'Neoconservadores em conserva': Nikolas diz que vai acionar MP contra Acadêmicos de Niterói por intolerância religiosa
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou nesta quarta-feira que vai protocolar uma ação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra Wallace Palhares, presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói. O bolsonarista alega ter havido intolerância religiosa no desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Sapucaí.
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"No desfile da Acadêmicos de Niterói, a ala que retratou os cristãos numa 'lata de sardinha' como se fossem algo a ser descartado, ultrapassou o limite da crítica política e entrou no terreno perigoso do preconceito religioso", disse o parlamentar, em nota.
A oposição critica uma das últimas alas da escola, a “Neoconservadores em conserva”, que trazia famílias dentro de latas, algumas com adereço com referência religiosa.
A ala também provocou reações institucionais. A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro “manifesta sua preocupação a respeito da utilização de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que compreendemos como ofensiva”.
A Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) também emitiu uma nota de repúdio contra a escola, que teria praticado “intolerância religiosa”.
No programa oficial, a escola de Niterói descreve que os componentes da ala representam variados grupos que levantam a “bandeira do neoconservadorismo”. “São eles: os representantes do agronegócio (na figura de um fazendeiro), uma mulher de classe alta (perua), os defensores da ditadura militar e os grupos religiosos evangélicos”, que, “no Congresso, formam um bloco conservador”, escreve.
Nesta semana, Nikolas já havia tratado sobre o tema ao mencionar as eleições para afirmar que os evangélicos devem se lembrar do desfile “na hora de votar”.
Reação do Planalto
Lideranças petistas avaliam que o presidente Lula será obrigado a fazer gestos aos evangélicos para se recuperar do desgaste provocado junto a essa parcela do eleitorado por causa do desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio.
O entendimento entre os petistas é que, num primeiro momento, será necessário esperar um tempo para as críticas esfriarem. Um aliado afirma que as reações são resultado do impacto do desfile que ocorreu no domingo na Marquês de Sapucaí e que, com o tempo, elas irão arrefecer. Esse mesmo aliado reconhece, porém, que haverá um desgaste mais cristalizado no segmento, que historicamente tem rejeição a Lula e ao PT.
Petistas entendem ainda que será preciso fazer pesquisas, dentro de algumas semanas, para medir exatamente quais as consequências do episódio. A partir desses resultados, o presidente e o seu entorno terão que pensar em ações voltadas aos evangélicos. Na campanha presidencial de 2022, Lula lançou, às vésperas do segundo turno e depois de ser pressionado intensamente pelo seu entorno, uma “Carta ao Povo Evangélico” em que reafirmava seu compromisso com a liberdade de culto e de religião no país.
Agora, com o presidente em viagem à Ásia, qualquer iniciativa mais concreta só deve ser tomada após a sua volta ao país no meio da semana que vem.