Rússia tenta bloquear WhatsApp e pressiona usuários a migrar para aplicativo estatal
WhatsApp afirmou que a Rússia “tentou bloquear completamente” o serviço no país nesta quarta-feira, em meio ao avanço das restrições do Kremlin contra aplicativos de mensagens estrangeiros. Segundo a empresa, a medida faz parte de uma estratégia para transferir mais de 100 milhões de usuários russos para um aplicativo estatal descrito como ferramenta de vigilância.
Diretor do Instagram nega que redes sociais gerem 'dependência' e cita 'uso problemático': 'Importante diferenciar'
Leia mais: meia hora por dia no YouTube não é vício, argumenta advogado da plataforma do Google em julgamento
De acordo com o jornal inglês BBC, a plataforma, que pertence à Meta, declarou que o bloqueio representaria um “retrocesso” na comunicação privada e segura dentro da Rússia.
"Tentar isolar mais de 100 milhões de pessoas da comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para os cidadãos russos", afirmou a empresa, em comunicado. "Continuamos a fazer tudo o que podemos para manter os usuários conectados".
O Kremlin não comentou imediatamente as declarações. A ofensiva ocorre após a agência reguladora de comunicações da Rússia, a Roskomnadzor, intensificar alertas ao WhatsApp para cumprir a legislação local, que exige armazenamento de dados de usuários russos em servidores no país.
A agência estatal Tass noticiou no início deste ano que o aplicativo poderá ser bloqueado permanentemente em 2026. Para Andrei Svintsov, parlamentar russo, medidas “tão severas” seriam “absolutamente justificadas”, já que a Meta foi classificada como organização extremista pelo governo russo em 2022.
Desde então, redes sociais como Instagram e Facebook estão oficialmente bloqueadas e só podem ser acessadas por meio de redes privadas virtuais (VPNs).
Telegram também na mira
As restrições não se limitam ao WhatsApp. O Telegram, que tem número de usuários semelhante no país, também enfrenta limitações sob a justificativa de falhas de segurança e descumprimento de exigências locais.
O fundador do Telegram, Pavel Durov, acusou o governo de restringir o acesso ao serviço para forçar a população a adotar uma plataforma estatal sujeita a vigilância e censura política.
"Restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta certa", afirmou Durov, em publicação online.
Ele comparou a estratégia russa a uma tentativa semelhante feita pelo Irã para substituir o Telegram por uma alternativa governamental, iniciativa que acabou contornada pelos próprios usuários.
'Superaplicativo' estatal
Em paralelo, Moscou tem promovido o uso do aplicativo Max, desenvolvido com apoio estatal e comparado ao WeChat chinês. O modelo integra mensagens, serviços governamentais e funcionalidades financeiras em uma única plataforma, mas sem oferecer criptografia de ponta a ponta.
Desde 2025, a pré-instalação do Max tornou-se obrigatória em todos os novos dispositivos vendidos na Rússia. Servidores públicos, professores e estudantes também são obrigados a utilizar a ferramenta.