam sinais de recuperação Apesar do cenário global preocupante para a biodiversidade, 2025 trouxe boas notícias no Brasil. A população de onças-pintadas cresceu no Parque Nacional do Iguaçu, papagaios-chauá foram reintroduzidos na Mata Atlântica de Alagoas e novas regras internacionais ampliaram a proteção de espécies de preguiça ameaçadas pelo tráfico. 11. Negociações do Tratado Global sobre o Plástico fracassam novamente Reunidos em Genebra, representantes de 184 países encerraram sem acordo mais uma rodada de negociações sobre o tratado global contra a poluição plástica. Persistiram divergências sobre limites à produção de plástico, controle de produtos químicos perigosos e financiamento para países em desenvolvimento. Países produtores de petróleo e da indústria petroquímica resistiram a metas vinculantes, enquanto nações mais vulneráveis e organizações ambientais defenderam cortes obrigatórios na produção. As negociações devem ser retomadas em 2026, sob pressão crescente da comunidade científica, que alerta que, sem um acordo ambicioso, a poluição plástica pode triplicar até 2060, ampliando impactos sobre oceanos, biodiversidade e saúde humana. 12. Tartarugas-verdes deixam a lista de espécies ameaçadas A União Internacional para a Conservação da Natureza anunciou que a tartaruga-verde passou da categoria “em perigo” para “pouco preocupante” este ano. O avanço reflete décadas de políticas de conservação, restrições à pesca e proteção de áreas de desova, embora especialistas alertem que ameaças como a crise climática persistem. 13. Trump retoma agenda pró-fósseis nos Estados Unidos Em abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou decretos para impulsionar a indústria do carvão e reverter políticas climáticas da gestão anterior. Além disso, manteve o apoio explícito à expansão da indústria de petróleo e gás, com a flexibilização de regras ambientais e o incentivo à exploração em terras federais. A estratégia reacendeu o debate sobre o papel dos Estados Unidos na agenda climática global e gerou críticas de cientistas e organizações ambientais, que alertam para o aumento das emissões em um momento de agravamento da crise climática. Uma vista aérea mostra casas destruídas enquanto pelo incêndio em Palisades, em Los Angeles Getty Images 14. Calor e seca intensificam incêndios e ampliam destruição em 2025 Em 2025, incêndios florestais voltaram a causar destruição em diferentes partes do mundo, impulsionados por ondas de calor mais intensas e períodos prolongados de seca. Nos Estados Unidos, os incêndios que atingiram a Califórnia em janeiro forçaram evacuações, destru residências e reacendeu o alerta sobre a vulnerabilidade de regiões urbanas cercadas por vegetação ressecada. Ao longo do ano, grandes incêndios também foram registrados no Canadá, no sul da Europa e em partes da América do Sul, afetando a qualidade do ar, sobrecarregando sistemas de emergência e liberando grandes volumes de gases de efeito estufa. 15. Tratado do alto-mar liderado pela ONU entra em vigor em 2026 O Tratado de Alto-Mar ou Tratado sobre a Conservação e Uso Sustentável da Diversidade Biológica Marinha em Áreas Além da Jurisdição Nacional (BBNJ), primeiro acordo global voltado à proteção da biodiversidade em águas internacionais, alcançou o número necessário de ratificações em 2025. O texto prevê a criação de áreas marinhas protegidas e exige avaliações de impacto ambiental para atividades econômicas em alto-mar. A meta é proteger 30% do oceano até 2030. 16. Energias renováveis são eleitas o “Avanço do Ano” pela Science A revista Science destacou o crescimento acelerado das energias renováveis como o principal avanço científico de 2025. Dados mostram que solar e eólica cresceram acima da demanda global por eletricidade e ultrapassaram o carvão, passando de um terço da matriz elétrica mundial. Mais Lidas
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January 1, 2026 at 4:28 AM
12 ideias para deixar a festa infantil mais sustentável (sem perder a diversão!)
Organizar uma festa infantil é sempre um momento especial — e também pode ser uma oportunidade de ensinar, na prática, valores importantes para as crianças. Com algumas escolhas simples, é possível reduzir o desperdício, cuidar do meio ambiente e ainda manter tudo colorido, alegre e divertido. Sustentabilidade não precisa ser complicada nem sem graça: pelo contrário, pode trazer ainda mais criatividade e significado para a comemoração. Confira ideias fáceis para tornar a festa mais consciente, sem perder o encanto. 1. Escolha um tema ligado à natureza Floresta, animais, jardim, oceano ou arco-íris são temas que estimulam o contato com a natureza e facilitam o uso de elementos naturais na decoração. Além de lindos, eles ajudam a criar uma festa mais leve e cheia de significado. 2. Invista em decoração reutilizável Bexigas biodegradáveis, bandeirolas de tecido, flores em vasos e painéis feitos com papel kraft, juta ou tecidos reaproveitados são ótimas opções. O melhor: tudo pode ser guardado e usado em outras comemorações. Tema de festa relacionado à natureza Reprodução Instagram/catalinapadovanidesign 3. Diga não ao plástico descartável Sempre que possível, substitua copos, pratos e talheres descartáveis por versões reutilizáveis, de bambu ou compostáveis. Além de sustentáveis, eles costumam deixar a mesa mais bonita e organizada. 4. Monte um cardápio mais consciente Prefira ingredientes locais e da estação, evitando alimentos ultraprocessados. Suquinhos naturais, frutas cortadas e docinhos caseiros costumam agradar as crianças e reduzem o impacto ambiental. 5. Apoie pequenos produtores Contratar confeiteiros, decoradores e artesãos do bairro ajuda a diminuir a pegada de transporte e ainda fortalece a economia local. É uma forma de consumir com mais consciência e proximidade. 6. Reaproveite o que já tem Antes de comprar novos itens, vale dar uma olhada no que pode ser reutilizado de festas anteriores: toalhas, potes de vidro, suportes, enfeites e até brinquedos entram nessa conta. 7. Use flores vivas ou naturais Troque arranjos artificiais por vasinhos de ervas, suculentas ou flores naturais. Depois da festa, elas podem ser replantadas ou levadas para casa como lembrança. 8. Lembrancinhas que florescem Mudinhas, sementes, ecobags, livros ou brinquedos sustentáveis são opções que duram mais do que lembrancinhas descartáveis e ainda deixam uma mensagem positiva para as crianças. Não use embalagens individuais Reprodução Instagram/amoracozinhadefesta 9. Evite embalagens individuais Sirva as comidas em porções maiores ou use potes retornáveis. Além de reduzir o lixo, essa escolha deixa a mesa mais bonita e prática para servir. 10. Crie estações de reciclagem Disponha lixeiras separadas e bem sinalizadas para reciclagem. As crianças aprendem observando e participando — e a festa vira também um momento educativo. 11. Roupas com propósito Que tal alugar fantasias, trocar com amigas ou usar peças que possam ser reaproveitadas depois? Dá para criar looks criativos sem precisar comprar algo novo só para a ocasião. 12. Brincadeiras sustentáveis Oficinas de plantio, atividades artísticas com materiais recicláveis ou uma caça ao tesouro ecológica garantem diversão e ainda reforçam o cuidado com o planeta de forma leve. Mais Lidas
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January 1, 2026 at 4:28 AM
Mulheres estão mais preocupadas, conscientes e pessimistas com relação às mudanças climáticas
No ano em que a COP-30 colocou a descarbonização no centro das discussões sobre o clima no Brasil, as mulheres seguem mais preocupadas com o futuro do planeta do que os homens. Pelo menos é o que revela uma pesquisa que acaba de ser divulgada. Realizada pela Descarbonize Soluções, empresa especializada em energia limpa, ela mostra que as brasileiras estão mais dispostas a fazerem trocas de consumo para uma economia mais sustentável. O levantamento feito com mais de 500 brasileiros das cinco regiões do Brasil concluiu que 52% das mulheres disseram que planos concretos para adotar hábitos mais conscientes no ano que vem. Entre os homens, o número é de 43%, quase dez pontos percentuais abaixo. Mulheres também são mais pessimistas Para a equipe que realizou a pesquisa, fatores sociais explicam o interesse das mulheres na questão. Como elas estão no dia a dia mais ligadas às tarefas domésticas e à rotina de cuidados, costumam ter mais poder de decisão no planejamento doméstico. O estudo mostra também que 61% das mulheres está ciente de que o planta vai sofrer mais consequências graves das mudanças climáticas, dez pontos a mais do que entre os homens. As mulheres também são mais pessimistas: 59% acreditam que faltam recursos para mitigação dos efeitos das catástrofes — entre os homens, este número é de 42%. Saiba mais CEO da Cop-30 também vê mulheres proativas Antes do início do evento, Ana Toni, CEO da Cop-30, disse para Marie Claire que as mulheres também são mais afetadas pelas mudanças climáticas. "A mudança do clima é um acelerador de desigualdades. Se a gente já tem problemas de gênero, isso certamente se radicaliza quando falamos da crise ambiental. Na África, muitas mulheres dependem, por exemplo, de buscar água para o consumo diário. Com menos água, elas vão ter que ir mais longe. Quando aconteceu o desastre no Rio Grande do Sul, em 2024, houve problemas de violência sexual dentro dos abrigos. Quando há crises econômicas, as primeiras que perdem seus empregos são as mulheres", contou. Toni também disse que é por isso que elas se preocupam mais. Muitas soluções têm vindo de grupos de mulheres. A necessidade do acolhimento, o pensar coletivo. Elas são parte da solução. Eu sou fruto da história do feminismo, e de um feminismo que dá visibilidade para a mudança do clima. Muitas são líderes globais, como a própria Marina Silva (ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima), Christiana Figueres, na América Central, Vandana Shiva, na Índia, Wangari Maathai (Nobel da Paz por sua atuação na conservação da biodiversidade), no Quênia, Patricia Espinosa, diplomata mexicana, a ex-ministra Izabella Teixeira, entre tantas outras", elencou. Mais Lidas
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January 1, 2026 at 4:28 AM
Monitoramento inédito começa a mapear cavalos-marinhos no litoral norte de São Paulo
