Federação alemã e Fifa discutem boicote da seleção à Copa do Mundo nos EUA
A Federação Alemã de Futebol (DFB) e a Fifa decidirão com total "autonomia" se boicotarão ou não a Copa do Mundo, sediada principalmente nos Estados Unidos, daqui a seis meses, em resposta às ameaças de Donald Trump, informou o governo alemão à AFP. O presidente americano ameaça anexar a Groenlândia e aumentar as tarifas contra os países europeus que se opuserem ao plano.
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"Essa avaliação, portanto, cabe às federações envolvidas, neste caso a DFB e a Fifa. O governo federal acatará a decisão delas", afirmou a Secretária de Estado do Esporte, Christiane Schenderlein, em um comentário enviado por e-mail à AFP.
A AFP questionou o governo sobre a possibilidade de um boicote à Copa do Mundo, que será realizada no Canadá, nos Estados Unidos e no México, de 11 de junho a 19 de julho.
"O governo federal respeita a autonomia do esporte. As decisões relativas à participação em grandes eventos esportivos ou a boicotes são de responsabilidade exclusiva das federações esportivas, e não da esfera política", afirmou Schenderlein, membro da CDU, partido conservador do chanceler Friedrich Merz.
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Na Alemanha, potência do futebol, as primeiras vozes a defender um boicote — e até mesmo o cancelamento — da Copa do Mundo surgiram nos últimos dias em resposta às ameaças do magnata republicano.
"Se Donald Trump cumprir suas ameaças em relação à Groenlândia e desencadear uma guerra comercial com a União Europeia, acho difícil imaginar os países europeus participando da Copa do Mundo", declarou o influente deputado conservador Roderich Kiesewetter ao jornal Augsburger Allgemeine nesta terça-feira.
Outro deputado da CDU, Jürgen Hardt, porta-voz do partido para a política externa, disse ao jornal Bild que o "cancelamento do torneio" seria um "último recurso para fazer o presidente Trump cair em si". Apelando por uma "resposta unificada" da Europa, o deputado social-democrata (SPD) Sebastian Roloff mencionou ao jornal econômico Handelsblatt a possibilidade de "considerar a retirada da Copa do Mundo".
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De acordo com uma pesquisa do Instituto Nacional de Estatística (INSA) realizada para o Bild na quinta e sexta-feira com 1.000 pessoas, quase metade dos alemães (47%) aprovaria um boicote à Copa do Mundo caso Washington anexasse a Groenlândia. Mais de um terço (35%) se oporia.
Tetracampeã mundial, a seleção alemã não perde uma Copa do Mundo desde o período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial (1950). Donald Trump tem uma relação próxima com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que lhe entregou o recém-criado Prêmio da Paz da Fifa durante o sorteio da Copa do Mundo em dezembro.