Presidente interina da Venezuela presta homenagem a 32 militares cubanos mortos em operação dos EUA contra Maduro
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, publicou nesta segunda-feira uma nota oficial em homenagem a 32 militares cubanos que integravam a guarda de Nicolás Maduro e foram mortos durante o que o governo venezuelano classificou como uma “agressão criminosa” dos Estados Unidos contra o território nacional.
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No texto, Rodríguez afirma que os soldados cubanos atuavam no âmbito da cooperação entre Estados soberanos e desempenhavam funções de proteção e defesa institucional. Segundo a nota, o grupo morreu na madrugada de 3 de janeiro, durante a ação militar dos EUA, considerada pelo governo venezuelano uma violação direta da soberania nacional.
A presidente interina destacou a “valentia, disciplina e compromisso inquebrantável com a paz e a estabilidade regional” dos cubanos e expressou pesar ao governo e ao povo de Cuba.
Rodríguez também agradeceu publicamente ao presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez e ao general Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana, pelo apoio e “solidariedade” manifestados após os acontecimentos.
Presidente interina da Venezuela presta homenagem a 32 soldados cubanos que integravam guarda de Maduro e foram mortos na ação dos EUA
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Relação 'equilibrada e respeitosa' com os EUA
Rodríguez declarou na noite de domingo que tem como prioridade estabelecer uma relação "equilibrada e respeitosa" com os Estados Unidos. Nas redes sociais, Rodriguez publicou uma mensagem direta ao presidente americano, Donald Trump, e reforçou seu apelo pela paz no país sul-americano.
"Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo", escreveu Rodríguez em uma publicação nas redes sociais. "Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura".
Em declaração a repórteres quase simultaneamente à postagem da líder venezuelana, Trump insistiu que os Estados Unidos estão "no comando" da Venezuela após a prisão de Maduro e enquanto dialoga com a nova liderança do governo venezuelano.
— Estamos lidando com as pessoas que acabaram de assumir o cargo. Não me perguntem quem está no comando, porque eu darei uma resposta muito controversa — disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, quando questionado se havia conversado com a presidente interina Delcy Rodríguez.
Quando solicitado a esclarecer o que queria dizer, Trump respondeu:
— Significa que nós estamos no comando.
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A Suprema Corte da Venezuela determinou, no final da noite de sábado, que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiria a Presidência da Venezuela, quase 24 horas depois da captura de Maduro pelos EUA. Maduro foi levado para os Estados Unidos, onde deve enfrentar acusações na Justiça, mas Delcy, assim como toda a cúpula chavista, insistiam que ele segue como o "único presidente" do país.
Logo após a captura de Maduro, em uma operação que envolveu dezenas de aeronaves, navios, uma força de elite do Exército americano e que teria deixado 40 mortos, de acordo com integrantes do governo local, Trump afirmou que os EUA passariam a "controlar" a Venezuela durante o processo de transição, e chegou a citar de forma positiva o nome de Rodríguez em uma entrevista coletiva. A vice de Maduro dialogou com Washington durante negociações envolvendo o petróleo e a participação de empresas americanas no país — no caso, a Chevron — e o republicano sugeria que ela estava alinhada ao seu projeto imediato para a Venezuela, que ainda não está completamente claro.