Um monitoramento inédito prioriza a presença de cavalos-marinhos no litoral norte de São Paulo, uma região onde, até agora, havia apenas registros pontuais e sem acompanhamento sistemático. As primeiras incursões em campo, realizadas durante o mês de dezembro, já confirmaram a ocorrência dos animais em diferentes praias de Ubatuba. Dessa forma, está sendo elaborado um diagnóstico mais amplo que também inclui Caraguatatuba, Ilhabela e São Sebastião. Apesar de o cavalo-marinho ser um dos peixes mais emblemáticos da costa brasileira, São Paulo nunca teve um estudo dedicado à avaliação de suas populações, informou o projeto cavalos-marinhos. “Até hoje não existia um estudo dedicado à avaliação da população de cavalos-marinhos no estado de São Paulo. Desconhecemos o tamanho populacional. Há, apenas, registros esporádicos relacionados a estudos sobre peixes e atividades pesqueiras. Este é um estudo inédito dedicado à população de cavalos-marinhos no estado de São Paulo”, explica a coordenadora geral do Projeto Cavalos-Marinhos, Natalie Freret-Meurer. Os registros iniciais foram feitos em águas rasas e identificaram o cavalo-marinho-do-focinho-longo (Hippocampus reidi), espécie distribuída na costa brasileira, mas considerada ameaçada no mundo. Entre os principais fatores de risco estão a destruição de habitats como manguezais e recifes, a poluição costeira, a captura acidental na pesca e o comércio ilegal para fins ornamentais. Durante o monitoramento, os pesquisadores coletam uma série de informações que ajudam a entender a saúde da população e do ambiente. São avaliados, por exemplo, o tamanho dos animais, o sexo, o estágio de desenvolvimento, a profundidade e o tipo de substrato onde foram encontrados — que pode variar de algas e esponjas a galhos, rochas e, cada vez mais frequentemente, resíduos plásticos. A temperatura da água e as características do habitat também entram na análise. A iniciativa é conduzida pelo Projeto Cavalos-Marinhos, que há mais de duas décadas atua na pesquisa e na proteção desses animais em áreas como as baías de Guanabara, Sepetiba e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, além da Região dos Lagos. Estudo realizado na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro Projeto Cavalos-Marinho A chegada a São Paulo marca uma nova etapa do trabalho, com o conhecimento sobre a distribuição da espécie ao longo da costa sudeste. Saiba mais Além de gerar dados científicos, o monitoramento tem um papel estratégico para a conservação. Sem informações confiáveis sobre onde os cavalos-marinhos vivem e em que quantidade, fica difícil definir áreas prioritárias de proteção ou orientar políticas públicas voltadas à preservação da fauna marinha. O contexto torna esse levantamento ainda mais necessário: o litoral está cada vez mais pressionado pela urbanização, pelo turismo intenso e pela poluição. O que fazer ao encontrar um cavalo-marinho? Especialistas do projeto alertam que a atitude da população pode fazer diferença na proteção da espécie. Ao avistar um cavalo-marinho vivo no mar, a orientação é não tocar nem tentar removê-lo do local — o simples estresse será prejudicial. Registrar a data e o local do encontro e comunicar aos pesquisadores ajuda a ampliar o banco de dados sobre a espécie - acesseo o site do projeto. Caso o animal esteja ferido, com dificuldade de nadar ou morto, a recomendação é acionar equipes especializadas para o resgate ou registro necessário e adequado – por meio de whatsapp (21) 99379-6417. Também é importante lembrar que os cavalos-marinhos são protegidos por lei no Brasil, sendo proibida sua captura, transporte ou comercialização. Denúncias de crimes ambientais podem ser feitas aos órgãos ambientais locais ou ao Ibama, por meio do telefone 0800 61 8080 (ligação gratuita) para todo o Brasil ou pelo seguinte e-mail: [email protected]. Mais Lidas
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January 1, 2026 at 4:28 AM
Maioria no STF abre caminho para lei de Mato Grosso vigorar em 2026 e acelera esvaziamento da Moratória da Soja
A formação de maioria no Supremo Tribunal Federal (STF) é suficiente para que a lei de Mato Grosso, que retira incentivos fiscais de empresas signatárias de acordos ambientais, entre em vigor a partir de 2026 - criando um marco jurídico que, na prática, amplia o desmonte da Moratória da Soja após quase duas décadas de vigência. Embora o julgamento do mérito ainda não tenha sido concluído, sete ministros já acompanharam o entendimento do relator, Flávio Dino, de que estados têm prerrogativa constitucional para conceder ou retirar benefícios fiscais. Com isso, o dispositivo central da lei mato-grossense, aprovada no fim de 2024, passa a produzir efeitos, impactando as tradings que aderiram voluntariamente à Moratória da Soja. Firmado em 2006 entre empresas compradoras de soja, organizações da sociedade civil e, posteriormente, o governo federal, o acordo estabelece que as signatárias não comprem soja cultivada em áreas da Amazônia desmatadas após julho de 2008. A exigência vai além do Código Florestal, que permite a supressão legal de até 20% da vegetação em propriedades rurais no bioma. Com a nova interpretação do STF, as empresas passam a ter de escolher entre manter critérios ambientais mais rigorosos ou preservar os incentivos fiscais concedidos pelo maior estado produtor de soja do país. No setor, a avaliação predominante é de que a decisão econômica tende a prevalecer, inviabilizando a atuação coletiva que sustenta a moratória. Segundo apuração exclusiva Reuters, duas grandes tradings globais já confirmaram que pretendem abandonar formalmente o acordo para não perder benefícios fiscais em Mato Grosso. Outras empresas ainda avaliam o momento e a forma de saída, mas fontes ouvidas pela agência afirmam que o movimento deve se ampliar nos próximos meses, encerrando, na prática, um pacto criado para conter o avanço da soja sobre a floresta amazônica. A interpretação sobre o impacto da decisão do Supremo e o esvaziamento do acordo também foi feita pelo site Capital Reset, que apurou junto a executivos do setor que a escolha entre preservar incentivos fiscais ou manter compromissos ambientais mais restritivos tende a levar as empresas a abandonar a atuação coletiva da moratória. Na mesma sessão em que consolidou o entendimento favorável às leis estaduais, o STF também reconheceu a legalidade da Moratória da Soja como acordo privado. A decisão, no entanto, tende a ter efeito limitado sobre um arranjo cada vez mais esvaziado de signatários. As principais tradings do setor — como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e COFCO — evitam comentar publicamente o tema e se manifestam apenas por meio de entidades setoriais, como a Abiove e a Anec. Do outro lado da disputa está a Aprosoja-MT, que lidera uma ofensiva judicial, legislativa e administrativa contra a moratória, sob o argumento de que o acordo impõe restrições além da legislação brasileira, prejudicando a renda e o desenvolvimento econômico do estado. O próprio STF chegou a estabelecer prazo para que produtores e empresas negociassem uma solução consensual, mas interlocutores do setor avaliam que não há mais espaço para composição. Uma das alternativas discutidas internamente entre as signatárias seria modificar os critérios do acordo para permitir o desmatamento legal, alinhando-o ao Código Florestal. A mudança, no entanto, descaracterizaria a moratória original, reduzindo-a a um instrumento reputacional sem impacto ambiental direto. Saiba mais Enquanto isso, grandes compradores de soja — inclusive da indústria de alimentos — afirmam que pretendem manter políticas individuais de desmatamento zero na Amazônia. A estratégia, porém, tende a elevar custos de rastreabilidade, hoje compartilhados entre as empresas participantes da moratória. O enfraquecimento do acordo ocorre em um contexto de pressão internacional crescente. A lei antidesmatamento da União Europeia, prevista para entrar em vigor em 2026, proíbe a importação de commodities agrícolas oriundas de áreas desmatadas após dezembro de 2020, legal ou ilegalmente. Cade e a acusação de formação de cartel Em outra frente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou no segundo semestre o fim da chamada “Moratória da Soja”. Em nota, a área técnica do Cade acusou 30 grandes empresas exportadoras de formação de cartel e duas associações representativas - Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) - de indução à conduta uniforme. Há quase duas décadas, as tradings dividem os custos de monitoramento e rastreamento das lavouras de soja na Amazônia para evitar a compra de grãos produzidos em áreas recém-desmatadas. A medida determinava que as empresas se abstivessem de coletar, armazenar, compartilhar ou disseminar informações comerciais referentes à venda, produção ou aquisição de soja – tanto de produtores rurais como de empresas exportadores –, com destaque às informações referentes a preço, volume e origem do produto comercializado, dentre outras medidas. Em novembro, no entanto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu todas as ações e processos, judiciais e administrativos, que discutem a legalidade da Moratória da Soja. A medida vale até o julgamento definitivo do tema pelo Supremo. Mais Lidas
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January 1, 2026 at 4:28 AM
Pepino e laranja lideram ranking de irregularidades por agrotóxicos em alimentos no Brasil, indica estudo da Anvisa
