No Mercocidades, prefeito de Niterói anuncia escola de gestores de segurança pública
A defesa de políticas públicas que combinem prevenção social e atuação contra o crime foi um dos pontos chaves da 30ª Cúpula de Mercocidades, que começou na terça-feira e termina nesta sexta, no Caminho Niemeyer, em Niterói. O evento contou com a presença do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; do prefeito do Rio e presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), Eduardo Paes; e do prefeito de Montevidéu, Mario Bergara. O prefeito Rodrigo Neves, que assumiu a presidência da rede, afirmou que as cidades devem liderar estratégias de segurança pública baseadas em prevenção e cooperação regional.
— Não há contradição entre combater de maneira implacável o crime organizado e planejar estratégias e ações coordenadas para prevenir a violência e garantir uma segurança pública mais eficiente nas cidades da América Latina — afirmou.
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O Mercocidades reúne 400 cidades da América Latina. O prefeito de Niterói disse que pretende reforçar o intercâmbio de políticas de segurança bem-sucedidas entre os municípios. Uma das metas anunciadas foi a criação de uma escola de gestores de segurança pública voltada às cidades da região.
— Decidimos disputar a juventude com o crime, disputar cada menino, cada jovem. Dar uma oportunidade de sonhar, de construir uma nova trajetória para cada um desses jovens é, sem dúvida, um dos instrumentos mais importantes de prevenção à violência — destacou.
Outro destaque da cidade no encontro foi a apresentação de dados sobre o Pacto Niterói Contra a Violência, lançado em 2018, que fez, desde então, o município registrar quedas expressivas nos indicadores criminais. Segundo números do Instituto de Segurança Pública (ISP), a cidade reduziu em 84,7% os roubos de veículos e em 78,5% a letalidade violenta dentro desse período.
— Conseguimos reduzir a violência, combater o crime, sem aumentar a letalidade policial. Não podemos ceder às tentações autoritárias de soluções fáceis para um problema tão complexo como a segurança pública. O século XXI é o século das cidades. E, nesses 30 anos de fundação da rede, precisamos fortalecer nossa entidade para cumprir sua missão diante deste momento histórico — disse.
Troca de experiências
A cerimônia contou com representantes de governos municipais e autoridades de países da região. Niteroiense, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ressaltou o papel estratégico das cidades no avanço da integração latino-americana.
— As cidades constituem a unidade básica da integração. É nelas que os avanços se traduzem em serviços, oportunidades, infraestrutura, direitos e qualidade de vida. O Brasil continuará comprometido com uma integração profunda, orientada às pessoas e aos seus territórios, com vistas à construção de um futuro comum de paz. Essa é a política externa e também doméstica do presidente Lula — afirmou.
O prefeito do Rio e presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), Eduardo Paes, reforçou a importância de redes que aproximam gestores para troca de experiências.
— Mais do que nunca, precisamos discutir segurança pública também a partir das cidades. Elas são o melhor espaço para refletir sobre tudo isso, porque nelas não há espaço para abstrações: é preciso entregar resultado. Nas prefeituras, conhecemos melhor do que ninguém o terreno onde as políticas públicas serão implementadas, onde as obras vão acontecer e como devemos priorizá-las — disse Paes.
O prefeito de Montevidéu, Mario Bergara, destacou a semelhança dos desafios enfrentados pelas cidades latino-americanas e defendeu a participação social como eixo central das soluções.
— Atendemos às necessidades da nossa gente, oferecendo bem-estar às comunidades e resolvendo os desafios do dia a dia, em infraestrutura, limpeza, ruas, iluminação, cultura, igualdade, direitos e segurança. Isso nos uniu. Enfrentamos questões semelhantes e buscamos soluções parecidas, sempre com democracia e participação cidadã. Nenhum de nós pode ter a pretensão messiânica de resolver, do Olimpo, os problemas das pessoas. Cada morador sabe onde estão as dificuldades, e só podemos solucioná-las juntos, com participação, diálogo e convivência. Essa é a forma democrática de resolver — afirmou.
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