ONU acusa Israel de impor 'apartheid' na Cisjordânia e intensificar discriminação
A Organização das Nações Unidas (ONU) acusou nesta quarta-feira Israel de ter intensificado a discriminação e a segregação contra os palestinos na Cisjordânia e pediu ao país que ponha fim ao que descreve como um “sistema de apartheid”.
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Em um novo relatório, o escritório de direitos humanos da ONU estimou que a “discriminação sistemática” contra os palestinos nos territórios ocupados “se deteriorou drasticamente” nos últimos anos.
— Há uma asfixia sistemática dos direitos dos palestinos na Cisjordânia — afirmou o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk, em comunicado.
— Seja para acessar água, ir à escola, buscar atendimento hospitalar, visitar familiares ou amigos, ou colher azeitonas, cada aspecto da vida dos palestinos na Cisjordânia é controlado e restringido por leis, políticas e práticas discriminatórias de Israel — acrescentou.
Segundo Türk, trata-se de “uma forma particularmente grave de discriminação e segregação racial, que se assemelha ao tipo de sistema de apartheid que já vimos antes”. É a primeira vez que um chefe de direitos humanos da ONU emprega o termo “apartheid” nesse contexto.
O relatório afirma que as autoridades israelenses submetem colonos israelenses e palestinos que vivem na Cisjordânia a dois regimes jurídicos e políticas distintos, resultando em tratamento desigual. Os palestinos, diz o texto, continuam sofrendo confiscações massivas de terras, privação de acesso a recursos e processos em tribunais militares que “violam sistematicamente o direito ao devido processo”.
Türk exige que Israel revogue leis, políticas e práticas que perpetuem a discriminação sistêmica baseada em raça, religião ou origem étnica. A ONU aponta ainda que a situação foi agravada pela violência de colonos, muitas vezes “com a aquiescência, o apoio e a participação das forças de segurança israelenses”.
Mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, território ocupado desde 1967. A violência se intensificou após o ataque do movimento islamista palestino Hamas, em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
Desde o início do conflito, mais de mil palestinos morreram na Cisjordânia em ações de tropas israelenses e de colonos, segundo levantamento da AFP com base em dados do Ministério da Saúde palestino. Pelas cifras oficiais israelenses, ao menos 44 israelenses morreram em ataques palestinos ou em operações militares no mesmo período.
O relatório afirma ainda que, desde o começo da guerra em Gaza, as autoridades israelenses ampliaram o uso de força ilegal, detenções arbitrárias e tortura, além de haver expansão dos assentamentos e mortes de palestinos com “quase total impunidade”. O texto diz ter encontrado “motivos razoáveis” para crer que essa segregação e subordinação têm intenção de ser permanentes.