Pepino, laranja e couve estão no topo da lista de alimentos com maior proporção de irregularidades relacionadas ao uso de agrotóxicos no Brasil. Os dados fazem parte dos resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), divulgados pela Anvisa e analisados pelo Repórter Brasil. No ciclo com dados coletados em 2024, o programa avaliou 3.084 amostras de 14 alimentos de origem vegetal, coletadas em supermercados e sacolões de 88 municípios brasileiros. Do total analisado, 636 amostras (20,6%) foram consideradas insatisfatórias, seja por conter resíduos acima do Limite Máximo de Resíduos (LMR), seja pela presença de agrotóxicos não autorizados para a cultura analisada. Apesar do percentual ainda elevado, o índice representa o menor patamar desde 2017, segundo a agência. Entre os alimentos analisados, o pepino apresentou o pior desempenho, com 46% das amostras irregulares entre 217 unidades avaliadas. Em seguida, aparecem a laranja, com 39% de irregularidades em 240 amostras, e a couve, com 35% em 204 amostras. Também ficaram acima da média geral a uva (28%), a maçã (27%), a abobrinha (26%) e o mamão (21%). Já produtos como milho, farinha de trigo e soja apresentaram baixos índices de não conformidade. De acordo com a Anvisa, 12,2% das amostras continham resíduos de agrotóxicos não permitidos para a cultura, 5,6% apresentaram níveis acima do limite legal e 0,1% continham substâncias proibidas no Brasil. Por outro lado, 79,4% das amostras foram consideradas satisfatórias — 25,6% sem qualquer resíduo detectado e 53,8% com resíduos dentro dos limites permitidos. Durante a apresentação dos dados, a gerente de Monitoramento e Avaliação de Risco da Anvisa, Adriana Torres, destacou que a classificação “insatisfatória” não implica automaticamente risco à saúde. Segundo ela, o risco depende da quantidade consumida e do nível de resíduo presente. Por outro lado, o monitoramento pode conter imprecisões, segundo a toxicologista Karen Friedrich, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), ouvida pelo Repórter Brasil. Ela ressalta que o PARA não permite comparações históricas consistentes, já que nem todos os alimentos são analisados todos os anos e a lista de agrotóxicos pesquisados varia a cada ciclo. Saiba mais Outro ponto crítico, segundo Friedrich, é que a avaliação de risco considera padrões de consumo de pessoas acima de 10 anos, o que pode subestimar os impactos sobre bebês e crianças. O PARA está em operação desde 2001 e já analisou mais de 45 mil amostras de alimentos em todo o país. O plano plurianual prevê o monitoramento de 36 alimentos, que representam cerca de 80% do consumo de produtos vegetais no Brasil, segundo o IBGE. A Anvisa afirma que os resultados do programa têm subsidiado ações regulatórias, inclusive, restrições de uso e retirada de produtos do mercado. Mais Lidas
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December 31, 2025 at 1:15 AM
Na pandemia, pássaros urbanos mudaram o bico — e depois voltaram ao normal
Durante os lockdowns da pandemia de Covid-19, quando ruas e campi universitários ficaram vazios, a fauna urbana não apenas mudou de comportamento. Alguns animais parecem ter mudado fisicamente. Um novo estudo, detalhado pela Smithsonian Magazine, indica que pequenas aves urbanas de Los Angeles desenvolveram bicos mais longos durante o período de restrição social e, poucos anos depois, voltaram à forma original. A pesquisa, publicada em dezembro na Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou populações de aves que vivem no campus da Universidade da Califórnia em Los Angeles. E o detalhe é que os cientistas observaram que indivíduos nascidos em 2021 e 2022, no período em que a circulação de pessoas ainda era reduzida, apresentavam bicos mais longos e finos, semelhantes aos de aves que vivem em áreas naturais. Já em 2023 e 2024, com a retomada da rotina urbana, os bicos voltaram a ser mais curtos e robustos. Antes da pandemia, essas aves urbanas se alimentavam em grande parte de restos deixados por humanos, como pão, biscoitos, pizza. Com o desaparecimento repentino dessa fonte fácil de alimento, indivíduos capazes de explorar melhor sementes e insetos naturais parecem ter levado vantagem, sobrevivendo mais e se reproduzindo com mais sucesso. O resultado foi uma mudança perceptível em poucas e recentes gerações. “Ficamos realmente surpresos com a intensidade dessa transformação”, afirmou a ecóloga e uma das autoras do estudo, Eleanor Diamant. Segundo os pesquisadores, trata-se de um dos primeiros registros claros de mudanças físicas reversíveis em animais associadas às restrições impostas pela pandemia. O fenômeno reforça, segundo o estudo, que a evolução pode acontecer muito mais rápido do que se imagina — especialmente em ambientes urbanos, onde a presença humana atua como uma força seletiva. Casos semelhantes já foram observados em outros contextos, como mariposas que escureceram na Revolução Industrial ou beija-flores que desenvolveram bicos maiores com a popularização de comedouros artificiais. Mais Lidas
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December 31, 2025 at 1:15 AM
MBRF defende modelo escalável para uma transição justa no campo
A COP 30 consolidou debates que o Brasil vem amadurecendo há anos, mas que ganharam maior clareza e densidade política ao longo da Conferência. Essa é a avaliação do diretor de sustentabilidade e relações institucionais da MBRF, Paulo Pianez. Segundo o executivo, as discussões estiveram fortemente ancoradas em três grandes eixos: florestas e uso da terra, agricultura e sistemas alimentares e financiamento climático. Todos esses temas foram atravessados por um princípio comum: a constatação de que a transição em curso não pode ser retórica nem fragmentada, mas estrutural, capaz de articular ambição ambiental, inclusão social e lógica econômica de forma consistente e viável. Nesse contexto, a MBRF avaliou ter tido a oportunidade de apresentar, de forma prática, como esses pilares podem ser integrados em um modelo produtivo já em funcionamento no Brasil. A experiência foi levada a diferentes painéis da Conferência como um exemplo de que é possível conciliar aumento de produção, conservação ambiental e inclusão social, especialmente em cadeias diretamente ligadas ao uso da terra. Segundo Pianez, a COP30 deixou mais evidente que a Amazônia não pode ser tratada como um bloco monolítico de floresta intocada. Embora a maior parte do bioma ainda esteja preservada, sua manutenção depende diretamente de como o país utiliza as áreas já destinadas à produção. “A preservação da floresta passa por fazer melhor uso do que já está aberto, garantindo que a atividade econômica ajude a financiar a própria conservação”, avalia. Essa leitura dialoga diretamente com a meta brasileira de alcançar o desmatamento zero até 2030. Dados recentes do Prodes e do Mapbiomas, citados por Pianez, indicam queda no desmatamento entre agosto de 2024 e julho de 2025 em relação ao ciclo anterior, mas também revelam um ponto crítico: mais de 90% do desmatamento registrado segue sendo ilegal. Para o especialista, isso reforça que o primeiro passo é fazer valer a legislação existente. “A aplicação efetiva do Código Florestal resolveria a maior parte do problema. A partir daí, entramos na segunda etapa, que é criar incentivos econômicos e instrumentos financeiros para evitar inclusive o desmatamento legal”, afirma. Apostas da MBRF Foi nesse terreno que a companhia buscou contribuir para o debate internacional. A MBRF apresentou sua experiência com um modelo produtivo que combina inclusão de produtores, tecnologia, financiamento e mecanismos robustos de controle. No centro dessa estratégia está o Programa Verde+, estruturado em 2019 e lançado em 2020. O princípio central do programa é o da produção-conservação-inclusão. A lógica parte do reconhecimento de que, ao identificar um problema na ponta da cadeia, a solução mais eficaz não é excluir o produtor, mas apoiá-lo para que consiga se adequar e permanecer na cadeia de suprimentos. “Quando você exclui, o problema continua existindo. Quando você inclui com critérios, você induz mudança real no território”, resume Pianez. A partir dessa premissa, o modelo foi estruturado em três pilares. O primeiro é o da tecnologia e inovação, com foco em assistência técnica, tecnificação e adoção de práticas de produção de baixa emissão. Isso inclui manejo adequado de pastagens, sistemas integrados de produção, como lavoura-pecuária-floresta, e melhoria genética do rebanho, permitindo ganhos simultâneos de produtividade e redução de emissões. Segundo a empresa, em 2019, a idade média de abate dos animais ficava entre 34 e 36 meses. Em 2024, esse número caiu para cerca de 29 meses , enquanto o rendimento por carcaça aumentou 17%. A redução do tempo de vida do animal até o abate diminui as emissões e reduz a pressão por abertura de novas áreas, além de melhorar a rentabilidade do produtor. O segundo pilar é o financiamento da transição. Pianez destaca que, embora o setor já saiba o que fazer e como fazer, o acesso a recursos segue sendo um dos principais gargalos. Desde 2019, a MBRF captou US$ 500 milhões em Sustainable Transition Bonds e, posteriormente, US$ 37 milhões em uma operação com o &Green Fund, direcionando esses recursos para a implementação das práticas sustentáveis em sua cadeia de fornecedores. “Sem crédito e instrumentos financeiros adequados, a transição não acontece”, afirma. O terceiro pilar envolve mecanismos de controle e integridade. A companhia adotou um sistema de monitoramento geoespacial baseado em tecnologia de satélite que, até o fim deste ano, alcança 100% dos fornecedores diretos e indiretos. A partir da integração de documentos oficiais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a Guia de Trânsito Animal (GTA), o sistema permite rastrear o animal desde a fazenda de origem até a chegada à indústria, verificando se houve associação com desmatamento, terras indígenas, territórios quilombolas ou unidades de conservação. Para a empresa, as ferramentas necessárias para esse controle já existem no Brasil. O desafio está em viabilizar a articulação entre os diferentes atores (setor privado, poder público e sistema financeiro) para que esses mecanismos funcionem em escala nacional. As discussões da COP também reforçaram a importância da taxonomia e de novos instrumentos financeiros, como o Tropical Forest Forever Facility (TFFF), para destravar recursos, especialmente internacionais. Na avaliação de Pianez, a Taxonomia Rural Sustentável (que faz parte da Taxonomia Sustentável Brasileira) é fundamental para criar critérios claros de elegibilidade e orientar investimentos, mas precisa estar conectada a sistemas de crédito redesenhados para alcançar o produtor na ponta, especialmente os pequenos e médios. Ao levar esse conjunto de experiências para a COP 30, a MBRF buscou demonstrar que os quatro grandes eixos do debate climático já estão refletidos em um modelo produtivo em operação no Brasil. Ao controlar emissões, evitar desmatamento e conversão de áreas naturais e, ao mesmo tempo, promover inclusão social, a empresa defende que é possível materializar o conceito de transição justa no campo. “A agenda climática só se sustenta no longo prazo se gerar benefícios reais para quem produz”, conclui Pianez. Embora reconheça que ainda há desafios e muito a ser implementado, o executivo avalia que a experiência acumulada mostra que soluções brasileiras podem contribuir de forma concreta para a transição climática global, especialmente em um país onde produção agropecuária e conservação ambiental precisam caminhar juntas.
