MPF denuncia prefeito 'tiktoker' de Sorocaba por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o prefeito afastado de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), por peculato, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, entre outros crimes, em uma investigação que apura o desvio de recursos públicos na área da saúde. Ele está fora do cargo desde o dia 6 de novembro do ano passado, quando foi alvo da segunda fase da Operação Copia e Cola, deflagrada pela Polícia Federal.
Além de Manga, sua esposa, Sirlange Frate Maganhato, e a mãe dele, Zoraide Batista Maganhato, também foram indiciados pelo MPF. A defesa deles não se manifestou.
Ao todo, foram treze denunciados. Entre eles estão ex-secretários e membros de empresas envolvidas no esquema criminoso.
Segundo os investigadores, Manga, que é aliado e do mesmo partido do governador Tarcísio de Freitas — ele não tem relação com as operações —, montou um grupo criminoso que utilizou seus cargos públicos para direcionar certames e promover fraudes licitatórias com o objetivo de obter vantagens ilícitas.
Ele é apontado como principal ator e líder do núcleo político da organização criminosa. Manga, ainda de acordo com o MPF, recebeu propina para garantir que a Organização Social Aceni assumisse a administração de unidades básicas de saúde. Como prova, os procuradores encontraram pagamentos de despesas de sua família feitos por intermediários. Além disso, Rodrigo Manga teria utilizado parentes como "laranjas" para ocultar patrimônio.
Prefeito "Tiktoker"
Manga foi reeleito prefeito de Sorocaba, em 2024, com mais de 263 mil votos, contabilizando 73,75% dos votos válidos. Ele se tornou conhecido nas redes sociais pela publicação de vídeos em que usava o humor para informar sobre serviços na cidade, como a disponibilização de carregadores portáteis, entrega de lanches e distribuição de guarda-chuvas nos pontos de ônibus.
Antes de ser afastado, Rodrigo Manga havia anunciado sua intenção de se candidatar a governador ou a presidente da República.
Por um desses conteúdos, no entanto, ele se tornou alvo de uma denúncia protocolada no mês passado no Ministério Público por integrantes de coletivos ligados ao movimento negro. O pedido de investigação veio após a veiculação de um vídeo em que ele simulava homens sendo revistados por policiais. Segundo os ativistas, a gravação feita para anunciar a compra de viaturas do programa Protege Mulher tem "acúmulo da estética negra" e "reforça estereótipos" ao colocar homens negros e periféricos para encenar supostos agressores de mulheres.