Alex Jeffrey Pretti e Renee Nicole Good: quem eram os mortos a tiros por agentes federais nos EUA
Em menos de 20 dias, o assassinato de duas pessoas por agentes federais em Minnesota, nos Estados Unidos, inflamaram os protestos na região, acirrando uma guerra de narrativas entre autoridades locais e federais. As famílias das vítimas questionam as versões oficiais das corporações de que oferecessem algum tipo de ameaça, em especial aos agentes.
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O caso mais recente foi o assassinato de Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, ao ser baleado por agentes federais americanos no último sábado (24). Imagens gravadas por pessoas que estavam no local contradizem a versão das autoridades de que o rapaz estaria armado, destaca a família, o qual chamou a alegação de "mentiras repugnantes".
Pretti participava de protestos contra a política migratória do presidente Donald Trump. Cidadão norte-americano, nascido em Illinois, ele era enfermeiro de terapia intensiva em um hospital de veteranos. Antes de se formar no curso, conquistou diploma em biologia, sociedade e meio ambiente pela Universidade de Minnesota, em 2011, que o levou para o campo da pesquisa, segundo a agência de notícias Associated Press.
Ainda na escola, se envolveu em atividades artísticas, como o coral juvenil, e escotismo. No Ensino Médio, jogou futebol americano, beisebol e atletismo, de acordo com a AP.
De acordo com parentes de Pretti, ele era contrário à atuação do serviço de imigração — Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) — devido às ações como as ocorridas em Minneapolis e em outras partes do país. O enfermeiro participava de manifestações, incluindo as realizadas após o homicídio de Renee Good, no último dia 7, durante uma operação do órgão.
"Alex queria fazer a diferença neste mundo. Infelizmente ele não estará conosco para ver seu impacto", diz trecho da nota divulgada pela família após o assassinato.
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Segundo a família contou à AP, Pretti tinha uma arma e autorização para porte velado em Minnesota, e negou que soubesse que ele andava armado. Ele não tinha ficha criminal. Na versão do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), Pretti foi baleado e morto em meio a uma “operação direcionada” para procurar um imigrante em situação irregular acusado de agressão.
Funcionários do DHS disseram que um homem então se aproximou de agentes da Patrulha de Fronteira com uma pistola semiautomática 9 mm para tentar “massacrá-los”. Os agentes teriam tentado desarmá-lo, mas ele teria resistido “violentamente”, levando a “uma luta armada”. O indivíduo foi declarado morto no local.
Mas vídeos analisados pelo jornal americano The New York Times contradizem os relatos. As gravações mostram o homem segurando um celular, e não uma arma, quando os agentes o forçam ao chão antes de dispararem ao menos dez vezes em cinco segundos. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse que os investigadores acreditam que ao menos dois agentes dispararam.
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No último dia 7, Renee Nicole Good, de 37 anos, foi morta a tiros por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) durante um protesto contra operações migratórias em Minnesota. Ela participava, junto com com a esposa, na condição de observadoras legais, filmando a abordagem de agentes federais. Testemunhas afirmam que Renee foi atingida três vezes no rosto quando um agente abriu fogo durante a confusão na rua. Já as autoridades federais alegam que a vítima tentou atropelar os policiais com o carro.
Renee era mãe de três filhos e tinha acabado de se mudar para a cidade de Minneapolis, em 2025. Nascida em Colorado Springs, antes de se mudar para Minnesota, morou em Kansas City, Missouri.
Ela foi descrita pela mãe, Donna Ganger, como "amorosa, generosa e afetuosa", declarou em entrevista ao jornal local Minnesota Star Tribune, à época.
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Renee estudou escrita criativa na Old Dominion University em Norfolk, Virgínia, onde também se graduou na Faculdade de Artes e Letras, em Inglês. Em 2020, ganhou um prêmio de poesia. Também teve um podcast com o segundo marido, já falecido, no qual era apresentadora, e tocava guitarra de forma amadora.
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Nos últimos anos Renee era principalmente dona de casa, após ter tido trabalhos fora, como assistente odontológica e em uma cooperativa de crédito, segundo a agência AP.
No dia de sua morte, ela atuava na manifestação como observadora legal, em que, de forma voluntária, monitora as forças policiais e de segurança em protestos e operações para, entre outras ações, garantir que os direitos legais sejam respeitados. Logo após sua morte, o governo Trump a chamou de "terrorista doméstica".
O local do tiroteio onde Renne morreu fica a cerca de 1,5 km de onde George Floyd foi morto em 2020, caso que também gerou uma onda de protestos, que se espalhou pelo país.