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December 31, 2025 at 1:15 AM
Entre retrocessos políticos e oportunidades econômicas, investimento sustentável entra em nova fase, diz banco suíço
O ano de 2025 ficará marcado como um período de contradições para a agenda climática global. De um lado, retrocessos políticos, fragmentação regulatória e enfraquecimento da cooperação internacional. De outro, um avanço cada vez mais relevante do capital privado, que segue financiando a transição energética, a adaptação climática e setores-chave como energia, água, saúde e infraestrutura. A avaliação é do banco suíço Lombard Odier, em análise assinada por Sophie Chardon, líder de Investimentos Sustentáveis do private bank do grupo. A desconexão entre ambição pública e dinâmica econômica ficou evidente ao longo do ano. A volta de Donald Trump à Casa Branca resultou na retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, na redução do alcance da Inflation Reduction Act (IRA, programa de incentivo à transição verde) e até na exclusão de termos como “mudança climática” e “descarbonização” das comunicações federais. Na Europa, o Parlamento reduziu o escopo das exigências de divulgação corporativa em sustentabilidade e propôs mudanças no Regulamento de Divulgação de Finanças Sustentáveis (SFDR), em resposta a críticas sobre complexidade e aplicabilidade. No campo multilateral, o adiamento da votação de um imposto global de carbono para o transporte marítimo pela Organização Marítima Internacional — agora empurrado para 2028 — e o uso estratégico, pela China, de sua posição dominante em terras raras reforçaram o cenário de fragmentação. O resultado da COP30 refletiu esse ambiente: poucas decisões estruturais e ausência de compromissos globais mais robustos, na visão dos especialistas do banco suíço. Ainda assim, os impactos físicos das mudanças climáticas continuam avançando — e pressionando a economia. O custo de inação, portanto, passou a ser observado. Apenas no primeiro semestre de 2025, eventos climáticos extremos causaram US$ 101,4 bilhões em prejuízos nos Estados Unidos, o semestre mais caro já registrado, segundo a Climate Central. Globalmente, a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C é cada vez mais vista como fora de alcance, pelo menos por um período de tempo. Saiba mais Capital privado assume protagonismo Paradoxalmente, é nesse contexto de retrocesso político que o investimento sustentável começa a mostrar sinais claros de maturidade. Segundo dados da Morningstar coletados pelo Lombard Odier, os ativos globais sob gestão em estratégias sustentáveis alcançaram US$ 3,7 trilhões até setembro de 2025. O banco avalia que, após anos em que a sustentabilidade esteve fortemente associada à mitigação de emissões e a políticas públicas, o foco começa a se deslocar para adaptação climática, resiliência e soluções economicamente viáveis. A lógica muda: menos promessas de longo prazo, mais projetos com retorno financeiro, impacto mensurável e aderência às realidades regionais. Essa transição também se reflete no comportamento dos mercados. Depois de um período de desempenho fraco das ações de tecnologia limpa em 2022 e 2023, pressionadas pela alta dos juros, alguns fundos temáticos voltaram a superar benchmarks tradicionais em 2025, especialmente nos temas de eletrificação e energias renováveis. Investidores passaram a priorizar empresas financeiramente robustas, com modelos escaláveis e capacidade de operar em um ambiente de custo de capital mais normalizado. Apesar das incertezas políticas, os vetores estruturais da transição energética também permanecem fortes. No primeiro semestre de 2025, os Estados Unidos investiram US$ 136 bilhões em soluções de energia limpa. A China liderou os investimentos globais, com fontes renováveis já representando 46% da capacidade de geração elétrica do país. Segundo a consultoria Systemiq, o mundo está próximo de ultrapassar pontos de inflexão econômicos em tecnologias de descarbonização que hoje cobrem cerca de 40% das emissões globais — percentual que pode chegar a 75% até 2035. Esses pontos marcam o momento em que soluções limpas se tornam mais baratas do que alternativas fósseis, permitindo uma expansão acelerada e exponencial. O que emerge desse cenário é uma mudança de fase, de acordo com os especialistas. A sustentabilidade deixa de ser tratada apenas como custo regulatório ou promessa de longo prazo e passa a ser vista como vetor de competitividade, segurança energética, adaptação climática e redução de riscos econômicos. Mesmo nos Estados Unidos, o número de empresas que adotam metas de redução de emissões baseadas na ciência continuou crescendo em 2025. Mais do que um recuo da ambição, o movimento indica uma recalibração: menos retórica, mais execução. Em um mundo mais fragmentado e sujeito a choques climáticos, a transição tende a ser mais regional, mais pragmática — e cada vez mais guiada por oportunidades concretas de investimento. Oportunidades de investimentos Ao elencar setores que podem atrair investidores, o Lombard Odier destaca o segmento de data centers. Com a rápida expansão da inteligência artificial, a demanda global de eletricidade de data centers deve mais que dobrar até 2030, superando 1.000 TWh — mais do que o consumo atual do Japão. Nos Estados Unidos, eles já respondem por quase metade do crescimento da demanda elétrica. Esse movimento desloca o foco dos investimentos para áreas menos visíveis, mas estratégicas: fabricantes de transformadores, cabos, disjuntores e painéis elétricos. Diferentemente dos sistemas fósseis, a geração renovável é intermitente e exige redes mais robustas, capazes de operar em picos de oferta e demanda. A pressão sobre a cadeia de suprimentos reforça essa oportunidade. Cabos de transmissão de longa distância têm filas de espera superiores a cinco anos; transformadores, atrasos de até quatro anos. Para investidores, esses gargalos garantem previsibilidade de receitas e maior resiliência de margens. O armazenamento de energia segue como um dos pilares da transição. Os preços das baterias de íon-lítio caíram cerca de 25% em 2024, para US$ 110 por kWh, e podem cair abaixo de US$ 65 por kWh até 2030, segundo projeções da BloombergNEF. Essa trajetória abre espaço para a eletrificação de setores difíceis de descarbonizar, como transporte pesado, navegação e aviação regional. A água também ganha protagonismo. O estresse hídrico associado às mudanças climáticas e a expansão de data centers impulsionam investimentos em monitoramento, tratamento e eficiência. Tecnologias de sensores, diagnósticos com IA, reutilização e abastecimento sustentável passam a integrar estratégias de adaptação e financiamento climático, especialmente em agricultura, infraestrutura urbana e energia. Saúde entra no radar das finanças sustentáveis Outro setor que avança é o de saúde, cada vez mais associado à adaptação climática e à resiliência social. A Estratégia Global de Saúde da Organização Mundial da Saúde para 2025–2028 prevê salvar 40 milhões de vidas ao enfrentar riscos climáticos, ampliar o acesso ao atendimento e fortalecer sistemas de saúde. Infraestrutura, diagnósticos e plataformas digitais surgem como áreas com potencial simultâneo de impacto social e crescimento econômico, à medida que a cobertura universal de saúde se consolida como prioridade global. Mais Lidas
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December 31, 2025 at 1:15 AM
ONG que protege golfinhos em Noronha concorre a prêmio internacional por votação popular
O Projeto Golfinho Rotador, ONG que promove a proteção dos cetáceos em Fernando de Noronha (PE), está concorrendo ao prêmio People’s Choice Award da Green Destinations, organização internacional que incentiva destinos e comunidades a desenvolverem soluções sustentáveis. A votação para essa categoria é aberta ao público e está disponível até o dia 15 de janeiro. O Projeto Golfinho Rotador, que é mantido pela Petrobras, já está entre os TOP 30 melhores projetos de turismo sustentável do planeta, e agora concorre a uma vaga entre os TOP 3 globais. O anúncio dos vencedores será em janeiro de 2026, durante a ITB Berlin, a maior feira de turismo do mundo. "Chegar a essa etapa mostra que é possível proteger a biodiversidade e, ao mesmo tempo, promover um turismo consciente e responsável", afirma Cynthia Gerling, coordenadora de Educomunicação Ambiental do projeto. "A ciência e a educação ambiental são ferramentas poderosas de transformação, não só para Noronha, mas como inspiração para outros destinos no Brasil e no mundo", diz Gerling. Criado em 1990, a ONG monitora os golfinhos rotadores, espécie que passa pela costa do arquipélago diariamente, além de cumprir o papel de educar quem visita Noronha. Além disso, a iniciativa tem a missão de conservar a sociobiodiversidade do oceano e dos animais, unindo pesquisa científica e educação ambiental. Para votar no projeto no People’s Choice Award, o internauta deverá acessar o formulário no site oficial da Green Destinations, realizar o cadastro e concluir a votação. Mais Lidas
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December 31, 2025 at 1:15 AM
Veja dicas para se proteger da onda de calor extremo
A onda de calor que afeta diversos estados do país neste final de ano, em especial as regiões Sudeste e Centro-Oeste, traz riscos reais à saúde. O calor pode levar à falência térmica do corpo, com sintomas como confusão mental, pele quente e seca e temperatura corporal acima de 40º C. O risco de morte é maior para idosos e pessoas com alguma doença, como diabetes e hipertensão, além de Alzheimer e insuficiência renal. Para evitar que o corpo sofra com o calor, é necessário tomar alguns cuidados. Confira algumas recomendações: - Reforce a hidratação. Beba mais água e evite bebidas alcoólicas. Em vez de aliviar o calor, o álcool acelera a desidratação; - Use roupas com tecidos respiráveis. Roupas escuras e pesadas retêm calor e dificultam a ventilação; - Tenha cuidado com banhos gelados, que provocam efeito rebote e fazem o corpo aumentar a produção de calor. Saiba mais Cuidados em casa: - Sempre que possível, proteja a casa da entrada de calor, feche portas, janelas e cortinas durante as horas mais quentes e abra de noite para refrescar; - Use ventiladores e aparelhos de ar condicionado, se disponíveis; mas sem exagerar na regulagem do frio para não causar choque térmico. Fora de casa: Antes de planejar suas atividades, procure saber quão quente e úmido será o dia; não saia durante os horários mais quentes; quando estiver ao livre, use protetor solar, chapéus e guarda-chuvas; evite permanecer em ambientes fechados e sem circulação de ar, onde o calor se acumula e pode ser mais intenso do que ao ar livre. saiba como obter ajuda, anote telefones e informações sobre o serviço de saúde ou de ambulância – para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ligue 192. Mais Lidas
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December 31, 2025 at 1:16 AM
Ondas de calor e enchentes foram extremos de maior destaque em 2025, aponta WWA
“Embora 2025 tenha sido ligeiramente mais frio do que 2024 globalmente, ainda foi muito mais quente do que quase qualquer outro ano já registrado e os impactos desse calor foram inegáveis”, afirma relatório final de 2025 do coletivo científico WWA (World Weather Attribution), especializado em calcular o impacto do aquecimento global sobre eventos climáticos. O documento foi publicado nesta segunda-feira (29). As temperaturas durante o ano intensificaram ondas de calor prolongadas, agravaram condições de seca e o risco de incêndios, afirmam os pesquisadores. O calor acima da média atuou ainda como fator para aumentar chuvas e ventos extremos associados a tempestades e inundações severas, que resultaram em milhares de mortes e no deslocamento de milhões de pessoas, destaca o WWA, que tem sede em Londres e colaboradores ao redor do globo. Neste ano, 157 eventos entraram na classificação de extremos do grupo, sendo ondas de calor e enchentes os mais recorrentes, com cerca de dois terços dos registros. Tempestades vêm em seguida, assim como os incêndios florestais. De todos os eventos monitorados, o WWA estudou 28. “Nos 22 eventos extremos que analisamos em profundidade, ondas de calor, inundações, tempestades, secas e incêndios florestais causaram mortes, destruíram comunidades e devastaram plantações. Juntos, esses eventos pintam um quadro sombrio dos riscos crescentes que enfrentamos em um mundo em aquecimento”, aponta o relatório. Mapa de eventos estudados pelo WWA em 2025 mostra como efeitos da mudança climática atingem todo o planeta. WWA Os pesquisadores chamam atenção para o fato de que em 2025 o mundo rompeu a barreira de três anos seguidos com média de temperatura registrando calor 1,5°C acima da média da era pré-industrial (1850-1900), período considerado referência por guardar medições de temperatura em um mundo sem acúmulo da intensa queima de combustíveis fósseis desencadeada pela revolução industrial. As ondas de calor de 2025 fizeram vítimas, aponta o WWA. “Na Europa, um estudo estimou que em 854 cidades, representando 30% da população europeia, 24.400 pessoas perderam a vida devido às altas temperaturas durante os meses de verão, entre junho e agosto”, afirma o relatório, se referindo a pesquisa do Imperial College de Londres. O Sudão do Sul foi também destaque, assim como a Ásia Central, Escandinávia e Groenlândia. Desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, a probabilidade de eventos de ondas de calor em algumas partes do planeta aumentaram até dez vezes, afirmam os pesquisadores. Os esforços desencadeados pelo tratado global de redução de queima de combustíveis fósseis e recuperação da natureza colocaram o planeta em uma trajetória de aquecimento de 2,6°C neste século, quando antes, estava rumo a 4°C. Em uma década apenas, a Terra se tornou 0,3°C mais quente, afirma o WWA. Com o aumento global do calor extremo e da seca devido às mudanças climáticas, as condições climáticas propícias a incêndios estão aumentando em muitas regiões do mundo. O documento lembra o começo de 2025, quando a destruição causada pelas chamas em Los Angeles (EUA) impressionou o mundo. Foram, na classificação do WWA, os incêndios florestais “mais economicamente destrutivos da história moderna”, que devastaram os bairros de Palisades e Altadena e foram associados a cerca de 400 mortes. O relatório lembra ainda que o fogo causou US$ 30 bilhões (R$ 166 bilhões) em perdas seguradas (as maiores perdas seguradas por incêndios florestais já registradas). “Em diversas linhas de evidência, encontramos um aumento significativo nas condições que impulsionaram os incêndios florestais. A melhor estimativa do aumento na probabilidade de condições climáticas extremas para incêndios devido às mudanças climáticas foi de 35%, combinada com um aumento na probabilidade do atraso na estação chuvosa e do sistema de pressão que impulsionou os ventos extremos.” Jornal Nacional: 22 cidades do estado do Rio tiveram excesso de calor no dia de Natal Os incêndios atingiram extremos também na Coreia do Sul, Espanha, Grécia, Turquia e Chipre, notou o relatório. “A maioria dos eventos climáticos extremos analisados ​​pelo grupo apresentou as marcas das mudanças climáticas. As análises também mostram que, para cada evento extremo, as populações vulneráveis ​​são sistematicamente as mais afetadas”, pontuou o grupo em nota, destacando ainda que a dependência dos combustíveis fósseis “está custando vidas, bilhões em perdas econômicas e causando danos irreversíveis a comunidades em todo o mundo”. Mais Lidas
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December 30, 2025 at 1:02 AM
Gato selvagem 'possivelmente extinto' reaparece na Tailândia depois de 30 anos sem registros
Um felino selvagem, extremamente raro e considerado possivelmente extinto na Tailândia, foi redescoberto após quase três décadas sem registros oficiais. O gato-de-cabeça-chata voltou a ser documentado a partir de um levantamento ecológico iniciado em 2024 no Santuário de Vida Silvestre Princesa Sirindhorn, no sul do país. O monitoramento, feito com armadilhas fotográficas, registrou 29 detecções da espécie, segundo autoridades ambientais tailandesas e a organização de conservação de felinos Panthera, narrou o site Phys Org. Entre as imagens, está uma fêmea acompanhada de um filhote — um registro raro para um animal que, de acordo com estudos, tem apenas um descendente por vez. De hábitos noturnos e comportamento esquivo, o gato-de-cabeça-chata vive em ambientes úmidos densos, como pântanos de turfa e manguezais de água doce, áreas de difícil acesso e que lidam com a expansão agrícola. Saiba mais A União Internacional para a Conservação da Natureza estima que restam cerca de 2.500 indivíduos adultos no mundo, classificando a espécie como ameaçada. Na Tailândia, ela figurava há anos na lista de animais “possivelmente extintos”. Pesquisadores alertam que, apesar do achado trazer esperança, a fragmentação do habitat mantém as populações isoladas e vulneráveis, além de expô-las a doenças transmitidas por animais domésticos. O desafio agora é garantir condições para a sobrevivência da espécie em longo prazo. Mais Lidas
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December 30, 2025 at 12:57 AM
Alerta: chuvas intensas ampliam risco de enchentes e deslizamentos em diferentes regiões do Brasil
O padrão do tempo que marca o fim de dezembro no Brasil traz um novo cenário preocupante: entra em cena o risco associado às chuvas intensas. A perda de força do bloqueio atmosférico, que até então manteve as temperaturas elevadas em uma forte onda de calor nos últimos dias de 2025, agora permitirá a frequência de chuvas, especialmente no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte do país. Análises da Climatempo e da MetSul Meteorologia apontam que esse bloqueio funcionava como uma espécie de “tampa”, dificultando a entrada de frentes frias e a formação de nuvens de chuva. Com o seu enfraquecimento, o ar quente e úmido volta a circular com mais liberdade, com tendências de temporais mais frequentes e intensos. Mas atenção, o calor continua presente, com sensação de abafamento e risco de transtornos associados a temporais. Saiba mais Riscos por região No Norte, a situação mais delicada envolve o Acre. A possibilidade de inundação do rio Acre é considerada alta, com nível já crítico em Rio Branco. A previsão de chuva forte ao longo do dia amplia o risco de transbordamentos, afetando áreas ribeirinhas e bairros situados em locais mais baixos. A capital acreana pode voltar a mostrar vulnerabilidade no período chuvoso. No Sudeste, o cenário combina calor persistente e aumento do risco de tempestades. Em São Paulo, a capital registra nesta segunda (29) mínima prevista de 21 °C e máxima de até 34 °C, com muitas nuvens, pancadas de chuva e risco de granizo. Embora a temperatura permaneça acima dos 30 °C, os valores ficam cerca de 3 °C abaixo do recorde recente. Dados da estação do Instituto Nacional de Meteorologia mostram uma sequência incomum de calor na última semana, com máximas que chegaram a 37,2 °C no domingo (28), bem acima da média climatológica de cerca de 28 °C para o período. Segundo a MetSul, a capital paulista entra agora em um período de temporais quase diários, com chuva forte a intensa, rajadas de vento e possibilidade de granizo tanto na cidade quanto no interior. A mudança do padrão de calor seco para um ambiente mais úmido favorece tempestades típicas de verão, com potencial para alagamentos, quedas de árvores e impactos negativos na mobilidade urbana. Diante do cenário, o governo paulista montou um gabinete de crise para enfrentar os riscos associados às chuvas. Saiba mais No Rio de Janeiro, o calor extremo ainda domina o cenário. A MetSul alerta que a onda de calor está longe do fim, com máximas entre 35 °C e 38 °C na primeira metade da semana e picos que podem chegar a 39 °C, especialmente no meio da semana. Registros recentes acima de 40 °C na Zona Oeste reforçam o quadro de desconforto térmico. Apenas a partir do fim da semana o aumento da umidade tende a favorecer chuvas mais frequentes e temporais, trazendo alívio térmico, ainda que parcial. No Sul do país, a instabilidade segue generalizada. O Rio Grande do Sul já acumula volumes expressivos de chuva, entre 150 mm e 300 mm em diversas cidades, com registro de vendavais, rajadas que chegaram a 97 km/h e até a ocorrência de um tornado na Serra Gaúcha. Nos próximos dias, a área de maior instabilidade deve avançar para Santa Catarina e Paraná, onde há previsão de acumulados entre 100 mm e 200 mm em alguns municípios, elevando o risco de enxurradas, alagamentos e deslizamentos, especialmente em áreas de relevo acidentado e com solo saturado. Mais Lidas
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December 29, 2025 at 5:36 PM
Calor intenso, pancadas de chuva e litoral favorável: confira a previsão do tempo para o Ano Novo
No Brasil, a previsão do tempo para o réveillon indica cenários diversos. Portanto, se você vai celebrar ao ar livre, fique ligado na projeção divulgada pelo Clima Tempo. O panorama mostra que o réveillon de 2025 para 2026 será marcado por calor intenso em grande parte do país, com atenção redobrada para pancadas de chuva no Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Para quem busca maior estabilidade do tempo, o litoral do Nordeste aparece como um dos destinos mais recomendados para celebrar a chegada do novo ano ao ar livre. Sudeste No Sudeste, o calor será o protagonista. A combinação de altas temperaturas e umidade favorece a formação de pancadas de chuva à tarde, algumas acompanhadas de rajadas de vento e descargas elétricas, sobretudo no interior de São Paulo, no sul de Minas Gerais e no Triângulo Mineiro, além do interior e da região serrana do Rio de Janeiro. Para a noite do dia 31, o avanço de uma frente fria aumenta a chance de chuvas rápidas entre o fim da tarde e à noite, o que pode impactar celebrações ao ar livre. Policiais militares fazem patrulha sob calor de 36 °C em São Paulo. Paulo Pinto/Agência Brasil Sul No Sul, a semana de Ano Novo será marcada por elevação das temperaturas e períodos de sol. Apesar do calor, a atuação de uma nova frente fria mantém a possibilidade de temporais de moderada a forte intensidade, especialmente durante as tardes, na faixa norte do Rio Grande do Sul, no interior de Santa Catarina e no sudoeste do Paraná. Na noite da virada, há chance de chuva fraca a moderada no litoral, com pancadas isoladas em cidades como Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba. Nuvens carregadas sobre Florianópolis, Brasil. Tendência é que a virada do Ano Novo tenha chuvas na capital de Santa Catarina. GettyImages Centro-Oeste O Centro-Oeste entra na virada do ano sob calor persistente, com máximas próximas ou acima dos 30 °C nas capitais. As chuvas continuam ocorrendo de forma isolada e típica do verão. Na noite do réveillon, Goiás concentra maior probabilidade de pancadas. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul têm tendência a registrar céu parcialmente nublado e menor risco de chuva – o que favorece comemorações externas. Nos dias de calor é essencial se manter hidratado e evitar exposição solar no período mais quente Unplash/Engin Akyurt Nordeste No Nordeste, o cenário é mais favorável para quem planeja celebrar a chegada de 2026 em praias. A semana será marcada por calor intenso, com pancadas isoladas restritas ao interior. Nas áreas litorâneas, o tempo firme predomina, com sol, calor e temperaturas em torno dos 30 °C. A previsão aponta boas condições na noite da virada, o que coloca o litoral nordestino entre os destinos mais promissores para acompanhar os fogos. Fortaleza, no Ceará, é uma cidade turística requisitada no final do ano Getty Images Norte Já no Norte, a combinação de calor e umidade mantém o padrão de sol ao longo do dia, seguido por pancadas de chuva no período da tarde. As chuvas mais intensas devem se concentrar no interior da região, com risco de temporais no sul do Pará, no centro-oeste do Amazonas, em Rondônia e no Acre. Belém terá calor pelo dia e, provavelmente, pancadas de chuva no final da tarde e início da noite. Getty Images Por outro lado, o Amapá segue sob influência da Zona de Convergência Intertropical, com chuvas frequentes e volumes elevados. Nas capitais, a previsão indica pancadas rápidas no fim da tarde. Mais Lidas
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December 29, 2025 at 5:36 PM
Desigualdade térmica: até 15°C separam favelas e bairros ricos de São Paulo durante ondas de calor
Nos dias mais quentes do verão, São Paulo vive realidades térmicas desiguais. Em bairros arborizados e de alto padrão, o calor pode ser incômodo, mas costuma ser atenuado por ruas sombreadas, áreas verdes e pela possibilidade de se refugiar em ambientes climatizados. Nas favelas, a realidade é oposta. O vento mal circula entre as vielas estreitas e construções sobrepostas, onde dificilmente há espaço para árvores. E assim, o verão deixa de ser apenas desconfortável e representa uma batalha cotidiana para dormir, trabalhar e estudar, com impactos diretos sobre a saúde e o custo de vida. Essa desigualdade térmica foi quantificada por um estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Estudos da Favela (Cefavela), ligado à Universidade Federal do ABC. Leia a pesquisa aqui. O site a Cefavela repercutiu o assunto, assim como o G1. A partir da análise de 19 imagens termais do satélite Landsat 8, referentes ao período entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, o levantamento identificou diferenças de até 15 °C na temperatura de superfície entre territórios vizinhos da capital paulista. Enquanto o Morumbi, bairro de alto padrão da zona sul, registrava valores em torno de 30 °C, na favela de Paraisópolis, localizada a poucos quilômetros dali, as temperaturas chegaram a 45 °C. Em Heliópolis, outra das maiores favelas da cidade, os registros ultrapassaram 44 °C nos dias mais quentes. As imagens analisadas medem a temperatura de superfícies como telhados, ruas e solo — em geral, mais elevadas do que a temperatura do ar registrada por estações meteorológicas. Ainda assim, os valores observados acendem um alerta sanitário. Saiba mais O cenário fica ainda mais grave diante da recomendação da Organização Mundial da Saúde, que indica que temperaturas acima de 40 °C representam risco grave, sobretudo, para idosos, crianças e pessoas com doenças cardiovasculares e respiratórias, mais suscetíveis à desidratação, à insolação e ao agravamento de enfermidades crônicas. Quando se leva em conta a medida de "bulbo úmido", que une temperatura e umidade, um valor perto de 35°C é considerado um limite teórico perigoso para a sobrevivência humana e pesquisas indicam que, na prática, muita gente pode entrar em risco bem antes desse ponto ser atingido. O mapeamento evidencia que o calor não se distribui ao acaso, mas segue a lógica da exclusão urbana. Segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, São Paulo abriga cerca de 11,5 milhões de habitantes, dos quais mais de 1,7 milhão vivem em 1.359 favelas. Embora essas áreas ocupem aproximadamente 4 % do território municipal, concentram mais de 15 % da população. Nesses territórios, marcados por alta densidade, pouca ventilação e escassez de áreas verdes, as temperaturas de superfície ultrapassam os 40 °C frequentemente. O contraste se torna ainda mais evidente em distritos como o Capão Redondo, na zona sudoeste, onde se concentram quatro das dez favelas mais quentes da cidade. O Jardim Capelinha/Nuno Rolando liderou o ranking, com registros de até 47,4 °C, seguido pelo Jardim D’Abril II e pelo Basílio Teles, ambos com valores superiores a 47 °C. Esses números ajudam a explicar por que, no mesmo período, a maior temperatura registrada por estações meteorológicas foi significativamente menor, evidenciando como o calor acumulado nas superfícies urbanas amplia a exposição real da população. Além dos impactos diretos sobre a saúde, o calor extremo pesa no orçamento das famílias. O uso contínuo de ventiladores e geladeiras sobrecarregadas elevam o consumo de energia elétrica em domicílios que já convivem com dificuldades e limitações de ordem financeira. Foto que registra o encontro entre Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo, e o rico bairro do Morumbi escancara desigualdade social no Brasil Reprodução/Tuca Vieira Diferenças O estudo revela ainda que nem todas as favelas enfrentam o mesmo nível de exposição térmica. Comunidades localizadas próximas a corpos d’água ou corredores verdes apresentaram temperaturas significativamente mais baixas. No Jardim Apurá, na zona sul, a proximidade com a bacia da represa Billings contribuiu para registros de até 23 °C inferiores aos observados no Jardim D’Abril II, onde foi registrada a maior máxima. O Jardim Apurá, que está inserido em área de proteção de mananciais, com presença de vegetação e água, há um raro “respiro térmico”, ainda que conviva com fragilidades ambientais e pressões urbanas. A mobilização de moradores em defesa das áreas verdes e iniciativas como o Parque Jardim Apurá-Búfalos ilustram o papel das ações comunitárias na mitigação do calor. Para os pesquisadores, a exposição ao calor extremo revela uma dimensão ainda invisível da inadequação habitacional. Embora políticas públicas considerem fatores como custo excessivo da moradia, superlotação e qualidade dos materiais construtivos, o conforto térmico segue amplamente ignorado. Incorporar indicadores de exposição ao calor — baseados em imagens termais de satélite, drones ou medições locais — é apontado como passo essencial para tornar essa desigualdade quantificável e, portanto, passo inicial para o enfrentamento correto. Saiba mais Soluções Corredores verdes, parques urbanos, arborização de ruas, jardins de chuva, telhados verdes, hortas comunitárias e sistemas de drenagem sustentável podem funcionar como um verdadeiro “ar-condicionado natural” das cidades, reduzindo temperaturas e aumentando a resiliência urbana diante das mudanças climáticas, apontam especialistas. Essas intervenções precisam ser articuladas a políticas habitacionais que considerem ventilação cruzada, materiais adequados e espaços públicos de convivência. Mais Lidas
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December 29, 2025 at 2:34 PM
Novos projetos offshore: INPO recebe R$ 15 milhões para acelerar energia limpa com ondas, vento e água do mar
O INPO (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas) irá investir R$ 15 milhões em uma nova divisão dedicada a acelerar a indústria de geração de energia offshore, usando o oceano. O projeto, que venceu edital da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), deve desenvolver em três anos equipamentos que devem servir de protótipo para a adoção em escala pela indústria para a geração de energia elétrica e hidrogênio verde em alto mar. Serão quatro fontes de trabalho distintas, com pesquisas focadas em dessalinização da água, geradores submarinos, produção de energia por diferença térmica do (gradiente térmico/OTEC) e à produção de hidrogênio verde a partir de fontes de energias renováveis offshore, com o objetivo de diminuir custos destas operações. O Centro de Energia Azul, criado a partir do financiamento recebido pelo Finep, atuará na aceleração do estágio intermediário de pesquisa, viabilizando a prova de conceito e o detalhamento de projetos para aplicação em escala real. "Vamos desenvolver testes para três destas tecnologias, hidrogênio, outra de gradiente térmico, onde podemos simular líquidos no circuito interno para essa produção de energia, e também com o conversor de ondas e o processo de dessalinização da água do mar com pouco uso de eletricidade", explica o professor Segen Estefen, diretor geral do INPO. Dessalinizar a água do mar é um processo relevante tanto para comunidades isoladas, como o caso de Fernando de Noronha (PE), mas também para um possível aproveitamento em plataformas de produção de hidrogênio offshore, que necessitariam de água de qualidade para o processo de obtenção do gás, que, se alimentado por energia gerada por turbinas eólicas, seria considerado hidrogênio verde. Ibama emite licença inédita para projeto offshore A região Nordeste do Brasil é considerada ideal para essa planta industrial, uma das frentes da transição energética na qual o país tem boas chances de se tornar um dos principais fornecedores globais. Ao final do processo, o objetivo do INPO é entregar quatro produtos com possibilidades de comercialização. Sejam equipamentos ou métodos, serão achados patenteados pela ciência brasileira que poderão ser licenciados a empresas de energia, por exemplo, que por sua vez podem instalar operações em grande escala. Projetos do INPO para energia off-shore Hidrogênio verde: método aperfeiçoado para separar o hidrogênio da água, e como os eletrolisadores, que fazem este processo, podem trabalhar de forma eficiente produzindo hidrogênio de qualidade, sem muitas impurezas. Água dessalinizada: método aperfeiçoado para o uso da energia das ondas, avaliando o nível de pressão necessário para a dessalinização. Gradiente térmico: neste método de obtenção de energia se usa a diferença de temperatura entre o fundo e a superfície do mar. O INPO pretende analisar os componentes usados no processo, como fluidos usados nos circuitos dos aparelhos, para produzir mais energia e tornar o custo mais competitivo, possível para investimento comercial. Geradores submarinos: projeto do INPO para atender comunidades isoladas, especialmente no litoral do Norte do país. "Existem alguns equipamentos disponíveis, mas você tem que criar algo mais adequado para o uso naquelas condições [da região Norte], com a instalação, o material, o desenvolvimento da turbina que vamos fazer e testar e ter um protótipo de gerador", detalha Estefen. Potencial de aumento na geração de energia Hoje há cerca de 250 gigawatts em projetos de eólica offshore em processo de licenciamento no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). "Se apenas 20% desse potencial for implantado, o Brasil poderá acrescentar aproximadamente 50 gigawatts à sua matriz — um volume equivalente a quase um quarto da capacidade elétrica nacional atual, estimada em cerca de 212 gigawatts", destaca o instituto. As soluções pesquisadas, na visão do INPO, podem reduzir "drasticamente" as emissões na produção offshore de óleo e gás, principalmente nas unidades flutuantes que atualmente utilizam turbinas movidas a gás natural ou para gerar energia. "Outras indústrias de difícil abatimento de emissões, como fertilizantes, siderurgia, transporte e cimentícia, também poderão empregar essas tecnologias para apoiar sua transição energética", pontua o instituto em nota. Do valor total do projeto, R$ 4,3 milhões serão destinados a bolsas de pesquisa para estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado, em colaboração com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Fundação Getulio Vargas (FGV), de modo a fortalecer a formação de especialistas e a produção de conhecimento no país. O INPO opera com cerca de uma centena de pesquisadores associados pelo Brasil. "A eólica offshore tem maturidade e já existe comercialmente no Reino Unido e outros países, mas aqui ainda não. O hidrogênio a partir da eólica offshore precisa ser elaborado em termos de custo. Precisamos de mais eficiência, e nessa cesta de tecnologias que propomos acelerar existem conceitos novos. A ideia é juntar esforços para que, num período menor, estejamos prontos para testes em escala real", analisa Estefen. Mais Lidas
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December 29, 2025 at 2:38 PM
Havaí inclui cruzeiros em novo imposto para enfrentar crise climática em 2026
Uma juíza federal dos Estados Unidos autorizou o Havaí a incluir passageiros de navios de cruzeiro em um novo imposto turístico voltado ao enfrentamento das mudanças climáticas. A medida entra em vigor no início de 2026. A juíza distrital Jill A. Otake rejeitou um pedido que tentava barrar a aplicação da lei às empresas de cruzeiro, informa a ABC News. Com isso, o estado poderá cobrar um imposto de 11% sobre o valor bruto das passagens, proporcional ao número de dias em que os navios permanecerem nos portos havaianos. Condados ainda poderão acrescentar uma sobretaxa de até 3%, elevando o total para 14%. A legislação, sancionada em maio pelo governador Josh Green, também aumenta as taxas sobre hotéis e aluguéis de temporada. Segundo o governo estadual, a arrecadação anual deve chegar a quase US$ 100 milhões, destinados a enfrentar problemas como erosão costeira, incêndios florestais e outros efeitos do aquecimento global. A Cruise Lines International Association contestou a lei na Justiça, alegando que a cobrança viola a Constituição ao taxar cruzeiros pelo simples acesso aos portos do estado. Empresas de turismo e fornecimento de serviços também participam do processo. Os autores afirmam que o imposto pode encarecer as viagens e afetar o turismo. Apesar da decisão, os autores da ação anunciaram que vão recorrer. O Departamento de Justiça dos EUA também se posicionou contra a medida, classificando o imposto como incompatível com a legislação federal. O governo do Havaí afirmou que continuará defendendo a lei. Mais Lidas
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December 29, 2025 at 2:34 PM
Xô calorão: como cuidar do seu ar-condicionado e economizar na conta durante o verão em casa e no carro
O início do ver têm sido de calor intenso em grande parte do Brasil, e essa condição deve continuar. Diante de temperaturas tão elevadas, o ar-condicionado se torna o centro das atenções nos imóveis, sejam residenciais ou comerciais, e até nos carros. Só que o alívio térmico, no entanto, costuma vir acompanhado de uma preocupação: o impacto na conta de luz - ou no gasto de combustível, no caso dos automóveis. Mas saiba que é possível amenizar isso seguindo as recomendações certas. Confira: Para casas e imóveis comerciais - Potência adequada ao ambiente A escolha correta da capacidade do aparelho é fundamental para não ter gastos excessivos. O cálculo de BTUs deve considerar o tamanho do ambiente, a incidência de sol, o número de pessoas e a presença de equipamentos eletrônicos. - Confira a classificação do Inmetro Opte sempre por aparelhos com classificação A no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Isso indica melhor desempenho energético, ou seja, climatização eficiente com menos consumo de energia. - Atenção na hora da instalação Até os equipamentos mais modernos e eficientes podem consumir mais energia se a instalação não for bem feita. Por exemplo, distância incorreta entre unidades, tubulação mal dimensionada e falhas elétricas comprometem o desempenho. Sendo assim, escolha profissionais experientes e credenciados pela marca escolhida. - Manutenção e limpeza Regularmente, devem ser feitas as manutenções e a higienização do ar-condicionado. Dessa forma, o aparelho funciona como o esperado e sem poeiras, fungos, ácaros e bactérias prejudiciais à saude, e, ainda, consome menos energia. - Temperatura certa A diferença entre a temperatura externa e a interna reflete na conta de energia. O blog da marca Frigelar exemplifica que, se a temperatura interna, antes de ligar o ar-condicionado, estiver em 28°C e o usuário colocar a do aparelho em 16°C, isso significa 12°C de diferença que este terá que trabalhar para atingir o número desejado, tendo impacato no consumo de energia. Quanto mais o ar-condicionado trabalha, mais energia ele vai consumir. - Funções inteligentes Romenig Magalhães, supervisor de P&D da Gree Electric Appliances, fabricante de ar-condicionado, apontou que aparelhos mais novos têm funções inteligentes - como modos automáticos de operação, ajustes inteligentes e sistemas baseados em inteligência artificial - que atuam no equilíbrio do consumo. Segundo ele, essas tecnologias analisam o comportamento de uso, as condições do ambiente e a necessidade real de refrigeração, ajustando o funcionamento do aparelho de forma dinâmica. - Tecnologia Inverter e Auto Inverter Ar-condicionado com esse tipo de tecnologia é o mais recomendado hoje em dia. Esses sistemas mantêm o compressor funcionando de forma contínua e ajustada à demanda do ambiente, evitando ciclos constantes de liga e desliga. “O resultado é um funcionamento mais estável, com menor consumo de energia e menos picos elétricos”, explicou Romenig. Para o carro Alerta aos motoristas: onda de calor pode aumentar acidentes no trânsito. GettyImages - Evite ligar o ar com o carro parado ou muito quente Ao entrar no veículo sob sol forte, abra as janelas por alguns minutos e comece a rodar antes de ligar o ar-condicionado. Isso ajuda a expulsar o ar quente acumulado e reduz o esforço inicial do compressor, que é quando o consumo de combustível é maior. - Use o modo recirculação de ar Ativar a recirculação impede a entrada constante de ar quente de fora, fazendo com que o sistema resfrie o interior mais rapidamente e trabalhe por menos tempo. O resultado é menor demanda do motor e economia de combustível. - Mantenha o sistema e os filtros em dia Filtro de cabine sujo e manutenção irregular fazem o ar-condicionado trabalhar com mais esforço. A revisão periódica e a limpeza do filtro garantem melhor eficiência do sistema e evitam aumento desnecessário no consumo. Mais Lidas
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December 29, 2025 at 2:34 PM
2025, o ano em que o clima deixou de esperar
O ano de 2025 se encerra como o segundo ou terceiro mais quente da história. Não foi o pior número da série, mas reafirma o quanto a crise climática não pode ser um tema secundário no nosso calendário, como um retrato do que se viu ao longo do ano: alertas máximos, consensos científicos consolidados, decisões — e indecisões — que confirmaram a urgência de um cenário que deixou de ser apenas uma projeção futura para se tornar uma condição de adaptação do presente. No Brasil, 2025 foi marcado por disputas centrais da política ambiental. Debates sobre proteção de florestas, ordenamento territorial e licenciamento ambiental, voltaram a ganhar força, com os impactos e as soluções de populações e territórios vulnerabilizados colocados no centro da mesa de discussão. Internacionalmente, o debate climático compôs o diagnóstico que reafirmava uma maior necessidade de ação no palco da governança climática. No preparo para a 30º Conferência das Partes sobre Clima (a COP30), a maioria dos países ainda permanecia fora da trajetória do Acordo de Paris, que completou 10 anos no último mês. Mesmo com as tensões envolvendo o multilateralismo, o protagonismo do Brasil ao assumir a Presidência da COP30 trouxe a responsabilidade de demonstrar, na prática, que compromissos internacionais podem se traduzir em políticas nacionais capazes de proteger direitos fundamentais — e vice-versa. Desde o início do ano, a ciência foi clara: é preciso decidir pelas pessoas e pelo planeta, que seguem vivenciando policrises: a climática, de perda de biodiversidade, de poluição e da desconexão com a natureza — todas alimentadas pelas desigualdades e, de certa forma, as alimentando também. Para as infâncias, isso significou começar o ano letivo sob calor extremo, com impactos diretos na saúde, no aprendizado e na permanência escolar, especialmente onde políticas de adaptação seguem inexistentes. Em março, o auge das ondas de calor que atingiram o país inteiro, a voz da ciência ditava que o ritmo das respostas climáticas importa tanto quanto os números dos termômetros — e elas precisam ser baseadas na natureza. Em abril, o cenário internacional começou a se organizar em torno da COP30 e os olhos estavam voltados para Belém. Movimentos de justiça climática, adaptação climática nas cidades e mapas do caminho contra o avanço do uso dos combustíveis fósseis ganharam mais espaço no discurso oficial, tornando mais evidente que as policrises também são uma crise dos direitos humanos, e que não afetam todas as pessoas da mesma maneira. De maio a setembro, diversas agendas pré-COP colocaram as cartas das negociações na mesa: de Bonn à Africa Climate Week, passando pelas MINI COPs, uma pré-COP em Brasília e a premiação Earthshot no Rio de Janeiro, países e organizações diversas trouxeram suas realidades para ampliar a visão das considerações a serem debatidas oficialmente em Belém. Durante todos esses momentos, crianças estiveram — em vídeos, cartas ou pessoalmente — pautando a importância de serem consideradas como absoluta prioridade. E, em novembro, vimos isso acontecer internacionalmente na COP30, a partir de menções mais robustas e transversais ao longo dos principais textos da agenda de negociações, e nacionalmente na decisão do CONAMA em aprovar a primeira resolução de Justiça Climática e Racismo Ambiental da sua história. 2026 tende a consolidar alguns movimentos importantes da agenda climática. O Brasil seguirá exercendo a Presidência da COP, o que mantém o país em posição estratégica no debate internacional e reforça a tendência de reposicionamento diplomático na pauta ambiental. Ao mesmo tempo, cresce o entendimento de que a resposta à crise climática não se dará apenas por metas globais de redução de emissões, mas também por políticas de adaptação, especialmente nas cidades. O avanço do calor extremo tornou esse tema central, e iniciativas como o Beat the Heat (ou “Mutirão contra o Calor Extremo”), apoiadas por cientistas como Carlos Nobre, apontam para soluções baseadas na natureza, como a ampliação da vegetação urbana, como medidas eficazes para reduzir riscos e proteger territórios vulneráveis e comunidades vulnerabilizadas para reduzir os impactos das temperaturas altas. Ao lado dessas tendências, 2026 será marcado por tensões relevantes. A principal delas é a distância entre liderança internacional e implementação doméstica. Presidir a COP não garante, por si só, coerência interna. A efetividade dessa liderança dependerá da capacidade de alinhar discursos globais a políticas públicas nacionais e locais. Outra tensão importante está relacionada ao calendário eleitoral nos governos subnacionais. Estados e municípios são atores centrais da adaptação climática, mas períodos eleitorais costumam gerar descontinuidade administrativa, priorização de agendas de curto prazo e enfraquecimento de políticas estruturais. Nesse cenário, o próximo ano se apresenta como um período decisivo para transformar consensos em ação. A tensão central será decidir se essas soluções serão tratadas como política pública permanente ou como iniciativas pontuais. Para as próximas gerações, essa escolha tem efeitos concretos, ou melhor, efeitos naturais: define se crescerão saudáveis e resilientes como suas cidades, ou se mais expostas aos impactos da crise climática que já desmontam seus direitos básicos. Ainda assim, 2026 também oferece uma janela de oportunidade. O acúmulo de evidências, a centralidade da COP no Brasil e a maior consciência sobre os impactos do clima no cotidiano criam condições para decisões mais consistentes. É hora de transformar conhecimento em prioridade e intenção em ação. Carolina Maciel é bióloga e analista de natureza no Instituto Alana Acervo pessoal *Carolina Maciel é bióloga e analista de natureza no Instituto Alana. Também é gestora ambiental (UERJ), Conselheira no CONAMA, escritora e pesquisadora de clima, periferias e infâncias. Mais Lidas
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December 29, 2025 at 2:34 PM
Morre Brigitte Bardot, ícone do cinema que dedicou parte da vida a defender os direitos dos animais
Faleceu aos 91 anos neste domingo (28) a atriz e cantora francesa Brigitte Bardot. “Com imensa tristeza, a Fundação Brigitte Bardot anuncia a morte de sua fundadora e presidente, Madame Brigitte Bardot, atriz e cantora de renome mundial, que escolheu abandonar sua prestigiada carreira para dedicar sua vida e sua energia à defesa dos animais e à sua fundação”, diz o comunicado enviado à agência AFP. Brigitte Anne-Marie Bardot nasceu em Paris, na França, em 28 de setembro de 1934, e formou-se em balé clássico no Conservatório Nacional de Música e Dança antes de ser descoberta pelo cinema. Durante sua carreira, Bardot atuou em mais de 45 filmes, como o lendário "E Deus Criou a Mulher", e gravou 70 músicas. Em 1964, sua visita transformou Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, em um destino turístico famoso mundialmente. Brigitte Bardot no set de "Les Femmes" Sunset Boulevard/Corbis via Getty Images Em 1973, aos 39 anos, Bardot anunciou o fim da carreira, alegando cansaço do cinema e do assédio da fama. A decisão marcou o início de uma nova fase: o ativismo em defesa dos animais, lembra O Globo. Em 1986, a francesa criou a Fundação Brigitte Bardot e liderou campanhas contra a caça às focas e baleias, testes laboratoriais, o uso de peles, e o consumo de carne de cavalo. Mesmo décadas após deixar as telas, manteve forte influência no debate público europeu sobre bem-estar animal. “O homem é um predador insaciável”, disse Bardot à Associated Press em seu 73º aniversário, em 2007. “Não me importo com a minha glória passada. Isso não significa nada diante de um animal que sofre, pois ele não tem poder, não tem palavras para se defender.” Mais Lidas
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December 29, 2025 at 2:34 PM
Universidades vão engajar favelas em estudo sobre crise climática
Em parceria com a Universidade de Glasgow, no Reino Unido, três universidades brasileiras vão conduzir uma pesquisa para propor formas de reduzir o impacto das mudanças climáticas nas favelas brasileiras. O grupo de pesquisa vai se debruçar até 2027 sobre comunidades de Natal (RN), Curitiba (PR) e Niterói (RJ), e está prevista, para a partir de janeiro de 2026, a publicação de um edital com bolsas de pesquisa destinadas a integrar moradores ao trabalho. O projeto Pacha (sigla em inglês para Análise Participativa para Adaptação Climática e Saúde em Comunidades Urbanas Desfavorecidas no Brasil) tem como coordenador-geral o cientista brasileiro João Porto de Albuquerque, diretor do Urban Big Data Centre, da Universidade de Glasgow. O financiamento, superior a R$ 14 milhões, é proveniente da fundação britânica Wellcome Trust, uma entidade sem fins lucrativos que financia pesquisas na área de saúde e mudanças climáticas. São parceiras da universidade britânica no Brasil a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), por meio do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU); a Fundação Getulio Vargas, por meio do Departamento de Tecnologia e Ciência de Dados da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP); e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da PUC-PR, Paulo Nascimento, lembra que todos os municípios brasileiros devem elaborar planos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas. O projeto Pacha, entretanto, parte da premissa de que os dados que são gerados refletem muito mais a cidade formal do que as favelas. “Por isso, todo o nosso esforço é construir uma base de dados produzida coletivamente com os moradores dessas comunidades e, a partir disso, gerar evidências que vão ajudar a revisar ou a olhar de outra forma esses planos de ação climática”, disse. Com a escolha das três cidades brasileiras que serão estudadas, o projeto vai poder abordar contextos climáticos muito diferentes, destaca Nascimento. O estudo vai investigar como as comunidades urbanas estão trabalhando essa questão e quais desafios enfrentam, dentro de uma perspectiva de criar indicadores com a participação dos moradores. A ideia é verificar quais as capacidades que essas comunidades já estão desenvolvendo e como os pesquisadores podem aprender com elas. Saiba mais Pesquisadores comunitários O professor da PUC-PR chamou a atenção que as favelas são vistas, em geral, pelo olhar da precariedade, da ausência. “E o que a gente está tentando trazer é, através dos moradores, aprender e ver quais os problemas que eles consideram mais relevantes. Então, a ideia toda é a perspectiva de cocriação”. Dentro dessa ótica, o projeto vai conceder bolsas de doutorado e pós-doutorado e também bolsas vinculadas, obrigatoriamente, a moradores dessas comunidades. “A gente vai ter pesquisadores comunitários, vinculados ao projeto, mas que são dessas comunidades envolvidas e que vão ser financiados por esse agente britânico, com a perspectiva de o projeto ser construído coletivamente”. Entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2026, deverá ser lançado edital para pesquisadores oriundos das favelas que desejem participar do projeto em Curitiba, Natal e Niterói. A proposta é que esses pesquisadores tenham capacidade de engajar as comunidades. “E que sejam replicadores do que for produzido para depois do projeto. Ou seja, que o projeto vai terminar em algum momento, mas a capacidade local fica com conhecimento do contexto”, afirmou Paulo Nascimento. Desigualdade Em 2022, de acordo com dados do Censo produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existiam no Brasil mais de 12 mil favelas, com um total de 16,39 milhões de pessoas ─ 8,1% dos 203 milhões de habitantes do país. Essas populações estão entre as mais afetadas pelos impactos das mudanças climáticas, como chuvas intensas, deslizamentos de terra, enchentes e ondas de calor, uma vez que convivem com moradias precárias e ausência de infraestrutura adequada. O projeto conta ainda com parceria de outras instituições científicas, entre as quais a Fundação Oswaldo Cruz, pelo Centro de Integração de Dados em Saúde (CIDACS/Fiocruz), que trabalha com a base de dados do CadÚnico com recortes de raça, renda, gênero e idade. Isso vai permitir entender como esses diferentes grupos, dentro das comunidades urbanas, estão expostos aos diferentes tipos de riscos climáticos”, salientou Nascimento. A ideia é de uma perspectiva para o trabalho que seja feita de baixo para cima, construindo capacidades comunitárias e, a partir disso, construir resultados que sejam relevantes para cada comunidade e para o conjunto de favelas. O Pacha atuará na produção de dados para subsidiar políticas públicas a considerar melhor as desigualdades sociais e ambientais, criando junto com as comunidades um diagnóstico e indicadores que sejam relevantes para eles. O resultado conclusivo do projeto deverá ser divulgado no final de 2027. Lançamento Na primeira semana de dezembro, pesquisadores das universidades brasileiras se reuniram em Natal com membros da Universidade de Glascow, com representantes da Secretaria Nacional de Periferias, do Ministério das Cidades, e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), também ligado ao governo federal, além de representantes das comunidades potiguares que estão envolvidas na pesquisa. “A gente passou a semana inteira discutindo o desenho da pesquisa. Fizemos o lançamento oficial no Rio Grande do Norte”. Segundo o pesquisador, a cada seis meses será feito um evento em alguma das três cidades participantes, envolvendo as comunidades locais, para apresentar resultados parciais. Mais Lidas
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December 29, 2025 at 2:36 PM
Duas pesquisadoras da Uerj participam do seleto grupo do IPCC da ONU
Duas pesquisadoras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foram selecionadas para participar do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para atuar como autoras do relatório do 7º Ciclo de Avaliação. Elas integram um seleto grupo de 664 especialistas de 111 países escolhidos pelo IPCC. Segundo a Uerj, apenas 18 pesquisadores brasileiros compõem o novo ciclo do IPCC, e a universidade estadual é a única instituição brasileira a participar com duas mulheres, “evidenciando tanto a excelência científica da universidade quanto a importância da presença feminina em espaços estratégicos de formulação de políticas globais baseadas em evidências científicas”. O relatório do IPCC é uma das principais referências internacionais sobre a crise climática, sendo referendado por todos os países signatários da ONU e utilizado para orientar decisões governamentais, acordos internacionais e estratégias de adaptação e mitigação. O documento recomenda políticas públicas e ações, mas não obriga as nações a adotar as medidas nele contidas. A cada ciclo de avaliação, os especialistas selecionados analisam os conhecimentos científicos mais recentes sobre temas como os indicadores físicos das mudanças climáticas, seus impactos e riscos associados, além das possibilidades de respostas por meio de adaptação e mitigação. A primeira reunião dos autores-líderes e coordenadores dos três grupos de trabalho do 7º Ciclo ocorreu na primeira semana de dezembro, em Paris. Os três grupos de trabalho do IPCC abordam dimensões centrais das mudanças climáticas. O Grupo de Trabalho 1 dedica-se às bases físicas do clima; o Grupo 2 analisa impactos, vulnerabilidades e adaptação; e o Grupo de Trabalho 3 trata da mitigação de gases de efeito estufa. O 7º Ciclo de Avaliação será concluído em 2028 com o lançamento do Relatório Síntese. Por ser signatário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o Brasil pode indicar cientistas para compor o painel, cabendo ao IPCC a seleção com base na área de atuação, especialidades e produção científica. As professoras Letícia Cotrim e Luciana Prado, ambas da Faculdade de Oceanografia da Uerj, foram escolhidas, respectivamente, como autora-coordenadora e autora-líder do Grupo de Trabalho 1. Letícia Cotrim, do Departamento de Oceanografia Química, já atuou como autora-líder no 6º Ciclo de Avaliação (2018-2021). Ela está participando como um dos três autores coordenadores do capítulo 4: avanços no entendimento de processos no sistema terrestre e mudanças associadas ao clima. “Dentro do escopo delineado pelo IPCC para este capítulo, entram aspectos do funcionamento de ecossistemas terrestres, marinhos e costeiros, e suas interações com a atmosfera e a criosfera (polos e regiões de alta montanha com geleiras)”, explica a professora. Para Luciana Prado, do Departamento de Oceanografia Física e Meteorologia, ser selecionada para integrar o IPCC representa um marco importante na carreira já que houve muitas inscrições no mundo inteiro para participar do 7º Ciclo. A professa explica que vai participar do Capítulo 2, que vai descrever as mudanças climáticas observadas nas últimas décadas do ponto de vista global, uma espécie de diagnóstico global. “A minha parte está relacionada a compilar os estudos que foram feitos para climas passados, é a paleoclimatologia. Olhando para essas situações, a gente consegue entender melhor como o sistema climático funciona para fazer melhores projeções futuras”, completa Luciana. Grupo de Trabalho 1 Os temas analisados pelo Grupo de Trabalho 1 incluem gases de efeito estufa e aerossóis na atmosfera; mudanças de temperatura do ar, da terra e dos oceanos; ciclo hidrológico e alterações nos padrões de precipitação; eventos climáticos extremos; geleiras e calotas polares; oceanos e elevação do nível do mar; biogeoquímica e o ciclo do carbono; além da sensibilidade climática. A avaliação científica combina observações, dados de paleoclima, estudos de processos, teoria e modelagem, oferecendo uma visão abrangente do sistema climático, de sua evolução e das causas das mudanças observadas. O processo de elaboração dos relatórios prevê ainda rodadas de revisão por cientistas e governos signatários, antes da aprovação do sumário final, que orienta compromissos internacionais. O próximo encontro dos autores do IPCC está previsto para abril de 2026, em Santiago, no Chile. Mais Lidas
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December 29, 2025 at 2:34 PM